Crescimento e sobrevivência de mudas de sabiá (Mimosa caesalpiniaefolia Benth.) inoculadas com micro-organismos simbiontes em condições de campo

Marília Malta Cavalcante Mendes, Lúcia de Fátima de Carvalho Chaves, Tarcísio Pio Pontes Neto, José Antônio Aleixo da Silva, Márcia do Vale Barreto Figueiredo

Resumo


http://dx.doi.org/10.5902/198050989277

A Sabiá (Mimosa caesalpiniaefolia Benth.) possui a característica ecológica de se associar simbioticamente a bactérias fixadoras de Nitrogênio e fungos micorrízicos arbusculares. Tais associações são utilizadas como ferramentas biológicas capazes de minimizar o uso de fertilizantes químicos e beneficiar o desenvolvimento da planta em ambientes com déficit nutricional. Este trabalho teve como objetivo avaliar o crescimento da Sabiá em resposta à inoculação com rizóbio e fungos micorrízicos arbusculares, estabelecer curvas de crescimento em altura e diâmetro do colo, determinar os conteúdos de N e P na parte aérea das plantas e avaliar a sobrevivência das plantas em campo. A estirpe de rizóbio utilizada foi a BR3405, os fungos micorrízicos arbusculares utilizados foram Glomus clarum e Gigaspora margarita. A inoculação conjunta de Glomus clarum + Gigaspora margarita + BR3405 e a inoculação com o isolado Gigaspora margarita promoveram os melhores valores para as variáveis estudadas (altura, diâmetro do colo, conteúdo de N e P), sendo este último o tratamento mais indicado para o cultivo da Sabiá nas condições em estudo. As plantas apresentaram 100 % de sobrevivência, independente do tratamento utilizado. Não foi constatada diferença estatística para os conteúdos de N e P na parte aérea da Sabiá, porém, foi observado maior crescimento das plantas com o uso dos simbiontes.


Palavras-chave


leguminosa; fertilidade; simbiose

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050989277

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