Marcadores sociais da diferença: uma perspectiva interseccional sobre ser estudante negro e deficiente no Ensino Superior brasileiro

Vanessa Carolina Silva, Wilker Solidade Silva

Resumo


O artigo aborda a questão dos marcadores sociais da diferença nas Instituições de Ensino Superior (IES) no Brasil, pontuando nas autoidentificações de negros e deficientes como material investigativo positivo para se compreender as características que permeiam o espaço social e acadêmico no que se refere ao reconhecimento e valorização de sujeitos de direito. Como apoio teórico para análise da dimensão de marcadores de diferença, é defendida a interpretação interseccional como um caminho viável por permitir o entrecruzar de fatores diversos em torno da compreensão da formação de identidades. A metodologia utilizada foi a da revisão de literatura, através da Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES (CTDC) e análise qualitativa de dados estatísticos oficiais, com o Censo da Educação Superior do INEP (CESI). Com estas fontes, são expostas as pesquisas com a temática intersecional, com crescimento significativo do número de produções, bem como a adoção do uso quase majoritário dos marcadores raça/cor e gênero, bem como a verificação de um aumento de aproximadamente 460% no número de matrículas de pessoas negras e/ou deficientes em relação ao ano de 2010 nas IES. Defendendo a interpretação utilizada, se evidenciam possibilidades para a produção de novas pesquisas com a temática, principalmente no que se refere ao reconhecer em números os estudantes negros, deficientes, quilombolas, etc. em suas particularidades, construindo material empírico para que IES do país possam planejar práticas positivas para uma interpretação interseccional das identidades de seu alunado e, por conseguinte, construir espaços de formação realmente inclusivos.


Palavras-chave


Interseccional. Raça. Deficiência. Ensino Superior.

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