Ocorrência da espécie arbórea exótica invasora Hovenia dulcis no estado de Santa Catarina

Authors

DOI:

https://doi.org/10.5902/2179460X42748

Keywords:

Hovenia dulcis, Espécie exótica invasora, Santa Catarina,

Abstract

A disseminação de espécies exóticas invasoras tem criado desafios complexos, pois ameaçam tanto as riquezas biológicas naturais do planeta, quanto o bem-estar de seus cidadãos. Nesse contexto, ações efetivas, principalmente quando se trata de espécies exóticas invasoras estão relacionadas ao conhecimento e compreensão a respeito do status da invasão e sua abrangência espacial. O objetivo deste artigo é contribuir para a expansão da informação a respeito da ocorrência da espécie arbórea exótica invasora Hovenia dulcis no Estado de Santa Catarina, por meio de uma compilação e análise de dados e publicações científicas. Das 84 espécies de plantas consideradas exóticas invasoras em Santa Catarina, Hovenia dulcis é uma das espécies mais relevantes, apresentando 72 registros de ocorrência na Base de Dados Nacional de Espécies Exóticas Invasoras, 107 registros no Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina e ainda 11 registros oriundos de publicações em periódicos científicos. Compilando e espacializando todas as informações constantes nas bases de dados, a espécie tem ocorrência registrada em 124 municípios catarinenses, além de ocorrer em algumas unidades de conservação no estado. O fato da Hovenia dulcis ocorrer em quase metade dos municípios Catarinenses aponta para a necessidade de medidas de prevenção controle e erradicação da espécie.

Author Biographies

Carla Luciane Lima, Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC

Doutoranda em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Socioambiental pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Graduada (2010) e Mestre (2016) em Engenharia Florestal pela Universidade do Estado de Santa Catarina. Tem experiência na área de Recursos Florestais e Engenharia Florestal, com ênfase em Conservação da Natureza, atuando principalmente nos seguintes temas: composição florístico-estrutural, ecologia de espécies, fitogeografia, unidades de conservação, recuperação de áreas degradadas e geociências.

Francisco Henrique de Oliveira, Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC

Graduou-se em Engenharia Cartográfica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP) em 1993. Obteve o doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2002. Em 2012, como bolsista do CNPq realizou no primeiro semestre seu pós-doutorado na RWTH - Aachen University ? Instituto de Geodésia ? Alemanha, e no segundo semestre do mesmo ano continuou seu pós doc na UNI - University of Northern Iowa ? Departamento de Geografia - EUA, tendo como foco a temática do Cadastro Territorial Multifinalitário. Atualmente é professor associado da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), professor colaborador da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e professor convidado do Lincoln Institute of Land Policy ? Boston - USA. Tem experiência na área de Geociências, com ênfase em Cadastro Territorial Multifinalitário, atuando principalmente nos seguintes temas: geoprocessamento, cartografia, cartografia cadastral, cadastro técnico multifinalitário e cartografia temática.

Camile Sothe, McMaster University, Hamilton, Canadá.

Doutora em Sensoriamento Remoto pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Participou do Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE), financiado pela CAPES, na Fondazione Edmund Mach, Itália. Possui graduação e mestrado em Engenharia Florestal pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Sua atual linha de pesquisa envolve a integração de dados multissensores (LiDAR, nuvem de pontos fotogramétrica, dados ópticos hiperespectrais e multiespectrais) e métodos de aprendizado de máquina (machine learning), incluindo aprendizado profundo (deep learning), para a classificação semiautomática de estádios sucessionais e espécies florestais da Mata Atlântica. Teve artigo como 1a autora classificado entre os Top 10% de acordo com o Research Outputs Ranking da Altmetric- Digital Science Portfolio e eleito como uma das três melhores produções da pós-graduação em Sensoriamento Remoto do INPE nos anos 2017/2018. Atuando como pesquisadora no projeto "Carbon storage and distribution in terrestrial ecosystems of Canada", parceria entre McMaster University e WWF-Canada.

Felipe Echenique Alves, Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC

Mestre em Engenharia de Transportes e Gestão Territorial - PPGTG, da Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC, na área de Cadastro Territorial Multifinalitário. Graduado em Geografia (Licenciatura/Bacharelado) na Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC. Formado no curso técnico de Agrimensura e Geomensura do Instituto Federal de Santa Catarina - IFSC(2014). Desde 2013/2 é bolsista de pesquisa e/ou iniciação científica do Laboratório de Geoprocessamento e Sensoriamento Remoto (UDESC). Possui experiência em Geotecnologia com ênfase em softwares de Geoprocessamento e Topografia, além de levantamentos Geodésicos e Topográficos. Atua como Analista de Geoprocessamento na empresa VisãoGeo Ltda, desde o ano de 2014.

References

BRASIL. Resolução CONABIO nº 07, de 29 de maio de 2018. Dispõe sobre a Estratégia Nacional para Espécies Exóticas Invasoras. Diário Oficial da União (Brasília) n. 112, 2018. jun.13

BROOKS, M. L. et al. Effects of invasive alien plants on fire regimes. Bioscience. 2004; 54: 677-688.

CARDOSO, T. C. et al. Intoxicação experimental pelos frutos de uva-Japão, Hovenia dulcis (Rhamnaceae), em bovinos. Pesqquisa Veterinária. Brasileira. 2015; 35 (2): 115-118. Fev 15 [cited 2020 fev 01]. Available from: https://doi.org/10.1590/S0100-736X2015000200003.

CARVALHO, P. E. R. Ecologia, silvicultura e usos da Uva-do-Japão. Circular Técnica, 23. Colombo: EMBRAPA-CNPF, 1994. 24p.

CBD Guiding Principles. Annexed to Decision VI/23 (Alien species that threaten ecosystems, habitats or species) of the Conference of the Parties to the Convention on Biological Diversity. 2002.

COZZO, D. Resultados de lasplantaciones florestais com Hovenia dulcis em la region Argentina subtropical y húmedade Missiones. Revista Florestal Argentina. 1960; 4 (4): 107-117.

DAMBROWSKI, V. Modelagem de nicho potencial para as espécies exóticas invasoras Tithonia diversifolia e Hovenia dulcis em Santa Catarina. [dissertacion]. Blumenau: Universidade Regional de Blumenau – FURB; 2014. 67 p.

DECHOUM, M. S. Invasão por Hovenia dulcis Thumb. (Rhamnaceae) nas florestas do rio Uruguai (SC): aspectos ecológicos e diretrizes para o manejo. [thesis]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina. 2015a. 148 p.

DECHOUM, M. S. et al. Community structure, succession and invasibility in a seasonal deciduous forest in southern Brazil. Biological Invasions. 2014: 1573-1464.

DECHOUM, M. S. et al. Invasions across secondary forest successional stages: effects of local plant community, soil, litter, and herbivory on Hovenia dulcis seed germination and seedling establishment. Plant Ecology. 2015c.

DECHOUM, M. S. et al. Limited Seed Dispersal May Explain Differences in Forest Colonization by the Japanese Raisin Tree (Thunb.), an Invasive Alien Tree in Southern Brazil. Tropical Conservation Science. 2015b; 8: 610-622.

FREITAS, W. K. et al. Estrutura horizontal de um trecho da Floresta Decidual da região oeste de Santa Catarina, Brasil. Revista Ambiência. 2016; 12(1): 217-232.

HENDGES, C. D. et al. Consumption of the invasive alien species Hovenia dulcis Thumb. (Rhamnaceae) by Sapajus nigritus Kerr, 1792 in a protected area in Southern Brazil. Revista Brasileira de Zoociências. 2012; 14(1,2,3).

HERMES-SILVA. E. As transformações do território a partir dos processos de criação e planejamento do Parque Estadual Fritz Plaumann (Concórdia/SC). [dissertation]. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. 2008. 195 p.

HUMMEL, R. B. Invasão Biológica por Ligustrum lucidum W. T. Aiton no Parque Estadual Quarta Colônia, RS. [dissertation]. Santa Maria: Universidade de Santa Maria. 2015. 73 p.

ICMBio - Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade. Guia de orientação para o manejo de espécies exóticas invasoras em Unidades de Conservação Federais. Ministério do Meio Ambiente – MMA. 2018. Mar 15 [cited 2020 fev 01]. Available from: http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/comunicacao/publicacoes/publicacoes-diversas/guia_de_orientacao_manejo_especies_exoticas_invasoras_ucs_2018.pdf.

INSTITUTO HÓRUS DE DESENVOLVIMENTO E CONSERVAÇÃO AMBIENTAL - I3N BRASIL. Base de dados nacional de espécies exóticas invasoras. Florianópolis – SC. 2019. Fev 10 [cited 2020 fev 01]. Available from: http://i3n.institutohorus.org.br/www.

INTERNATIONAL UNION FOR CONSERVATION OF NATURE – IUCN. IUCN guidelines for the prevention of biodiversity loss caused by alien invasive species. Auckland, New Zealand: IUCN, Species Survival Commission, Invasive Species Specialist Group. 2000.

KOLLER, G. L. & ALEXANDER, J. H. The Raisin tree – it’s use, hardiness and size. Arnoldia. 1979; 39: 7-15.

LAZZARIN, L. C. et al. Invasão biológica por Hovenia dulcis thunb. em fragmentos florestais na região do Alto Uruguai, Brasil. Revista Árvore. 2015; 39(6): 1007-1017.

LEÃO, T.C.C. et al. Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste e Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental. Espécies exóticas invasoras no nordeste do Brasil: contextualização, manejo e políticas públicas. [Internet]. 2011. [cited 2020 fev 01]. Available from: <http://www.lerf.eco.br/img/publicacoes/2011_12%20Especies%20Exoticas%20Invasoras%20no%20Nordeste%20do%20Brasil.pdf>.

LIMA, R. E. M. et al. Native seed dispersers may promote the spread of the invasive Japanese raisin tree (Hovenia dulcis Thunb.) in seasonal deciduous forest in southern Brazil. Tropical Conservation Science. 2015; 8(3): 846-862.

LORENZI, H. et al. Árvores exóticas no Brasil: madeireiras, ornamentais e aromáticas. Nova Odessa, São Paulo: Instituto Plantarum de Estudos da Flora; 2003.

MALTA, J. A. et al. Fitogeografia e regeneração natural em florestas urbanas de São Cristóvão/SE-Brasil. Boletín del Instituto de Geografía. 2012; (77): 48-62.

MASON, T. J. & FRENCH, K. Impacts of a woody invader vary in different vegetation communities. Diversity and Distribuitions. 2008; 14: 829-838.

ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU. Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 2015. Mar 19 [cited 2020 fev 01]. Available from: < https://nacoesunidas.org/wp-content/uploads/2015/10/agenda2030-pt-br.pdf>.

PARANÁ. Portaria IAP n° 125, em 07 de agosto de 2009. Jun 19 [cited 2020 fev 01]. Available from: <http://www.iap.pr.gov.br/iap/arquivos/File/Legislacao_ambiental/Legislacao_estadual/PORTARIAS/PORTARIA_IAP_125_2009_ESPECIES_EXOTICAS.pdf>.

PARKER, I. M. et al. Impact: toward a framework for understanding the ecological effects of invaders. Biological Invasions. 1999; 1: 3-19.

PYSEK, P. et al. A global assessment of invasive plant impacts on resident species, communities and ecosystems: the interaction of impact measures, invading species’ traits and environment. Global Change Biology. 2012; 18: 1725–1737.

PYSEK, P. et al. Alien plants in checklists and floras: towards better communication between taxonomists and ecologists. Taxon. 2004; 53(1): 131-143.

RICHARDSON, D. M. et al. Naturalization and invasion of alien plants: concepts and definitions. Diversity and Distributions. 2000b; 6: 93-107.

RICHARDSON, D. M. et al. Plant invasions: the role of mutualisms. Biological Reviews. 2000a; 75(1): 65-93.

RICHARDSON, S. D. Forestry in communist China. Baltimore: J. Hopkins Press, 1966. 237p.

RIO GRANDE DO SUL. Portaria SEMA n° 79, em 31 de outubro de 2013. Diário Oficial do Rio Grande do Sul (Porto Alegre) p. 44, 2013.

RUSCHEL, A. D. et al. Evolução do uso e valorização das espécies madeiráveis da Floresta Estacional Decidual do Alto-Uruguai, SC. Ciência Florestal. 2003;13: 153-166.

SAMPAIO, A. B. & SCHMIDT, I. B. Espécies exóticas invasoras em unidades de conservação federais do Brasil. Biodiversidade Brasileira. 2013; (2): 32-49.

SANTA CATARINA. Fundação do Meio Ambiente – FATMA. Lista comentada de espécies exóticas invasoras no estado de Santa Catarina: espécies que ameaçam a diversidade biológica. Sílvia R. Ziller (consultora). Florianópolis: FATMA, 2016.

SANTA CATARINA. Resolução CONSEMA n. 08, de 14 de setembro de 2012. Reconhece a Lista Oficial de Espécies Exóticas Invasoras no Estado de Santa Catarina e dá outras providências. Diário Oficial do Estado de Santa Catarina, (Florianópolis) n. 19429, 2012. out. 02.

SELLE, G. L. Guias de densidade e índices de sítios para Hovenia dulcis Thunberg na região central do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. [thesis]. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 2009. 100 p.

SHINE, C. Ferramentas para desenvolver estruturas legais e institucionais para espécies exóticas invasoras. Global Invasive Species Programme, Nairobi. 2008. Mar 19 [cited 2020 fev 01]. Available from: < http://www.issg.org/pdf/publications/GISP/Guidelines_Toolkits_BestPractice/Shine_2008_PO.pdf>.

SINFLOR – SISTEMA DE GERENCIAMENTO DE DADOS DO IFFSC: Dados geográficos da espécie Hovenia dulcis. Inventário Florístico Florestal dos Remanescentes Florestais de Santa Catarina. 2020. Jan 10 [cited 2020 fev 01]. Available from: http://www.furb.br/sinflor/index.php?secao=136&sub=0&it=0&es=427&acao=detalhar.

SCHMIDT, A.D. et al. Biotic and abiotic changes in subtropical seasonal deciduous forest associated with invasion by Hovenia dulcis Thunb. (Rhamnaceae). Biological Invasions. 2019; 22: 293–306. Jan 13 [cited 2020 mar 01]. Available from: https://doi.org/10.1007/s10530-019-02089-4.

VALÉRY, L. et al. In search of a real definition of the biological invasion phenomenon itself. Biological Invasions. 2008; 10(8): 1345-1351.

VAN KLEUNEN, M. et al. Global exchange and accumulation of non-native plants. Nature. 2015; 525: 100-103.

VIBRANS, A. C. et al. Inventário Florístico Florestal de Santa Catarina - Diversidade e Conservação dos Remanescentes Florestais. vol 1. Blumenau: Edifurb, 344 p. 2012a.

ZENNI, R.D. & ZILLER, S.R. An overview of invasive plants in Brazil. Brazilian Journal of Botany. 2011; 34(3): 431-446.

ZILLER, S. R. & ZALBA, S. Propostas de ação para prevenção e controle de espécies exóticas invasoras. Natureza & Conservação. 2007; 5(2): 8-15.

ZILLER, S. R. Os processos de degradação ambiental originados por plantas exóticas invasoras. Ciência Hoje. 2011; 30(178): 77-79.

Published

2021-03-12 — Updated on 2021-12-23

Versions

How to Cite

Lima, C. L., Oliveira, F. H. de, Sothe, C., & Alves, F. E. (2021). Ocorrência da espécie arbórea exótica invasora Hovenia dulcis no estado de Santa Catarina. Ciência E Natura, 43, e63. https://doi.org/10.5902/2179460X42748 (Original work published March 12, 2021)

Issue

Section

Geo-Sciences