OS SOLOS DAS CAMPINARANAS NA AMAZÔNIA BRASILEIRA: ECOSSISTEMAS ARENÍCOLAS OLIGOTRÓFICOS

Bruno Araujo Furtado de Mendonça, Elpídio Inácio Fernandes Filho, Carlos Ernesto Gonçalves Reynaud Schaefer, Felipe Nogueira Bello Simas, Mayara Daher de Paula

Resumo



http://dx.doi.org/10.5902/1980509820581

As Campinaranas são ecossistemas arenícolas de grande extensão na Amazônia brasileira, determinantes para os grandes sistemas de rios de águas pretas. Em vista da carência de estudos nestes ecossistemas, este trabalho teve como objetivos gerais estudar a distribuição das Campinaranas e suas relações com os solos predominantes e sua geologia na porção ocidental da Amazônia brasileira. Foram utilizados dados analíticos dos perfis de solos coletados pelo Projeto RADAMBRASIL, atualizados e sistematizados pelo IBGE, somados a perfis de referência coletados no Parque Nacional do Viruá, Roraima. De modo geral, os solos das Campinaranas são predominantemente arenosos, desenvolvidos sobre materiais de origem de natureza arenoquartzosa. Do cruzamento dos dados geológicos com áreas dominadas por Campinaranas, tem-se um predomínio das formações sedimentares recentes (Quaternário), constituídas principalmente de materiais arenosos. A partir da análise dos dados, sugere-se um limite mínimo de 55 dag kg-1 de areia nos solos para a ocorrência das Campinaranas. Os solos mais argilosos são reportados apenas para as áreas ecotonais Florestas - Campinaranas, marginais aos corpos arenosos. Verifica-se predomínio absoluto dos Espodossolos e Neossolos Quartzarênicos nas Campinaranas. Mesmo em diferentes formações geológicas e com processos pedogenéticos distintos, estes solos possuem características morfológicas, químicas e físicas muito semelhantes. Apesar da diversidade pedológica das áreas ecotonais, os solos encontrados guardam semelhanças com os solos das Campinaranas.


Palavras-chave


Espodossolos; Neossolos Quartzarênicos; Amazônia brasileira; Ecossistemas arenícolas.

Texto completo:

PDF

Referências


ALONSO, J. A. Characteristic avifauna of white-sand forests in northern Peruvian Amazonia. 2002. (MSc thesis) Baton Rouge, LA, Louisiana State University.

ALTEMULLER, H. J.; KLINGE, H. Micromorphological investigation on development of podzol in Amazon basin. Plön, Max Plank Institute of Limnology. Soil Micromorphology, p. 295-305. 1964.

ANDERSON, A. B. Aspectos florísticos e fitogeográficos de Campinas e Campinaranas, na Amazônia Central, Manaus. 1978. (Dissertação de Mestrado em Ciências Biológicas) INPA-FUA, Manaus.

ANDERSON, A. B. White-sand Vegetation of Brazilian Amazonia. Biotropica, 13(3):199-210, 1981.

ANDERSON, A. B.; PRANCE, G.T.; ALBUQUERQUE, B.W.P. Estudos sobre as vegetações de Campinas Amazônica III: A vegetação lenhosa da Campina da Reserva Biológica INPA –SUFRAMA (Manaus-Caracaraí, km 62). Acta Amazonica, 5(3):225-246, 1975.

ANDRADE, H. et al. Pedogeomorfologia e micropedologia de uma seqüência de Latossolo – Areia Quartzosa Hidromórfica sobre rochas cristalinas do Estado do Amazonas. Genomos. Belo Horizonte, 5(1): 55-66. 1997.

ANDRADE, H. Evolução de uma seqüência de solos argilosos até arenosos no Complexo Guianense da Amazônia. 1990. (Tese de Doutorado) , Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, Piracicaba179p.

BRASIL. Ministério das Minas e Energia. Projeto RADAMBRASIL. Folha NA. 20 Boa Vista e parte das Folhas NA -21 Tumuqumaque, NB – 20 Roraima e NB – 21, Rio de Janeiro, v.8, 428 p. 1975a. (Levantamento dos Recursos Naturais, 8).

BRASIL. Ministério das Minas e Energia. Projeto RADAMBRASIL. Folha NA. 21 Tumucumaque e parte da Folha NB. 21; geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação e uso potencial da terra, Rio de Janeiro, 370 p. 1975b (Levantamento dos Recursos Naturais, 9).

BRASIL. Ministério das Minas e Energia. Projeto RADAMBRASIL. Folha NA. 19 Pico da Neblina; geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação e uso potencial da terra. Rio de Janeiro, 380 p. 1976 (Levantamento dos Recursos Naturais, 11).

BRASIL. Ministério das Minas e Energia. Projeto RADAMBRASIL. Folhas SB/SC. 18 Javari/Contamana; geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação e uso potencial da terra, Rio de Janeiro, 420 p. 1977a (Levantamento de Recursos Naturais, 13).

BRASIL. Ministério das Minas e Energia. Projeto RADAMBRASIL. Folha SA. 19 Içá; geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação e uso potencial da terra. Rio de Janeiro, 452 p. 1977b (Levantamento dos Recursos Naturais, 14).

BRASIL. Ministério das Minas e Energia. Projeto RADAMBRASIL. Folha SA. 20 Manaus; geologia, geomorfologia, pedologia, vegetação e uso potencial da terra. Rio de Janeiro, 628 p. 1978 (Levantamento dos Recursos Naturais, 18)

BRAVARD, S.; RIGHI, D. Podzols in Amazonia. Catena 17,461–475. 1990.

BRINKMAN, R. Ferrolysis, a hydromorphic soil forming process. Geoderma, Amsterdam, 3:199-206, 1970.

CPRM, Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais. Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil. Projeto de Mapeamento Geológico / Metalogenético Sistemático Caracaraí: Folhas NA.20-Z-B e NA.20-Z-D inteiras e parte das folhas NA.20-Z-A, NA.20-Z-C, NA.21-Y-C e NA.21-Y-A. Brasília, 2000.

DUBROEUCQ, D.; BLANCANEAUX, P. Les podzols du haut rio Negro, region de Marao, Venezuela. Environnement et relations lithologiques. In: RIGHI, D.; CHAUVEL, A., eds. Podzols et podzolisation. Paris, INRA, 1987. p.37-52.

DUBROEUCQ, D.; VOLKOFF, B. From Oxisols to Spodosols and Histosols: evolution of the soil mantles in the rio Negro basin (Amazonia). Catena, 32:245-280, 1998.

DUCKE, A.; BLACK, G.A. Notas sobre a fitogeografia da Amazônia brasileira. Boletim Técnico do Instituto Agronômico do Norte, Belém. 29:1-62, 1954.

DUIVENVOORDEN, J. F. Patterns of tree species richness in rainforests of the middle Caqueta area, Colombia, NW Amazonia. Biotropica 28(2):142-158. 1996.

FERREIRA, C. A. C. Variação Florística e Fisionômica da Vegetação de Transição Campina, Campinara e Floresta de Terra Firme. 1997. (Dissertação de Mestrado em Ciências Biológica) UFRPE, 112p.

IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Manual Técnico da Vegetação Brasileira. Série Manuais Técnicos em Geociências. No. 1, Rio de Janeiro, 1992. 92p.

IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Diretoria de Geociências. Coordenação de Recursos Naturais e Estudos Ambientais. Projeto Sistematização das Informações Sobre Recursos Naturais. 2000.

INMET. Instituto Nacional de Meteorologia. Disponível em: <(http://www.inmet.gov.br/html/clima.php)> Acesso em: 20 de maio de 2008.

JARVIS, A. et al. Hole-filled seamless SRTM data v3, International Centre for Tropical Agriculture (CIAT). 2006. Disponível em http://srtm.csi.cgiar.org

LUCAS Y. et al. Transição Latossolos-podzóis sobre a formação Barreiras na região de Manaus, Amazônia. R. Bras. Ci. Solo, 8:325-335, 1984.

MAFRA, A.L. et al. Pedogênese numa seqüência Latossolo-Espodossolo na região do alto rio Negro, Amazonas. R. Bras. Ci. Solo, 26:381-394, 2002.

NOVAIS, R. F.; SMYTH, T. J.; NUNES, F. N. Fósforo. SBCS, Viçosa, 2007. Fertilidade do Solo, 1017p. (eds. NOVAIS, R.F. et al.).

OLIVEIRA, A. A. de; DALY, D. C. Florestas do Rio Negro. São Paulo. Companhia das Letras: UNIP, 2001.

PEEL, M. C.; FINLAYSON, B. L.; McMAHON, T. A. Updated world map of the Köppen-Geiger climate classification. Hydrol. Earth Syst. Sci., 11, 1633–1644, 2007.

POLETO, F.; ALEIXO, A. Implicações biogeográficas de novos registros ornitológicos em um enclave de vegetação de campina no sudoeste da Amazônia brasileira. Revista Brasileira de Zoologia. 22:1196-1200, 2005.

PRANCE, G.T. Islands in Amazonia. Phil. Trans. R. Soc. London vol. 351, no. 1341 p. 823-33,1996.

PRANCE, G.T.; SCHUBART, H.O.R. Nota preliminar sobre a origem das campinas abertas de areia branca do rio Negro. Acta Amazonica. 3(4):567-550, 1978.

SANTOS, J.O.S.; NELSON, B.W. Os campos de dunas do Pantanal Setentrional. In: CONGRESSO LATINO-AMERICANO, 8, Caracas, Venezuela, Anais...1995. 9p.

SCHAEFER, C. E. G. R.; DALRYMPLE, J. Landscape Evolution In Roraima, North Amazonia: Planation, Paleosols And Paleoclimates. Zeitschrift für Geomorphologie, BERLIN, v. 39, n. 1, p. 1-28, 1995.

SCHAEFER C. E. G. R. et al. Soil and vegetation carbon stocks in Brazilian Western Amazonia: relationships and ecological implications for natural landscapes. Env. Mon. Assess. 1-15, 2007.

SILVEIRA, M. Vegetação e Flora das Campinaranas do Sudoeste Amazônico. S.O.S. Amazônia. Rio Branco, 2003. 26p.

SOMBROEK, W.G. Amazon Soils: a Reconnaissance of the Soils of the Brazilian Amazon Valley. Pudoc, Wageningen, 1966. 292 p.

VELOSO, H.P.; RANGEL FILHO, A.L.R.; LIMA, J.C.A. Classificação da Vegetação Brasileira, adaptada a um Sistema Universal. Rio de Janeiro. IBGE, 1991.




DOI: https://doi.org/10.5902/1980509820581

Licença Creative Commons