Estratégias de projeção da estrutura diamétrica em Floresta Ombrófila Mista

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1980509863311

Palavras-chave:

Razão de movimento, Manejo de florestas nativas, Estratificação da floresta

Resumo

Para que as florestas possam ser usadas de forma sustentável, é importante conhecer sua estrutura no futuro, que pode ser estimada por meio da prognose da distribuição diamétrica. Como essas projeções podem auxiliar na tomada de decisão para manejo e preservação, é preciso desenvolver estratégias visando melhorias das estimativas. Com isso, este estudo teve como objetivo avaliar o efeito da estratificação na prognose da distribuição diamétrica de uma Floresta Ombrófila Mista. Para isso, foram analisados os dados provenientes de 26 parcelas permanentes (1 ha) na Floresta Nacional de Três Barras, no estado de Santa Catarina. Cada unidade primária foi dividida em 20 unidades secundárias de 0,05 ha, mensuradas em 2004, 2009 e 2016. Por meio da estatística multivariada de análise de agrupamento, foi realizada a estratificação das unidades secundárias usando como atributos o incremento periódico anual médio em diâmetro, área basal e o número de fustes de cada unidade secundária. Por meio da Razão de Movimento, foi projetada a distribuição diamétrica da floresta para o ano de 2016. Usando como base os dados dos inventários de 2004 e 2009, a projeção foi realizada para a floresta como um todo. No entanto, a projeção para a floresta estratificada foi realizada com base no inventário apenas do ano de 2009. A consistência das projeções foi avaliada pelo teste de Kolmogorov-Smirnov e pelo Índice de Reynolds.  A análise de agrupamento resultou em três estratos, e a projeção realizada para a floresta estratificada apresentou o melhor desempenho, tanto no número total de fustes quanto nas primeiras classes diamétricas, onde geralmente ocorrem as maiores variações entre a frequência observada e estimada. A estratificação da floresta melhora as estimativas e proporciona resultados mais precisos na projeção da estrutura diamétrica, sendo uma ferramenta importante para ser usada em áreas extensas e heterogêneas.

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Biografia do Autor

Marina da Silveira Gomes, Pesquisadora autônomaPesquisadora Autônoma, Cambuquira, MG

Engenheira Florestal, Ma., Pesquisadora Autônoma, Rua Professora Alice Braga Coelho, 1480, CEP 37420-000, Cambuquira (MG), Brasil.

Andrea Nogueira Dias, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Irati, PR

Engenheira Florestal, Dra., Professora do Curso de Engenharia Florestal, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Rua Professora Maria Roza Zanon de Almeida, CEP 84500-000, Irati (PR), Brasil.

Afonso Figueiredo Filho, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Irati, PR

Engenheiro Florestal, Dr., Professor do Curso de Engenharia Florestal, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Rua Professora Maria Roza Zanon de Almeida, CEP 84500-000, Irati (PR), Brasil.

 

 

Fabiane Aparecida de Souza Retslaff, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Irati, PR

Engenheiro Florestal, Dra., Professora do Curso de Engenharia Florestal, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Rua Professora Maria Roza Zanon de Almeida, CEP 84500-000, Irati (PR), Brasil.

 

Luciano Rodrigo Lanssanova, Instituto Federal do Mato Grosso, Juína, MT

Engenheiro Florestal, Dr., Professor do Instituto Federal do Mato Grosso, Campus Agrícola, Linha J, s/n, Zona Rural, CEP 78320-000, Juína (MT), Brasil.

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Publicado

24-06-2022

Como Citar

Gomes, M. da S., Dias, A. N., Figueiredo Filho, A., Retslaff, F. A. de S., & Lanssanova, L. R. (2022). Estratégias de projeção da estrutura diamétrica em Floresta Ombrófila Mista. Ciência Florestal, 32(2), 902–922. https://doi.org/10.5902/1980509863311

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