https://periodicos.ufsm.br/LA/issue/feed Literatura e Autoritarismo 2021-12-29T00:00:00-03:00 Rosani Ketzer Umbach rosani.umbach@ufsm.br Open Journal Systems <p style="text-align: justify;">A Revista <strong>Literatura e Autoritarismo (ISSN: 1679-849X)</strong> é um periódico semestral publicado desde 2003. Está vinculado às atividades do Grupo de Pesquisa CNPq Literatura e Autoritarismo e ao Programa de Pós-Graduação em Letras. Tem o objetivo de difundir o debate e a discussão de questões como violência, autoritarismo, violação de direitos humanos, exclusão e preconceito racial e sexual no âmbito da produção cultural, especialmente a literária, adotando uma perspectiva interdisciplinar com outras áreas do conhecimento que possibilitem o aprofundamento e a reflexão sobre essas temáticas. Para atender a esse propósito, publica, em português, espanhol, inglês, ou alemão, textos teóricos, artigos, ensaios, entrevistas e resenhas – sempre de material inédito e com autoria de pelo menos um pesquisador com titulação de doutor – em que tais assuntos apareçam em obras literárias e em outras produções culturais, tais como letras de músicas, filmes, fotografias, pinturas. Possui classificação B2 no Qualis/CAPES.</p> https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/67806 Do verso ao berro: vozes de resistências frente ao projeto “civilizatório brasileiro” nos campos da literatura e da música popular 2021-12-09T00:46:40-03:00 Filipe da Silva Moreira filipe.moreira@ifmg.edu.br Pedro Teixeira Castilho contatocastilho@gmail.com O presente artigo tem por objetivo analisar, na formação cultural brasileira, a linguagem de resistência em épocas distintas, a partir de uma perspectiva decolonial (FANON, 2020), considerando o projeto civilizatório de nação por que passou o Brasil do início do século XIX. Trata-se, assim, de perceber as vozes de resistências que soaram, no início da República, em defesa dos socialmente excluídos com Luiz Gama, na literatura, e com Alberto Nepomuceno, na formação da canção brasileira, e contemporaneamente as expressões literárias de Conceição Evaristo, por meio do conto “A gente combinamos de não morrer”, e o estilo musical do Rap no cenário sociocultural brasileiro. 2022-01-13T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Literatura e Autoritarismo https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/68099 Literatura marginal: a genealogia de uma escrita de resistência 2021-12-09T00:46:40-03:00 Luciana Coronel lu.paiva.coronel@gmail.com <p class="western" style="margin-bottom: 0cm;" align="JUSTIFY"><span style="color: #00000a;"><span style="text-decoration: none;"><sup><span style="font-family: Arial, sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="font-style: normal;"><span style="font-weight: normal;">O estudo propõe uma genealogia para o fenômeno da “literatura marginal”, que emerge no sistema literário brasileiro no início do século XXI a partir do agenciamento de Ferréz, ensejando embate fundamental na cena cultural contemporânea através da reivindicação de seus autores por reconhecimento como produtores de cultura. Tendo como o fundamento a concepção de Stuart Hall (2006), que vê no jogo das relações culturais “a luta de classes na cultura”, propõe-se uma linhagem composta por autores historicamente identificados com a margem representada em seus textos. Entende-se ser Euclides da Cunha o primeiro autor nacional a propor, um século antes, uma escrita que se fazia instrumento de denúncia da opressão dos segmentos marginalizados de então, os sertanejos. Lima Barreto, Plínio Marcos e João Antônio oferecem ao longo do século XX uma mudança radical de perspectiva nessa série literária, passando a enunciar a resistência a partir do próprio espaço em que habitavam</span></span></span></span></sup></span></span>.</p> 2022-01-13T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Literatura e Autoritarismo https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/67523 Literatura marginal como projeto de resistência: uma leitura a partir de três romances de Ferréz 2021-12-09T00:46:40-03:00 Ricardo José dos Santos Neto ricardojsn@gmail.com A partir do estabelecimento da literatura como campo do conhecimento, regras e valores instituídos por estudiosos passaram a indicar o que é ou não literatura. A literatura se tornou altamente seletiva e reacionária, pois se baseou no gosto de determinada classe social negando textos que não se enquadrassem em seus padrões. Passou a considerar textos e escritores fora de seu eixo como literatura marginal. Todavia, em contraposição a esse estigma negativo, nos últimos anos do século XX, surgiu uma nova modalidade literária que passa a se denominar literatura marginal em contraposição à acepção negativa empregada aos que foram classificados sob essa marca. Dentre os escritores dessa modalidade destaca-se Ferréz. Aqui será feita breve análise de seus três romances com a finalidade de demonstrar a força desse movimento, sua forma de resistência aos preceitos literários institucionalizados e seu caráter de denúncia à violência que estão submetidas comunidades periféricas e sujeitos marginalizados. 2022-01-13T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Literatura e Autoritarismo https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/68511 Rock e resistência na América Latina 2021-12-09T00:46:40-03:00 Gérson Werlang gerwer@rocketmail.com No contexto latino-americano das décadas de 1960 e 1970, o rock aparecia como um gênero malquisto pelo <em>establishment. </em>Convivendo com ditaduras militares que tolhiam praticamente qualquer forma de expressão que atingisse não apenas os aspectos políticos, mas também a moral “e os bons costumes”, o rock propõe uma resistência por vias múltiplas, tanto presente em seu conteúdo, como na sua forma, no seu conteúdo <em>outsider </em>e estranho, para usar o conceito de Zygmunt Bauman, incluindo aí o modo de vestir e a liberdade de experimentar. Este ensaio se propõe a analisar brevemente a resistência no rock latino-americano no contexto ditatorial na Argentina, no Brasil e no Chile. 2022-01-13T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Literatura e Autoritarismo https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/67553 Pilatos, de Carlos Heitor Cony: uma escrita de resistência 2021-12-09T00:46:40-03:00 Camila Marcelina Pasqual camilapasqual11@hotmail.com <p>Este artigo se propõe examinar estratégias de escrita de resistência, adotadas na ficção de Carlos Heitor Cony. Autor engajado na luta revolucionária, confrontou o regime civil-militar em suas crônicas e em alguns romances, com isso conquistou o seu espaço junto ao meio intelectual da época. Selecionei como objeto de estudo, o romance <em>Pilatos</em> publicado em 1974, por se tratar e uma narrativa de temática e de estilo de escrita beirando ao insólito, ao grotesco e ao escatológico. Cony, por meio desse exercício de escrita, critica o autoritarismo e a falta de liberdade de expressão do período mais agudo da ditadura militar brasileira: os chamados “Anos de Chumbo”. O autor transfere para o campo literário a noção de liberdade de expressão na voz narrativa do seu mutilado protagonista. O narrador é um indivíduo frustrado, solitário e melancólico, mas que está em busca de um forte anseio por liberdade. </p> 2022-01-13T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Literatura e Autoritarismo https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/67657 Memórias do exílio e o testemunho como resistência 2021-12-09T00:46:40-03:00 Danielle Fullan danifullan@gmail.com <p>O exílio foi utilizado pela ditadura civil-militar brasileira como um ato punitivo, mas, para muitas pessoas contrárias ao regime de opressão, ele também foi a única alternativa de fuga das ações repressivas. O objetivo deste artigo é observar os modos de produção e de representação da resistência presentes no livro <em>Memórias do Exílio, Brasil 1964 - 19??: De muitos caminhos</em> (1976). Para essa empreitada, nosso arcabouço teórico conta com as proposições de Pedro Fornaciari Grabois e Rodrigo de Castro Orellana a respeito do conceito de poder e resistência em Michel Foucault; Eurídice Figueiredo no que concerne a produção literária realizada durante a ditadura civil-militar brasileira. No que diz respeito à narrativa testemunhal e seu papel como política de resistência, utilizaremos os trabalhos de Márcio Seligmann-Silva e Beatriz Sarlo.</p> 2022-01-13T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Literatura e Autoritarismo https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/67797 Aporias da memória: estratégias de escrita resistente em três romances contemporâneos brasileiros 2021-12-09T00:46:40-03:00 Dayane de Oliveira Gonçalves doliveirag@outlook.com <span>A partir da dupla possibilidade de constituição de narrativas de resistência, apresentada por Alfredo Bosi (1996), coloca-se em foco os romances <em>K. Relato de uma busca</em> (2011), de Bernardo Kucinski; <em>Não falei</em> (2014), de Beatriz Bracher; e <em>O corpo interminável</em> (2019), de Claudia Lage. Os três romances, ao abordarem a ditadura civil-militar brasileira, bem como suas consequências que ainda se fazem presentes, muito em razão de um processo de reconciliação extorquida, apresentam certamente uma temática de resistência. Pretende-se, no entanto, pensá-los também a partir da concepção de resistência como forma imanente à escrita. Para tanto, objetiva-se verificar as estratégias narrativas utilizadas, buscando conferir a hipótese de que a aporia da memória guarda em si a faísca da potência estética de cada romance, das saídas formais que cada um deles irá encontrar para lidar, então, com as (im)possibilidades da narração da memória.</span> 2022-01-13T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Literatura e Autoritarismo https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/67870 Próxima parada: Manguetown – fluxos de cultura na cidade e um novo olhar devolvido ao Brasil 2021-12-09T00:46:40-03:00 Felipe Roner Vilanova Novais feliperonervn@live.com Rômulo Monte Alto romulomontealto@gmail.com O presente artigo tem como objetivo trazer à tona reflexões sobre a cena do Manguebeat, movimento que irrompe em Recife ao fim dos anos 1980. Nesse panorama, propõe-se uma relação entre a cidade e as produções culturais da banda Chico Science &amp; Nação Zumbi – especificamente nos álbuns <em>Da lama ao caos</em> (1994) e <em>Afrociberdelia</em> (1996) –, projetando um espaço simbólico entendido como Manguetown<em>.</em> Busca-se entender como as canções inscritas na cena repercutem uma outra imagem do Brasil ao Brasil e diversificam um eixo hegemônico de produção e circulação da cultura. Para isso, recuperam-se as contribuições de Lefevbre (2002), Anderson (2008) e Didi-Huberman (2015) para a construção de um aparelho teórico que permita a investigação desse cenário. Esse processo é acompanhado das considerações sobre as dinâmicas entre global e local – pensadas a partir das ideias de Huyssen (2002) na esteira dos Estudos Culturais – configuradas no espaço privilegiado de análise da cidade. 2021-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Literatura e Autoritarismo https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/68014 Literatura e resistência: a força da quebrada diante dos silenciamentos do campo literário 2021-12-09T00:46:40-03:00 Marina Du bois e Souza marina_bois@hotmail.com <p>A partir do levantamento realizado por Regina Dalcastagnè sobre o perfil do escritor brasileiro, pretende-se problematizar os silenciamentos e critérios de elegibilidade do campo literário, que culminam numa produção literária majoritariamente branca, heterossexual e masculina. Esta prevalência resulta numa adjetivação de literaturas que não se enquadram nesse padrão -literatura feminina, negra, indígena, LGBT, marginal e periférica-, na medida em que se pressupõe como universal a literatura canônica. Dialogando com as problematizações levantadas por Dalcastagnè, no segundo momento, o artigo trabalhará com os movimentos de resistência da literatura marginal, que abre vão a despeito do circuito de publicação das grandes editoras. Serão analisados brevemente dois saraus de importância emblemática nesse processo de descentralização, a Cooperifa em São Paulo e o Coletivoz em Belo Horizonte, que fazem circular a força da literatura marginal em suas escrevivências.</p><p> </p> 2022-01-13T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Literatura e Autoritarismo https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/67788 Revolta nas aldeias: o conto popular francês como forma de resistência 2021-12-09T00:46:40-03:00 Luiza Carvalho Santos Brandão luiza.bran@hotmail.com Constantino Luz de Medeiros constanteluz@gmail.com <p>O artigo analisa e discute o conto popular francês enquanto instrumento de representação literária e de conscientização crítica das camadas sociais populares. Enquanto forma literária cuja origem remete à tradição das formas breves, o conto francês é um objeto muito importante para pensarmos a cultura popular no início da modernidade na Europa. Tais narrativas evidenciam a consciência do povo do campo acerca da dura realidade que os cercava e forneciam estratégias resistir a ela. Em um período em que a fome e a doença assolavam o continente, as histórias que os camponeses contavam serviam não apenas de divertimento, mas levantavam questões latentes à vida nos feudos, as quais, no decorrer do tempo, auxiliariam a formar o espírito crítico dessas populações. Para os franceses, os contos informavam sobre o mundo e forneciam meios para enfrentá-lo. No presente artigo, objetiva-se realizar esta discussão a partir da teorização realizada por Darnton (2014) sobre as histórias que os camponeses contam, tendo em perspectiva o conceito de resistência inerente à narrativa apresentado por Bosi (1996) e a produção de Burke (2010) acerca da descoberta do povo e da cultura oral. Para tanto, serão analisados os contos O pequeno polegar (PERRAULT, 2010), Jean de l’ours (anônimo) e L’enfant perdu (DELAURE, 1956).</p> 2022-01-13T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Literatura e Autoritarismo https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/68840 Literatura, música e o testemunho de resistência 2021-12-09T00:46:40-03:00 Elcio Loureiro Cornelsen cornelsen@letras.ufmg.br João Luis Pereira Ourique jlourique@yahoo.com.br Rosani Ketzer Umbach rosani.umbach@ufsm.br <p>A relação entre resistência e estudos literários, por vezes, ainda é tratada de forma conflitiva. Um conflito que não se relaciona com a oposição de ideias ou mesmo como oportunidade para que sejam pensadas novas visões acerca da sociedade e do devir histórico, mas com uma noção que empobrece a potencialidade da crítica literária ao renegá-la ao campo dos aspectos formais quando desconsidera as questões temáticas que norteiam e embasam a criação artística. A Revista Literatura e Autoritarismo procura evidenciar a aproximação entre os aspectos éticos e estéticos, mediados pelo viés de um pensamento filosófico e científico capaz de interagir nesses campos que se complementam.</p> 2022-01-13T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2021 Literatura e Autoritarismo