Literatura e Autoritarismo
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<p style="text-align: justify;">A Revista <strong>Literatura e Autoritarismo </strong>é um periódico publicado desde 2003. Está vinculado às atividades do Grupo de Pesquisa CNPq Literatura e Autoritarismo e ao Programa de Pós-Graduação em Letras. Tem o objetivo de promover o debate e a discussão de questões como violência, autoritarismo, violação de direitos humanos, exclusão e preconceito racial e sexual no âmbito da produção cultural, especialmente a literária, adotando uma perspectiva interdisciplinar com outras áreas do conhecimento que possibilitem o aprofundamento e a reflexão sobre essas temáticas. Para atender a esse propósito, publica, em português, espanhol, inglês ou alemão, textos teóricos, artigos, ensaios, entrevistas e resenhas – sempre de material inédito e com autoria de pelo menos um pesquisador com titulação de doutor – em que tais assuntos apareçam em obras literárias e em outras produções culturais, tais como letras de músicas, filmes, fotografias, pinturas. Está registrado em vários indexadores internacionais como DOAJ, JCR, WOS, PKP, entre outros.</p> <p style="text-align: justify;"><strong>eISSN 1679-849X | Qualis/CAPES (2017-2020) = A4</strong></p>Universidade Federal de Santa Mariapt-BRLiteratura e Autoritarismo1679-849X<p>DECLARAÇÃO DE ORIGINALIDADE E EXCLUSIVIDADE E CESSÃO DE DIREITOS AUTORAIS</p><p>Declaro que o presente artigo é original e não foi submetido à publicação em qualquer outro periódico nacional ou internacional, quer seja em parte ou na íntegra. Declaro, ainda, que após publicado pela Literatura e Autoritarismo, ele jamais será submetido a outro periódico. Também tenho ciência que a submissão dos originais à Literatura e Autoritarismo implica transferência dos direitos autorais da publicação digital. A não observância desse compromisso submeterá o infrator a sanções e penas previstas na Lei de Proteção de Direitos Autorais (nº 9610, de 19/02/98).</p>O silêncio da neta do general: O trabalho de afastamento afetivo em Rio-Paris Rio, de Luciana Hidalgo
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<p class="western" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Neste ensaio, abordo o romance </span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><em>Rio-Paris-Rio</em></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"> a partir do tema da subjetividade da personagem principal em seu </span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">processo</span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"> de elaborar e reelaborar suas identificações e suas possibilidades de negociar com o passado e os vínculos familiares com figuras do regime militar. Esse trabalho da personagem faz coincidir, em minha leitura, o deslocamento espacial e temporal com o subjetivo, fazendo a questão do exílio aparecer de modo complexo. </span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">Estando a</span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"> enunciação de uma posição de resistência condicionada a </span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">um</span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"> contexto </span></span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">autoritário como o da</span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"> ditadura, argumento que o silêncio da personagem não significa a ausência de uma mensagem mas pode ser visto como uma mensagem sobre o limite daquilo que se pode dizer em dadas condições.</span></span></p>Jorge Scola
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2025-06-132025-06-1344e86652e8665210.5902/1679849X86652Notas sobre filosofia e estudos literários
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/88432
<p>A partir de reflexões que apontam para o modo como a filosofia põe a literatura a serviço de seus conceitos, este artigo pretende explorar uma questão que transpassa a relação entre ambas: trata-se do tratamento que as obras literárias recebem enquanto objeto dos estudos literários e, consequentemente, abordadas a partir de alguma Teoria. Trata-se, portanto, de um intrincado problema teórico-metodológico pertinente a intersecção entre a filosofia, a Teoria e os Estudos Literários, ao qual pretendemos lançar alguma luz a partir de uma perspectiva ensaística embasada sobre pensadores do gênero, tais como Georg Lukács, Paul Valéry e Teodor Adorno, afim de trazer nova perspectiva à relação entre os estudos literários e a filosofia.</p>Alexandre Mariotto Botton
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2025-06-132025-06-1344e88432e8843210.5902/1679849X88432Poesia como arma para sobreviver: ditadura, resistência e testemunho no “Poema-Prólogo”, de Pedro Tierra
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<p>O presente artigo tem como objetivo fundamental analisar a representação poética da ditadura, da resistência e do testemunho no poema “Poema-Prólogo”, da obra <em>Poemas do povo da noite</em> (1979), de Pedro Tierra. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, descritiva e analítica, propondo contribuir para o conhecimento social e acadêmico, sobretudo, na conjuntura recente do país, que evidenciou o crescimento de atos antidemocráticos. Para isso, utilizou-se os estudos dos teóricos que abordam a temática em questão: Fico, Arns e Wright, Bosi, Salgueiro e Silva. A partir da análise, verificou-se que o poeta usa da resistência para testemunhar a repressão no contexto da Ditadura Militar do Brasil (1964-1985), por meio dos versos escritos durante os anos em que esteve nos “porões” do Estado, de 1972 a 1977. O poema, pela afinidade entre a identidade do poeta e do eu lírico, fornece informações do passado que a história, sozinha, é incapaz de completar.</p>Bruno Marques DuarteFlávia Maria Gomes Alves
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2025-09-172025-09-1744e89103e8910310.5902/1679849X89103Milan Kundera e a Primavera de Praga
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/90151
<p>Neste ensaio serão discutidos alguns dos elementos políticos e sociais relacionados às reflexões expressas, em diferentes momentos, pelo escritor checo Milan Kundera. Para tanto, são analisados tanto textos literários como reflexões políticas realizadas pelo escritor nas décadas de 1960 e 1980. Com isso, é possível mostrar a influência da Primavera de Praga em sua obra literária e como o escritor se posicionou politicamente em diferentes momentos de sua carreira.</p>Michel Goulart da Silva
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2025-12-172025-12-1744e90151e9015110.5902/1679849X90151Devorando o Passado: a reimaginação do nazismo pela Graphic Novel Os Devoradores de Vidas de David Brin
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<p>O presente artigo busca discutir a reimaginação do nazismo através da graphic novel Os Devoradores de Vidas (2017 [2003]) de David Brin, que tem como um dos temas centrais da história a vitória dos nacionaissocialistas por meio do envolvimento dos deuses da mitologia nórdica. Para o desenvolvimento deste trabalho utilizamos do conceito de História Alternativa, um subgênero da Ficção Científica que nos auxilia a entender o papel da cultura pop na (re)constituição especulativa da memória social através da mudança do fluxo do tempo e seus acontecimentos, mexendo com a concepção usual de passado, presente e futuro. Através de uma trama que associa o nazismo ao ocultismo, a obra tensiona os limites entre realidade e ficção, sugerindo interpretações políticas e simbólicas para o significado do Holocausto, assim entendemos que a graphic à luz da História Alternativa, delimita noções ora problemáticas, ora críticas sobre o uso da memória histórica contemporânea.</p> <p> </p>Daniele Gallindo-GonçalvesPyetra de Lima Schmidt
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2025-09-082025-09-0844e90641e9064110.5902/1679849X90641As poéticas da transgressão e a sociologia do medo
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/91729
<p>O presente artigo busca refletir sobre a importância dessa emoção na representação neobarroca e neosurrealista da segunda metade do século XX. O medo da mentira e o medo da violência em suas diferentes formas correspondem à elaboração das poéticas que enfatizam as questões do simulacro, da moda e da fotografia. As obras de Severo Sarduy, de Natasha Trethewey, de Anne Sexton, de Herberto Helder e de Toni Morrison, dentre outros, empreendem a tarefa de uma inscrição contestadora nas estruturas sociais dominadas pelo medo. O imaginário material ctônico corresponde ao intuito de se representar o medo e também a resistência.</p>Olga Kempinska
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2025-12-052025-12-0544e91729e9172910.5902/1679849X91729Reflexões acerca da migração e da diáspora africana na biografia de Mahommah Gardo Baquaqua
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/85052
<p>Este trabalho propõe uma reflexão acerca das noções de migração, diásporas e fronteiras, com base em Friedman (2007), na biografia de Mahommah Gardo Baquaqua, bem como discute a importância da obra para a construção e ancoragem de uma memória coletiva acerca dos horrores vividos pelos escravizados, a partir das contribuições de Halbwachs (1990). Além disso, reflete-se, a partir de Woodward (2000), sobre a formação identitária desse sujeito em migração compulsória e, a partir de Vertovec (2004), acerca dos efeitos da colonização na vida e na visão de mundo do biografado. Em linhas gerais, o estudo evidencia que o testemunho de Mahommah permite repensar o passado histórico envolvendo a escravização e ressignificá-lo no presente, dada a raridade e importância de um relato que, apesar da intervenção de um mediador branco, oferece uma perspectiva interna dos acontecimentos envolvendo a escravização em solo brasileiro.</p>Vinicius MarangonAnselmo Peres Alós
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2025-03-272025-03-2744e85052e8505210.5902/1679849X85052Silenciamentos e ruídos da história latino-americana no conto Só vim telefonar, de Gabriel García Márquez
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/88408
<p>Neste estudo tem-se como objetivo realizar a interpretação do Conto<em> Só vim telefonar</em>, que compõe a obra <em>Doze contos peregrinos, </em>escrito por Gabriel García Márquez (1992). Por meio desta narrativa, a peregrinação da personagem María de la Luz Cervantes é analisada em sua representação quanto ao exílio, à história e à violência que contextualizavam os anos dos regimes ditatoriais na América Latina. Para efeitos metodológicos, este é um trabalho qualitativo, com características interpretativas. Com base na análise do conto e representação literária é possível afirmar que a violência da ditadura oprimiu a sociedade, silenciou, exilou, marcou e violentou latino-americanos e latino-americanas. Com efeito, García Márquez narra o sofrimento de sua personagem María e o faz de modo ficcional sem deixar de representar a aspereza e a estupidez que permeiam os exílios.</p>Robson Pereira da RosaAdriana Martins
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2025-06-132025-06-1344e88408e8840810.5902/1679849X88408Necrológio, de Victor Giudice: uma leitura de capa
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/88646
<p>Este ensaio se propõe a analisar a concepção de Victor Giudice como capista em sua obra de estreia: <em>Necrológio</em>. A imagem estabeleceu à publicação inúmeras questões disruptivas e inovadoras, que trabalham em intersecção sobretudo com o primeiro conto iniciado no terço final da capa, chamado <em>O arquivo</em>. O trabalho buscará realizar uma análise numa perspectiva um tanto quanto incomum e ligada, inclusive, a um processo e contrassenso literário, ao focalizar prioritariamente a capa do livro. Para isso, serão observadas as características da composição da imagem, do jogo de cores e das suas ligações com as primeiras frases do conto. O ensaio se baseará nos estudos realizados anteriormente sobre a obra de Giudice, sobretudo ao que concerne à capa da primeira edição de <em>Necrológio</em>, como Almeida (2018), Melo (2011), Coelho (2013), dentre outros pesquisadores.</p> <p> </p>Alexandre Leidens
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2025-06-132025-06-1344e88646e8864610.5902/1679849X88646Sobre o "desvio sexual" nos romances de Milan Kundera
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/89518
<p>Nos romances de Milan Kundera, o desvio sexual ocorre repetidamente. Tomando alguns dos romances representativos de Kundera como perspetiva de pesquisa, este artigo procura analisar as causas do desvio sexual para diferentes gêneros. Através da análise de textos, não é difícil descobrir que as principais razões para o desvio sexual dos homens são procurar estimulação sexual, provar a masculinidade ou compensar o arrependimento. Para as mulheres, o desvio sexual ocorre principalmente para se vingar de maridos irresponsáveis, para perseguir o feminismo ou para satisfazer necessidades fisiológicas básicas. O incesto e as festas nuas são duas formas extremas de desvio sexual nos romances de Kundera. Para Kundera, o incesto pode causar danos irreparáveis aos familiares. Portanto, pertence a uma espécie de problema ecológico espiritual social. A festa nua é um meio para Kundera expressar seus pensamentos éticos, que expressam o respeito e o reconhecimento do autor ao status social das mulheres. Posteriormente, o artigo enfoca o trauma trazido pelo comportamento desviante sexual aos familiares e as reações dessas vítimas. Através de uma análise aprofundada, o artigo pretende resumir a atitude de Kundera em relação ao desvio sexual. Diferente do conceito tradicional, a atitude de Kundera em relação ao terceiro no desvio sexual é bastante tolerante, o que reflete sua atitude crítica em relação à ética tradicional. Através da análise do desvio sexual nos romances de Kundera, este artigo pretende fornecer alguma iluminação para a resolução de problemas semelhantes relacionados com o desvio sexual na vida real.</p>Qian Zhao
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2025-09-172025-09-1744e89518e8951810.5902/1679849X89518“Homens cinzentos”: Lendo os contos de Tadeusz Borowski a partir de Primo Levi
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/90205
<p>O presente artigo promove uma apresentação dos contos do escritor polonês Tadeusz Borowski. Ele era parte da geração nascida nos anos 1920, conhecida como <em>Colombo</em>, formada num espírito humanista que emulava, esperançosamente, uma Polônia que tinha recém reconquistado sua independência. Esse idealismo se choca com a <em>Era dos Campos</em>. Borowski foi um sobrevivente de Auschwitz e seus contos estão inscritos nesse abismo. Neles, o escritor cria um <em>jogo de embaralhamento</em> que mistura suas experiências e as vozes em primeira pessoa dos narradores. Para lê-los, valemo-nos de Primo Levi, também um sobrevivente. Em <em>Os afogados e os sobreviventes</em>, o escritor vê três espécies de testemunhas do <em>Lager</em>: a testemunha “anômala” (os sobreviventes), as testemunhas integrais (da impossibilidade completa) e o historiador-testemunha (os prisioneiros políticos). Tadeusz é um representante dos últimos. Além disso, Levi propõe um lugar de indistinção e destruição do humano, a “zona cinzenta”, onde grassam os homens dos contos.</p>Ian Anderson Maximiano Costa
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2025-09-292025-09-2944e90205e9020510.5902/1679849X90205Os reflexos do patriarcado da sociedade espanhola em A Casa de Bernarda Alba
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/90899
<p>O presente trabalho tem como objetivo analisar a crítica do sistema patriarcal da sociedade espanhola na obra <em>La Casa de Bernarda Alba</em>, de Federico García Lorca. A fundamentação teórica tem como base os estudos feministas, por Sau (1993) e Hooks (2017), considerando os estudos do gênero, visto que o problema consistia em tratar de uma época em que os costumes patriarcais e os dogmas eclesiásticos eram predominantes nos povoados de Espanha. Em um primeiro momento pretendo apresentar o autor e discutir como descrever as mulheres e como essas personagens são predominantemente femininas apresentadas ao leitor. Por fim, foi discutido que García Lorca propôs uma crítica aos costumes e o grito de dar voz às mulheres das personagens Bernarda, que adotou uma postura autoritária e a vontade de mudanças de Adela foi importante para compensar as práticas dos discursos sexistas reproduzidos até o mesmo nos dias atuais na sociedade.</p>Yasmin Garcia MarquesLuciana Ferrari Montemezzo
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2025-12-162025-12-1644e90899e9089910.5902/1679849X90899A poética do autoritarismo no romance Nós de Zamiátin
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/87857
<p>O objetivo deste artigo é investigar as representações de uma sociedade distópica autoritária no romance <em>Nós </em>(1924) de Iêvgueni Zamiátin. Para esse objetivo iremos utilizar o conceito de poética do autoritarismo, cunhado a partir dos pressupostos das teorias distópicas de Fátima Vieira (2010) e das teses sobre a origem do totalitarismo de Hannah Arendt (2012). A hipótese é que as obras literárias que abordam direta ou indiretamente regimes totalitários possuem uma singularidade estética, que as distingue de outras obras com temáticas distintas. Outra abordagem que encontra consonância nos temas tratados e amplia o escopo da hipótese se encontra na analise dos eventos catastróficos pela obra de Oliveira (2008).</p>Eduardo dos Santos Carvalho LimaEliézer Cardoso de Oliveira
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2025-09-082025-09-0844e87857e8785710.5902/1679849X87857Socapas eróticas em Asfalto Selvagem, de Nelson Rodrigues
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/88554
<p>A investigação do jogo sedutor, muitas vezes soterrado em socapas de dissimulações, que nos envolvem em contextos familiares, religiosos, políticos dentre tantos outros e o eclodir de desejos e de fantasias reprimidas expostos por Nelson Rodrigues em Asfalto Selvagem: Engraçadinha, seus amores e seus pecados foram os nossos propósitos de averiguação acadêmica. Princípios teóricos relacionados à verossimilhança literária desenvolvidos por Terry Eagleton, assim como princípios psicanalíticos de Freud em relação ao feminino, ao bissexual e ao passivo foram cá nossa fundamentação teórica e nos forneceram argumentos para aprofundarmos as interpretações dos escritos rodrigueanos. Para tanto, nossos objetivos específicos foram: a) relacionar as investidas de Freud sobre o feminino, nas personagens Engraçadinha, Silene e Letícia e; b) analisar o movimento de bissexualidade na personagem Letícia. Nossa pesquisa foi bibliográfica, descritiva com abordagem qualitativa. Em meio às leituras e às investigações empreendidas, percebemos que o romance de Nelson Rodrigues apresenta não só padrões de comportamento que descrevem personagens fundamentadas à luz da psicanálise, mas o próprio autor, em diversos momentos, utiliza termos psicanalíticos para explicar o comportamento de algumas e revelar padrões de outras, o que comprova o olhar psicanalítico de Nelson Rodrigues.</p>Elizandra Nazario SilvaMaurício Eugênio MaliskaNazaré Nunes Barbosa Cesa
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2025-06-132025-06-1344e88554e8855410.5902/1679849X88554A poesia de resistência ao fascismo italiano: uma análise de Salvatore Quasimodo,
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/89211
<p>Visa-se neste estudo analisar algumas das obras poéticas produzidas por Salvatore Quasimodo, no período do Fascismo Italiano (1922-1943), em oposição ao regime autoritário da Itália e à II Guerra Mundial e através do texto literário, identificar a especificidade na produção de poesia de resistência. Para isso, analisaremos os poemas <em>Alle fronde dei salici</em> e <em>Milano, agosto 1943, </em>publicados no livro <em>Giorno dopo Giorno</em> (1947). Para sustentação teórica desta pesquisa tomamos como ponto de partida os conceitos de literatura de resistência desenvolvidos por Alfredo Bosi (2002) e Ítalo Calvino (2001). Retomando a ideia da literatura como instrumento artístico-político, as análises apontam para a utilização da poesia como meio de organização e denúncia social, sobretudo em um período de ditadura e guerra, sendo a escrita quasimodiana uma lírica de resistência.</p>Igor MarangonAdriana Lins Precioso Luana Grassi da Silva
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2025-09-172025-09-1744e89211e8921110.5902/1679849X89211Os corpos desovados da ditadura militar: testemunho e denúncia nas artes de Pedro Tierra e Artur Barrio
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/86471
<p align="justify"><span style="font-family: Arial, serif;"><span style="font-size: small;">Este artigo aprofunda a discussão sobre a resistência à ditadura militar brasileira (1964-1985) ao explorar os poemas "Poema-Prólogo" e "O sangue do rio" de Pedro Tierra, juntamente com a obra de técnica mista "SITUAÇÃO T/T, 1........................1970" de Artur Barrio. Além de servirem como testemunhos dessa época sombria da história brasileira, essas obras são analisadas como manifestações de resistência e enfrentamento ao regime autoritário. A análise vai além do contexto histórico-político, revelando elementos comuns entre as criações artísticas. Em particular, destaca-se a temática recorrente da provocação e memória relacionadas às desovas de corpos de desaparecidos em rios, que funcionam como poderosos símbolos desses tempos de repressão e violência. Essa abordagem aprofundada permite uma compreensão mais ampla e significativa das expressões artísticas como formas de protesto e preservação da memória coletiva diante de uma era sombria da história brasileira.</span></span></p>Daniel Rossmann Jacobsen
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2025-06-132025-06-1344e86471e8647110.5902/1679849X86471A simbologia da revolta em Germinal (1885) de Émile Zola
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/88422
<p>Este artigo analisa o romance <em>Germinal</em> (1885), de Émile Zola, a partir do conceito de revolta desenvolvido por Furio Jesi, dialogando também com o pensamento marxista e os princípios do naturalismo científico. A narrativa da greve dos mineiros de Montsou é interpretada como um processo que transita entre tentativa de revolução e ato de revolta, revelando a tensão entre planejamento coletivo e impulsos insurrecionais. Através da desumanização simbólica do inimigo, do apagamento das individualidades e da formação de um herói coletivo, o romance evidencia como a insurreição adquire uma dimensão simbólica e ideológica. Além disso, analisa-se o papel do determinismo social e hereditário na construção dos personagens, especialmente Étienne Lantier, que encarna as contradições entre liderança, transformação política e vaidade pessoal. Por fim, discute-se como o fracasso material da greve não apaga os efeitos simbólicos e sociais da revolta, apontando para uma consciência coletiva emergente.</p>Kassandra Naely Rodrigues dos SantosMilena Hoffmann Kunrath
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2025-09-172025-09-1744e88422e8842210.5902/1679849X88422Quando a ficção se põe a serviço do inesquecível: Uma leitura do conto Troca de Olhares, de Christa Wolf
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/89092
<p>Christa Wolf relata, de forma ficcional, os acontecimentos históricos ocorridos no final da Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, momento esse que também faz parte de um dos períodos mais tenebrosos da história recente da humanidade. A escritora não só conta sua própria história, por um processo autorreflexivo, como explica que os acontecimentos, os fatos históricos, as personagens envolvidas, as falas, as cenas, o tempo e, até os próprios sentimentos, foram resgatados da memória de forma imperfeita, após decorridos 25 anos e que, exatamente nesse processo de recordar, de ressignificar, os fatos são colocados sob um outro ponto de vista, não mais na perspectiva de quando aconteceram. Ao construir essa narrativa, por meio do imaginário, da ficção, a escritora permite a nós leitores, entrever uma escrita responsável, nessa construção da memória do horrível.</p>Conceição de Maria Correa Feitosa
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2025-10-202025-10-2044e89092e8909210.5902/1679849X89092Amar Perdidamente: A Subversão do Desejo Feminino na Poesia de Florbela Espanca (1894-1930) e Judith Teixeira (1880-1959)
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/89710
<p>Florbela Espanca (1894-1930) e Judith Teixeira (1880-1959) foram poetas modernistas de Portugal. No entanto, a crítica as posicionou fora de seu tempo, associando suas obras a escolas anteriores, como o decadentismo e o simbolismo, e julgando o tratamento dado ao amor e ao desejo feminino, temas centrais de suas produções. Por essa razão, foram por muito tempo marginalizadas no cânone literário português e rechaçadas pelo caráter transgressor de suas temáticas. Hoje, Florbela alcançou reconhecimento como uma das grandes figuras da literatura portuguesa, enquanto Teixeira permanece na obscuridade, em parte devido a episódios de maior censura, como o caso de “Sodoma Divinizada” (1923). Portanto, este artigo objetiva analisar como a linguagem subversiva em suas poéticas contribuiu para sua exclusão, apresentando e analisando dois poemas: “Amar” (1931), de Florbela Espanca, e “Rosas Vermelhas” (1923), de Judith Teixeira, objetivando destacar suas semelhanças poéticas e as questões da exclusão da escrita feminina.</p>Larissa Bistafa Antunes de OliveiraCamila da Silva Alavarce
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2025-12-172025-12-1744e89710e8971010.5902/1679849X89710Quando a terra era redonda, de José J. Veiga: uma distopia intuitiva
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/90246
<p>O trabalho propõe a análise do conto “Quando a Terra era redonda”, de José J. Veiga, enquanto distopia. Nesta narrativa, escrita em forma de ensaio, o narrador/autor faz uma revisão bibliográfica sobre a tese de que a Terra seria redonda. A partir desse mote, vários trechos transparecem que, na realidade do texto, a crença de se viver em um planeta plano é uma estratégia de domínio orquestrada por um regime opressor, como ocorre em textos distópicos. Assim, percebemos a ocorrência da distopia no texto veiguiano, através do confronto de trechos narrativos com as considerações de estudiosos da temática, que pontuam seus traços característicos. A pesquisa é bibliográfica e exploratória, fundamentando-se em autores como Claeys (2017), Moylan (2016) e Sargent (2010). Os resultados demonstram que o conto é uma distopia, não de modo habitual, mas intuitivo, o que confirma as diversas possibilidades de hibridismo que podem operar nessa forma textual.</p>Wagner dos Santos RochaJosé Wanderson Lima Torres
Copyright (c) 2025 Wagner dos Santos Rocha, José Wanderson Lima Torres
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2025-10-142025-10-1444e90246e9024610.5902/1679849X90246“Ecos do Cárcere”, de José Emilson Ribeiro da Silva: poesia e testemunho
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/91619
<p>Este artigo apresenta <em>Ecos do Cárcere</em> de José Emilson Ribeiro da Silva. Trata-se de um livro cuja publicação permanece inédita – o original é mantido nos arquivos da Comissão Brasileira pela Anistia (CBA, Pasta 42). Objetiva-se refletir sobre determinados limites e possibilidades dos estudos de poesia, ainda lacunar no campo do testemunho (Salgueiro, 2016; 2017; Ginzburg, 2011; Seligman-Silva, 2003; Gagnebin, 2009). Para isso, apresenta-se algumas singularidades de composição do livro, que o destacam no <em>corpus</em> da área, a partir da análise de dois poemas: <em>Pedaços de minha vida (II)</em> e <em>Morte sob as águas</em>.</p>Rodrigo Cavelagna
Copyright (c) 2025 Rodrigo Cavelagna
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2025-12-172025-12-1744e91619e9161910.5902/1679849X91619O mito de Cam: usos racistas de uma narrativa bíblica
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/84490
<p>A partir de um estudo bibliográfico, o presente artigo tem como objetivo evidenciar alguns usos do mito bíblico de Cam, vinculado à escravidão, ao branqueamento e usos políticos atuais. Tais usos estão ligados a diferentes momentos históricos e sociais, que vão moldando a história brasileira e que refletem no nosso cenário atual. A partir dessas relações, vão-se construindo diferentes usos do Mito de Cam e argumentos que sustentam discursos presentes atualmente para validação do preconceito e do racismo religioso.</p>Andrei Gimenes HardtkeUruguay Cortazzo González
Copyright (c) 2025 Andrei Gimenes Hardtke, Uruguay Cortazzo González
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2025-03-272025-03-2744e84490e8449010.5902/1679849X84490André Jolles e a forma simples do colaboracionismo
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/88614
<p><span style="font-weight: 400;">Neste ensaio, a vida e a obra do teórico da literatura André Jolles (1874-1946) é tomada como mote para a discussão sobre a responsabilidade dos indivíduos nos processos históricos. A discussão sobre indivíduo e História é feita a partir de Jolles, Hannah Arendt, Hans Ulrich Gumbrecht, Paul Ricoeur, Regina Zilberman e Mary Del Priore. Ao final, a obra de Jolles é retomada para pensar, com Jean-Paul Sartre, a figura do colaboracionista, recorrente na Segunda Guerra e hoje.</span></p>Pedro Mandagará
Copyright (c) 2025 Pedro Mandagará
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2025-06-132025-06-1344e88614e8861410.5902/1679849X88614A obra O outono do patriarca (1975) de Gabriel García Márquez: aproximações com o Brasil contemporâneo
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/89245
<p>A literatura, assim como a história, possui vínculos com o poder. Ambas se dedicam a abordar os acontecimentos do passado, influenciando a interpretação do presente e a invenção do futuro. A partir dessa compreensão, o presente artigo propõe uma leitura do livro O outono do patriarca (1975), de Gabriel García Márquez, com o objetivo de articulá-lo com os acontecimentos do Brasil contemporâneo. Em especial, as aproximações entre o protagonista da obra e o mais recente ex-presidente do Estado brasileiro, Jair Bolsonaro. O referido livro consiste na principal fonte deste trabalho. Articulou-se, também, referências bibliográficas sobre o tema e conteúdo jornalístico acerca do ex-presidente, após sua derrota nas eleições de outubro de 2022. O presente texto encontra-se dividido em quatro seções principais: 1) reflete sobre a relação entre literatura, história e poder na América Latina, 2) é dedicada a García Márquez, 3) traz aspectos gerais da obra em questão e 4) discorre sobre a relação entre ambas as figuras políticas. Sobre resultados, o estudo buscou demonstrar o vínculo existente entre literatura, história e poder, na relação com a memória e o esquecimento.</p>Beatriz Leal
Copyright (c) 2025 Beatriz Leal
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2025-06-132025-06-1344e89245e8924510.5902/1679849X89245Amazônia entre narrativas: Autoritarismo, literatura e as contradições do projeto nacional na Era Vargas
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/90178
<p>O artigo investiga a atuação do Estado brasileiro na Amazônia entre 1930 e 1945, analisando os discursos de Getúlio Vargas em Belém (1933) e Manaus (1940) e estabelecendo conexões com a literatura produzida sobre a região. Destaca-se o conto Terra Imatura, de Alfredo Ladislau (1924), para ilustrar como o discurso varguista apropriou-se de textos literários para promover uma visão de Estado centralizadora, voltada para a ocupação territorial e o desenvolvimento econômico. O estudo demonstra que, a partir dos anos 1930, consolidou-se uma retórica que retrata a Amazônia como um "espaço vazio", ignorando suas complexidades socioambientais e culturais. Essa narrativa autoritária, desconectada das especificidades regionais, permanece influente até hoje, convidando à reflexão sobre o papel do Estado brasileiro diante da floresta e de seus povos, especialmente em um contexto em que a Amazônia atrai atenção global.</p> <p> </p>Thiago Broni de Mesquita
Copyright (c) 2025 Thiago Broni de Mesquita
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2025-09-172025-09-1744e90178e9017810.5902/1679849X90178O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório: Marcas da Violência e do Racismo Estrutural
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/90815
<p>Este trabalho tem por finalidade ampliar os conhecimentos sobre literatura e racismo estrutural a partir da leitura e análise de O Avesso da Pele, de Jeferson Tenório, obra que sofreu tentativas recentes de censura nos Estados do Paraná, de Goiás e do Mato Grosso do Sul. O racismo estrutural, ponto chave da obra literária, será analisado com base, sobretudo, nos estudos de Humberto Bersani, Dennis de Oliveira e Djamila Ribeiro, que trazem considerações importantes acerca da história colonial e escravocrata brasileira e de seus reflexos no presente. Ao final do trabalho, espera-se contribuir com uma reflexão necessária sobre o racismo estrutural na sociedade brasileira.</p>Alex Rezende HelenoKamilla Oliveira de Souza Alencar
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2025-12-172025-12-1744e90815e9081510.5902/1679849X90815A dramatização política da "obra aberta" em "A morte de Virgílio"
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/90172
<p><span style="font-weight: 400;">O ensaio explora </span><em><span style="font-weight: 400;">A morte de Virgílio</span></em><span style="font-weight: 400;"> de Hermann Broch como uma obra literária que dialoga com o conceito de "obra aberta", formulado por Umberto Eco. Analisamos a tensão central entre Virgílio e Augusto, representando o confronto entre as esferas política e poética, autoria e recepção, bem como o impacto histórico e filosófico dessa dinâmica. Ao abordar a "teoria da democracia" de Broch, destacamos a relação entre o ethos democrático e as implicações éticas da dignidade humana, fundamentada em vigilância contínua, conforme expresso na obra </span><em><span style="font-weight: 400;">Autopsicografia Psíquica</span></em><span style="font-weight: 400;">. A análise final conecta os debates de Broch às teorias estéticas contemporâneas, discutindo os riscos interpretativos e as possibilidades emancipadoras da recepção de obras abertas.</span></p>Wagner Schadek
Copyright (c) 2025 Wagner Schadek
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2025-12-012025-12-0144e90172e9017210.5902/1679849X90172Infâncias clandestinas: memórias de filhos e filhas da militância em um curta brasileiro
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/90652
<p>Neste breve ensaio, realizo uma análise fílmica do curta 15 filhos, dirigido por Marta Nehring e Maria Oliveira e lançado em 1996. Trabalho com a hipótese de que, ao revisar um passado recente, filhos e filhas de militantes que lutaram contra a ditadura brasileira fazem uma elaboração que expõe as tensões e os paradoxos de um trabalho de memória coletivo, politizando o mundo dos afetos enquanto expõe suas lembranças pessoais na cena política. A metodologia adotada priorizou o exame dos materiais visuais e sonoros do curta, aproximando as escolhas estéticas a questões éticas e políticas. Ao concluir, aponto que o documentário oferece caminhos para refletir tanto sobre os processos de construção subjetiva a partir do material artístico, como sobre as lutas e disputas atuais em torno do passado.</p>Danielle Tega
Copyright (c) 2025 Danielle Tega
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2025-12-172025-12-1744e90652e9065210.5902/1679849X90652Resistência feminina no conto “A Mãe de um Rio”, de Agustina Bessa-Luís: reflexões sobre memória, ancestralidade e mito
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/88026
<p>Este artigo analisa elementos ligados à memória, à ancestralidade e ao mito, presentes no conto A Mãe de Um Rio, enquanto mecanismos de resistências ante a hegemonia de uma ancestralidade mítica masculina, fundada e mantida a partir do monopólio e do controle da memória. À luz desse pressuposto, pensaremos esta categoria a partir do conceito de memória de enquadramento, postulado por Michael Pollak (1989) em seu artigo Memória, Esquecimento e Silêncio, a qual é organizada por dispositivos de controle, objetivando a produção e a manutenção de uma memória coletiva. Sob esse viés, nossa análise gira em torno das estratégias de resistências imanentes ao fazer artístico - problematizadas por Alfredo Bosi (1996), e subsidiadas teoricamente por Walter Benjamin (1987). No que tange ao caráter ético e ao ofício do(a) escritor(a), outra referência fundamental para nossa análise está na correlação entre os conceitos de resistência das existências e resistência como desvio, desenvolvidos, respectivamente, por Augusto Sarmento-Pantoja (2022) e Tânia Sarmento-Pantoja (2022). As análises apontam para a existência de um conjunto de estratégias de resistências no conto, as quais, a partir das ações das personagens, questionam os valores hegemônicos masculinos, destinados a subalternizar às existências femininas.</p>Jose Reinaldo Alves Barros FilhoAugusto Sarmento-Pantoja
Copyright (c) 2025 Jose Reinaldo Alves Barros Filho, Augusto Sarmento-Pantoja
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2025-03-272025-03-2744e88026e8802610.5902/1679849X88026Pensar com Krenak
https://periodicos.ufsm.br/LA/article/view/91925
<p>.</p>Anselmo Peres Alós
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2025-12-012025-12-0144e91925e9192510.5902/1679849X91925