EFEITO DO TEOR DE EXTRATIVOS NA RESISTÊNCIA NATURAL DE CINCO MADEIRAS AO ATAQUE DE CUPINS XILÓFAGOS

Juarez Benigno Paes, Sara Carolina Soares Guerra, Luciana Ferreira da Silva, José Geraldo Lima de Oliveira, Gilson Barbosa São Teago

Resumo


Quando o homem deixou de ser nômade, teve de se adaptar às novas condições, passando a empregar a madeira para energia, instrumentos de caça e defesa e elementos construtivos diversos. Desde então, em função dos usos e do rápido crescimento, a importância da madeira vem se acentuando, principalmente porque sua exploração agride menos o ambiente quando comparada a outros materiais não renováveis. Embora existam várias pesquisas sobre Eucalyptus e Pinus, estudos com outras espécies são incipientes, principalmente quanto ao efeito dos extrativos na resistência natural das madeiras. Assim, o objetivo da pesquisa foi avaliar a influência do teor de extrativos na resistência natural das madeiras de Acacia mangium, Casuarina sp., Eucalyptus cloeziana, Corymbia torelliana e Tectona grandis ao térmita xilófago Nasutitermes corniger, espécie de ocorrência frequente em várias regiões no Brasil. De cada espécie foram retirados corpos de prova, com dimensões de 2,00 x 10,16 x 0,64 cm (radial x longitudinal x tangencial) em quatro posições no sentido medula-alburno (cerne interno, cerne intermediário, cerne externo e alburno). As madeiras foram expostas à ação dos cupins durante 45 dias em ensaio de preferência alimentar. Amostras não selecionadas para o ensaio com cupins foram transformadas em serragem e o teor de extrativos obtido ao empregar a fração que passou pela peneira de 40 e ficou retida na de 60 mesh. A resistência natural não esteve associada ao teor de extrativos presentes na madeira. A resistência das madeiras variou no sentido medula-alburno, com padrão variável para cada espécie. As madeiras mais resistentes foram Tectona grandis e Corymbia torelliana e a mais deteriorada a Acacia mangium.

Palavras-chave


extrativos; térmitas xilófagos; preferência alimentar

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509825137

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