AVALIAÇÃO DA PRODUÇÃO DE BIOMASSA DO FUSTE DE UM CLONE HÍBRIDO DE EUCALIPTO SOB DIFERENTES ESPAÇAMENTOS

Maria Dolores dos Santos, Luiz Alberto Blanco Jorge, Martha Maria Mischan, André Luis dos Santos, Adriano Wagner Ballarin

Resumo


O uso de florestas de Eucalyptus tem se tornado cada vez mais expressivo no Brasil, sobretudo por conta da excelente produção em termos volumétricos por elas alcançadas e pelas boas características da madeira obtida. O presente trabalho teve como objetivo identificar os melhores espaçamentos de plantio para florestas clonais de um híbrido interespecífico de Eucalyptus grandis e Eucalyptus urophylla, de forma a maximizar a produção de biomassa do fuste por hectare buscando a área vital por árvore em um intervalo que favorecesse o crescimento em diâmetro e a formação de madeira de maior densidade básica. Os dados foram disponibilizados pela empresa Duratex Florestal e são provenientes de um teste clonal exploratório de 72 meses de idade. O delineamento estatístico utilizado foi o sistemático com fator quantitativo contínuo, com 16 tratamentos e 40 repetições, considerando que a variação entre os tratamentos foi o espaçamento entre as árvores e a entrelinha possuía um espaçamento constante de três metros. Com este arranjo, o experimento possuiu área vital por árvore variando de 1,50 m2 (6.667 árvores por hectare) até 15,75 m2 (635 árvores por hectare). A maior produção em volume e biomassa do fuste por hectare ocorreu nos tratamentos com espaçamento de plantio adensado – 3 x 0,50 m; nos espaçamentos amplos, a partir de 9,00 m² de área vital por planta, maior foi a produção de volume e biomassa do fuste por árvore. Foi observado um aumento na densidade básica ponderada da madeira até a área vital de 4,95 m² por árvore, a partir desta área vital, a densidade básica se manteve praticamente inalterada.


Palavras-chave


espaçamento de plantio; clone de Eucalyptus; biomassa do fuste; delineamento sistemático.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509826445

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