Gênero, relações étnico-raciais e acesso ao Ensino Superior: um estudo de caso interseccional em instituição estadual de Mato Grosso do Sul
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984644492016Palavras-chave:
Ações afirmativas, Mulheres, Negros, Pessoa com deficiênciaResumo
A instituição de Ensino Superior investigada foi criada há trinta anos para atender, inicialmente, as demandas de licenciaturas para os municípios do estado de Mato Grosso do Sul. Conjuntamente com essas ofertas, foi a primeira instituição de Ensino Superior (IES) a, já no ano de 2002, reservar dez por cento de suas vagas para vestibulandos/as indígenas, para ingresso em 2003, e a terceira IES a nível nacional a disponibilizar vinte por cento das vagas a negros nos cursos de graduação e, em 2022, instituiu cinco por cento das vagas para pessoas com deficiência e/ou transtornos globais do desenvolvimento. Essa pesquisa tem como objetivo analisar como a implantação das políticas afirmativas impactaram os espaços acadêmicos, no que tange às políticas de acesso e permanência das/os acadêmicas/os. Justifica-se como objeto de análise os aspectos supracitados por compreender que há uma intersecção sobre a forma como essas/es acadêmicas/os se colocam nesses espaços e como essas relações podem resultar em distinções sociais. Para os pressupostos teóricos, tomaremos a abordagem interseccional de Lugones (2020), Lélia Gonzales (2020), Akotirene (2019) e Sueli Carneiro (2003; 2011; 2019). Os estudos enfatizaram a necessidade de se refletir sobre inclusão nos espaços acadêmicos, com a revisão de currículos eurocêntricos e o combate a diversas formas de discriminação. Como resultado, reconhece-se que, mesmo já tendo alcançando números significativos no que se refere ao acesso ao Ensino Superior, a universidade ainda precisa superar preconceitos estruturais, reforçando a importância de um ambiente acadêmico que valorize e defenda a diversidade.
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