Quintais agroflorestais urbanos no sul da Amazônia: os guardiões da agrobiodiversidade?

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1980509843611

Palavras-chave:

Composição florística, Diversidade de plantas, Sistemas agroflorestais

Resumo

Os quintais agroflorestais são uma prática milenar em várias partes do mundo e desempenham importantes papéis econômicos, culturais e de conservação da agrobiodiversidade. Sendo assim, o principal objetivo deste estudo foi realizar o levantamento das espécies vegetais em quintais agroflorestais urbanos em Alta Floresta – MT, sul da Amazônia; bem como analisar se contribuem para a conservação da agrobiodiversidade. Para tanto, realizou-se levantamento florístico em 30 quintais agroflorestais urbanos em 17 bairros, usando a técnica de visita guiada. Essa visita consistiu em uma caminhada pelo quintal na companhia da mantenedora, reunindo informações sobre as espécies. Também foi realizada entrevista semiestruturada. Para identificação in situ das espécies vegetais, os indivíduos foram registrados pelo nome popular e feito registro fotográfico. Os dados foram analisados ​​por meio do índice de Shannon-Wiener, equabilidade, frequência, densidades absoluta e relativa, índice de valor de importância e similaridade florística realizada através da análise de agrupamentos. Para isso, foi utilizado o coeficiente de similaridade de Bray-Curtis e o método UPGMA. Os cálculos das variáveis e dos índices foram realizados pelo programa FITOPAC 2.1. A análise estatística utilizada foi a descritiva. Foram encontradas 72 famílias botânicas, 7.106 indivíduos e 243 espécies. Os quintais têm uma densidade de 947,47 e um índice de Shannon-Wiener de 4,06. Os quintais apresentaram baixa similaridade. A área média dos quintais é de 0,25 ha. Encontrou-se alta diversidade de famílias botânicas, indivíduos e espécies por quintal agrupadas em oito categorias de uso: frutíferas, olerícolas, condimentares, grãos, madeireira, medicinal, ornamental e sombreamento. A categoria de uso de maior importância é a medicinal. A composição florística dos 30 quintais é heterogênea. Em Alta Floresta, onde a monocultura de pastagem e da soja é predominante, os quintais agroflorestais urbanos são uma maneira de conservação da agrobiodiversidade e contribuição também para a fauna local.

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Biografia do Autor

Wagner Gervazio, Universidade do Estado de Mato Grosso, Alta Floresta, MT

Sou Doutor em Engenharia Agrícola, na área de concentração em "Gestão de Sistemas na Agricultura e Desenvolvimento Rural", com a linha de pesquisa sobre "Estudos Socioeconômicos e Ambientais" pela Faculdade de Engenharia Agrícola/Feagri da Universidade Estadual de campinas/Unicamp, e bolsista do CNPq. Realizei doutorado sanduíche na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM - março a agosto de 2018), na Unidade de Morélia, Michoacán, México. Monitorei o curso de especialização lato sensu em "Educação do campo e agroecologia na agricultura familiar e camponesa - residência agrária (2015)". Fui bolsista da CAPES (2014, 2015/1). Sou Mestre em Biodiversidade e Agroecossistemas Amazônicos pela Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT (02/2015). Trabalhei com Quintais Agroflorestais Urbanos. Possuo graduação em Agronomia pela Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT/Alta Floresta-MT) no ano de 2007. Tenho experiência na área de Agroecologia, Administração Rural e Educação do Campo. Atuei como coordenador e professor do campo no Ensino Médio Integrado Técnico em Administração Rural e Agroecologia na Escola Estadual Ouro Verde, Alta Floresta - MT. Sou Professor da Unemat na agronomia.

Oscar Mitsuo Yamashita, Universidade do Estado de Mato Grosso, Alta Floresta, MT

Possui graduação em Agronomia pela Universidade Estadual de Londrina (1997), mestrado em Agricultura Tropical pela Universidade Federal de Mato Grosso (2004) e doutorado em Agricultura Tropical pela Universidade Federal de Mato Grosso (2009). Atualmente é professor efetivo adjunto Doutor classe 2C da Universidade do Estado de Mato Grosso. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Fitotecnia, Matologia e Tecnologia de Sementes, atuando principalmente nos seguintes temas: produção vegetal, plantas daninhas, fisiologia da germinação.

Delmonte Roboredo, Universidade do Estado de Mato Grosso, Alta Floresta, MT

Graduado em Engenharia Agronômica (1979) e mestrado em Agricultura Tropical (2005) pela Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade Federal de Mato Grosso na área de física do solo e doutor em Engenharia Agrícola (2014) na área de Planejamento e Desenvolvimento Rural Sustentável pela Faculdade de Engenhara Agrícola da Universidade Estadual de Campinas. Professor efetivo da Universidade do Estado de Mato Grosso na área de Extensão Rural com experiência em agronomia, com ênfase em Extensão Rural, atuando principalmente nos seguintes temas: desenvolvimento rural sustentável, agricultura familiar, políticas públicas e organização rural.

Sonia Maria Pessoa Pereira Bergamasco, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, SP

Possui graduação em Agronomia pela Universidade de São Paulo (1969) e graduação em Economia pelo Instituto de Ensino de Marília (1972 - diploma registrado pela USP), mestrado em Extensão Rural pela Universidade Federal de Viçosa (1976) e doutorado em Ciências pela UNESP (1974). Pós-doutorado pela Universidade Estadual de Campinas (1980), especialização em Extensão Rural para o Desenvolvimento Sócioeconomico pela Wageningen University (1985), pós-doutorado pela École de Hautés Études em Sciences Sociales 1990/91. É professora titular da Universidade Estadual Paulista - UNESP/Botucatu e pela Universidade Estadual de Campinas, atuando junto à Faculdade de Engenharia Agrícola na área de Planejamento e Desenvolvimento Rural Sustentável, também foi Professora Visitante Sênior da Universidade Federal de São Carlos - Campus Araras (2014-2017). Tem experiência nas áreas de Extensão Rural, atuando principalmente nos seguintes temas: Desenvolvimento Rural Sustentável, Reforma Agrária e Assentamentos Rurais e avaliação de Políticas Públicas para Agricultura Familiar. É autora de mais de 16 livros, dentre eles ?O que são Assentamentos Rurais? da Coleção Primeiros Passo da Editora Brasiliense. Apresenta mais de 100 artigos publicados em periódicos com seletiva política editorial e mais de 35 capítulos de livros. Participou como assessora do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA-Brasil), do IICA, da FAO e do IFPRI, em trabalhos de formação de extensionistas, de avaliação da Política de Assistência Técnica e Extensão Rural, bem como de políticas de Crédito Rural e Políticas de Comercialização para a Agricultura Familiar.

Ricardo Adriano Felito, Instituto Federal de Mato Grosso, Alta Floresta, MT

Possui graduação em Agronomia pela Universidade do Estado de Mato Grosso Campus de Alta Floresta (2014) e mestrado em Biodiversidade e Agroecossistemas Amazônicos pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2017). Atualmente é discente do curso de doutorado em Agronomia-Horticultura pela Unesp- campus de Botucatu.

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Publicado

25-03-2022

Como Citar

Gervazio, W., Yamashita, O. M., Roboredo, D., Bergamasco, S. M. P. P., & Felito, R. A. (2022). Quintais agroflorestais urbanos no sul da Amazônia: os guardiões da agrobiodiversidade?. Ciência Florestal, 32(1), 163–186. https://doi.org/10.5902/1980509843611

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