A arte, sua razão excludente e as políticas públicas

Giordanna Laura Da Silva Santos, Ludmila Brandão, Suzana Guimarães

Resumo


Objetivando estabelecer uma abordagem simétrica das produções visuais de Mato Grosso para constituição do acervo do site Visual Virtual MT, o projeto Artes visuais em Mato Grosso: acervo, difusão e crítica se viu perante alguns impasses colocados pela categoria “arte”.  Ao pretender des-hierarquizar o que o Ocidente, para preservar a categoria, denomina de “artesanato” (produção popular), “artefato” ou “adereço” (produções indígenas), compreendemos o funcionamento da arte como dispositivo de colonialidade que sustenta um valor máximo para a produção ocidental (centro-europeia e estadunidense) e subalterniza, em diferentes posições, a produção do resto-do-mundo. Essa hierarquia necessária à manutenção do sistema artístico, conforme o concebe o Ocidente, é garantida por uma “razão excludente”. Este texto aborda dois dos vários critérios que operam a exclusão no âmbito da categoria arte. Em seguida, ensaiamos uma crítica às políticas públicas no Brasil que acaba reproduzindo alguns dispositivos de colonialidade exatamente pelo não enfrentamento das categorias.


Palavras-chave


Arte; Colonialidade da arte; Estética; Aesthesis decolonial

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DOI: https://doi.org/10.5902/1983734836348

 
 
 
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