Associação da espessura do quadríceps com a área de secção transversa do reto femoral, força muscular e velocidade da marcha de pacientes críticos

Maurício Tatsch Ximenes Carvalho, Tamires Daros dos Santos, Bárbara Lago Aragones, Everton Ludke, Aron Ferreira da Silveira, Isabella Martins de Albuquerque

Resumo


Objetivo: Verificar se há relação entre a espessura muscular do quadríceps femoral (EMQ) com a área de secção transversa (AST) do reto femoral, força muscular periférica e velocidade da marcha em pacientes críticos. Métodos: Estudo transversal realizado na unidade de terapia intensiva adulto de um hospital terciário na região Sul do Brasil. A EMQ e a AST do reto femoral foram mensuradas a partir de imagens ultrassonográficas do quadríceps femoral, cuja avaliação foi realizada nas primeiras 24 horas de ventilação mecânica. A força muscular periférica foi avaliada por meio da pontuação obtida na escala Medical Research Council no momento do despertar do paciente. A velocidade da marcha foi mensurada através do teste de velocidade de marcha de 6 metros na alta hospitalar. Resultados: A amostra foi composta por 28 pacientes (46±18 anos, 20 do sexo masculino). A EMQ apresentou correlação positiva e forte com a AST do reto femoral (r=0,708; p<0,0001) e correlação positiva e moderada com a velocidade da marcha (r=0,627; p=0,003). Na análise multivariada, evidenciou-se que a AST do reto femoral foi a variável preditora independente da EMQ (β=0,14; p=0,003). Conclusão: O estudo demonstrou que a EMQ apresentou associação com a AST do reto femoral e com a velocidade da marcha de pacientes críticos nos momentos avaliados. Além disso, a AST do reto femoral foi um preditor independente da EMQ. Tais resultados são clinicamente relevantes pelo fato de descreverem a aplicabilidade precoce de medidas ultrassonográficas quantitativas no cenário do paciente crítico, bem como a relação com desfechos funcionais.


Palavras-chave


Unidades de Terapia Intensiva; Ultrassonografia; Músculo quadríceps; Força muscular.

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