Desordem e regresso: a “nova” reforma do ensino médio e a deficiência cívica sem o saber pensar o espaço e sem o saber nele agir

José Erimar dos Santos

Resumo


O artigo apresenta um panorama geral acerca da “Nova” Reforma do Ensino Médio, abordando os aspectos estruturantes que qualificam tal mudança e que se refletem nas bases econômico-pedagógicas, didático-pedagógicas, psicopedagógicas e pedagógico-administrativas influenciadoras, estruturadoras e dinamizadoras do sistema educacional brasileiro, no atual período geográfico – o período técnico-científico-informacional. Envolve como base teórica contribuições do geógrafo Milton Santos, Yves Lacoste e do educador Dermeval Saviani, dentre outros, fornecendo o referencial teórico da leitura e compreensão do espaço geográfico e da atual natureza estruturante da política educacional brasileira, destacando os aspectos específicos que fundamentam essa reforma educacional. Dentre os resultados, procura despertar para uma visão radical, crítica e contextualizante acerca das mudanças educacionais em voga com essa reforma, que, revestida de terminologias inovadoras (Base Nacional Comum Curricular, Itinerários Formativos...), percebidas nos documentos oficiais e discursos ideológicos, na realidade são antigas pretensões marcadas por descentramento e desconstrução de ideias pedagógicas anteriores, decorrentes das atuais mudanças no mundo do trabalho, ameaçando o futuro da disciplina e ciência Geografia e, portanto a cidadania.


Palavras-chave


Ensino de Geografia; Novo Ensino Médio; Neoprodutivismo

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/2236499430993

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