Calogênese e rizogênese em explantes de mogno (Swietenia macrophylla King) cultivados in vitro.

Silvana Cruz da Rocha, Marguerite Quoirin

Resumo


A exploração de árvores tropicais realizada de forma indiscriminada, buscando espécies de alto valor econômico, tem levado várias espécies, como o mogno (Swietenia macrophylla King), ao perigo de extinção. O desenvolvimento de uma metodologia de regeneração de gemas, direta ou indireta, poderia auxiliar na obtenção de um grande número de mudas e constituir uma perspectiva à propagação sexuada. Essa última é limitada pelo fato das sementes perderem rapidamente a capacidade germinativa. No presente trabalho, foram utilizados dois tipos de explantes: fragmentos foliares e de raízes de plantas cultivadas in vitro. Após desinfestação, os explantes foram colocados em meio de cultura de Murashige e Skoog (1962) contendo três quartos da concentração de sais, vitaminas do mesmo meio, 30g.L-1 de sacarose, auxina (ácido naftaleno-acético, ANA, 0,11 µM e 0,54 µM), citocinina (cinetina, CIN, 1,2 µM, 2,3 µM, 4,7 µM e 9,3 µM; 6-benziladenina, BA, 2,2 µM, 4,4 µM e 8,8 µM ou 2-isopenteniladenina, 2-iP, 2,5 µM) e 7g.L-1 de ágar. As variáveis testadas foram a concentração e o tipo de regulador de crescimento e a origem dos explantes. A cada 30 dias, os explantes foram avaliados pela contagem do número de explantes formando calos ou raízes e a consistência dos calos. Foram obtidos calos a com base nos dois tipos de explantes. Nos explantes foliares, 90% deles formaram calos em meios de cultura contendo BA 4,4 µM com ANA 0,54 µM e BA 8,9 µM com ANA 0,11 ou 0,54 µM. Nos explantes de raízes, a maior percentagem de explantes com calos foi de 55%, no meio de cultura com BA 2,2 µMe ANA 0,54 µM. Raízes adventícias foram obtidas partindo de calos e do limbo dos explantes foliares, em meios de cultura com CIN e ANA. Não foi observada a formação de gemas adventícias.


Palavras-chave


cultura <i>in vitro</i>; espécie tropical; Meliaceae; organogênese

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DOI: https://doi.org/10.5902/198050981785

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