A construção da geografia física no Brasil: um estudo quantitativo a partir de periódicos nacionais (1928-2006)
DOI:
https://doi.org/10.5902/2236499499459Palavras-chave:
Geografia Física, Epistemologia, BrasilResumo
A geografia física é um campo (cf. Bourdieu, 1992) temático que procura problematizar a natureza e sua relação com a sociedade pelo viés da Ciência Geográfica. O objetivo deste trabalho foi o de realizar um estudo sobre a produção da geografia física no Brasil a partir de artigos publicados em periódicos nacionais, correlacionando esta produção às transformações internas da ciência geográfica (Gregory, 1992). Foram realizados levantamentos em 22 periódicos nacionais, em um período temporal de 78 anos (1928-2006). Em termos absolutos foram produzidos 6.189 artigos, sendo que destes, 2.298 (37,1%) artigos tinham como temática a geografia física e 3.891(62,9%) abordavam a geografia humana. A média geral de artigos para o período foi de 221,0 artigos/ano, sendo que a média de artigos de geografia física foi de 82,1 artigos/ano, enquanto que 138,9 foi a média de produção de artigos que não tratavam de geografia física. Enquanto na década de 1920 os artigos de geografia física correspondiam à O,1% do total de artigos, nas décadas de 1940, 1950, 1960 e 1970; este percentual alcançou 19,1%, 19,8%, 20,6% e 15,7% respectivamente. Os seguintes periódicos: Boletim Geográfico (1943-1978), Revista Brasileira de Geografia (1939-2005), Boletim Paulista de Geografia (1945-2005) e Boletim de Geografia Teorética (1971-1995) concentraram o maior volume de artigos de geografia física. Quanto à produção de geografia humana, foram publicados 3180 artigos, que percentualmente representa 51,3% dos ai1igos produzidos no período de 1928 à 2006 e, em relação ao total de artigos de geografia humana, estes quatro periódicos concentraram 81,7% dos artigos. A análise dos dados demonstrou que o aumento na produção da geografia física está relacionado tanto a processos que envolvem a especialização de seus subcampos e a incorporação de novas tecnologias, que permitiram a institucionalização do saber geográfico a serviço do Estado planejador e interventor do período Keynesiano.
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