O testemunho em três vozes: testis, superstes e arbiter

Augusto Sarmento-Pantoja

Resumo


Na tradição dos estudos sobre testemunho encontramos duas formas bem delimitadas de narradores, caracterizadas a partir dos estudos de Émile Benveniste (1969), e amplamente utilizados pelas pesquisas sobre o autoritarismo e a Shoah, que veem, no Brasil, as contribuições de Márcio Seligmann-Silva (2008) na fixação dos conceitos de testemunho testis e testemunho superstes. Na esteira desses estudos, proponho uma nova categoria de testemunho o arbiter, que se configura na narração realizada por meio da recuperação do testemunho ouvido. Por muito tempo, esse tipo de testemunho fora desvalorizado, por não representar as formulações tradicionais do testemunho testis (terceiro), aquele que viu e testemunhou a cena dolorosa, ou do testemunho superstes (primeiro), aquele que viveu e testemunha sua própria experiência. Compreendemos que o testemunho arbiter (segundo), daquele que ouviu e arbitra o que e como narrar, deve ser validado como parte de uma tríade testemunhal, já que se encontra imiscuído às outras formas de testemunho, pois a identificamos em narradores testis e superstes, ao descrever experiências de outros a ele contada. Essa categoria de testemunho também se apresenta no que chamamos de narrativa de segunda geração, dos filhos de sobreviventes, que na maioria dos casos narram por meio da reconstrução testemunhal das experiências de outros, ou dos testemunhos de outros, inclusive em relação a sua própria experiência

Palavras-chave


Testemunho; Arbiter; Testis; Superstes

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