Animalidade e apostasia da vontade: Nietzsche vê Schopenhauer

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/2179378640128

Palavras-chave:

Metafísica, Inconsciente, Vivência, Trágico

Resumo

O objetivo deste artigo é fazer ver de que modo o caráter de Janus – do mito de Janus – da filosofia de Schopenhauer pautou a relação que com ela entabulou a filosofia de Nietzsche –, aspecto este um tanto relegado pela pesquisa Nietzsche, talvez justamente por se tomar a relação entre ambos como exaurida em binômios do tipo “adesão e ruptura”, “encantamento e distanciamento crítico", “pessimismo e afirmação da vida”. Assim sendo, num primeiro momento preliminar procederemos a analisar a face dual da filosofia de Schopenhauer, cujo olhar se volta simultaneamente ao passado e ao futuro. Num segundo momento preliminar visitaremos a ousadia de Schopenhauer ao converter as ambições malogradas da filosofia (na figura da “coisa em si”) no princípio inconsciente da vontade. A partir daí passaremos à compreensão de Schopenhauer por Nietzsche ao modo de um filósofo que, vitimado por sua segunda natureza, alemã, esquiva-se de protagonizar a filosofia trágica, que chegou a tangenciar, em função do esquadrinhamento metafísico de sua arrojada descoberta – o inconsciente na espécie humana.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Saulo Krieger, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, SP

Doutorado em Filosofia pela Universidade Federal de São Paulo (com doutorado-sanduíche na Université de Reims, Champagne-Ardennes)

Referências

ASSOUN, P.-L. Freud et Nietzsche. Paris: Presses Universitaires de France, 1998.

ASSOUN, P.-L. Freud - La philosophie et les philosophes. Paris: Presses Universitaires de France, 1976.

BOZICKOVIC, V. Schopenhauer on Scientific Knowledge. In: VANDENABEELE, B. A Companion to Schopenhauer. Malden, MA: Wiley-Blackwell, 2012, p. 11-24.

GARDNER, S. Schopenhauer Will and the Unconscious. In: JANAWAY, C. The Cambridge Companion do Schopenhauer. Cambridge: Cambridge, University Press, 1999, p. 375-421.

GÖDDE, G. Traditionslinien des “Unbewußten”. Schopenhauer – Nietzsche – Freud. Gießen: Psychosocial-Verlag, 2009.

KRIEGER, S. O cerne oculto do projeto nietzschiano: logos versus pathos no ato de filosofar. Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Escola de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em abril de 2019.

JACQUETTE, D. Schopenhauer’s Proof that Thing-in-Self is Will. Kantian Review, 12, 2006, p. 65-108.

JANAWAY, C. Introduction. In: JANAWAY, C. The Cambridge Companion to Schopenhauer. Cambridge: Cambridge University Press, 1999, p. 1-17.

MARQUES, U. R. A. (org.) Kant e a biologia. São Paulo: Barcarolla, 2012.

NIETZSCHE. F. Werke. Kritische Gesamtausgabe (KGW). Berlin/New York: Walter de Gruyter, 1967-1978.

NIETZSCHE. F. Werke. Kritische Studienausgabe (KSA). Berlin/New York: Walter de Gruyter, 1999.

NIETZSCHE. F. A gaia ciência. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

NIETZSCHE. F. Além do bem e do mal. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

NIETZSCHE. F. Além do bem e do mal. Trad. Saulo Kriger. São Paulo: Edipro, 2019

NIETZSCHE. F. Aurora. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

NIETZSCHE. F. Ecce homo. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

NIETZSCHE. F. Humano, demasiado humano I. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

NIETZSCHE. F. Humano, demasiado humano II. Trad. Paulo César de Souza. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

NIETZSCHE. F. O nascimento da tragédia. Trad. Jacob Guinsburg. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

SCHENZ, A. Erlebnis und Bildung. Die Bedeutung des Erlebens und des Erlebnisses in Unterrichts- und Erziehungsprozessen.

Karlsruhe: Universitätsverlag Karlsruhe, 2007.

SCHOPENHAUER, A. Die Welt als Wille und Vorstellung. Zweiter Band. München: Georg Müller, 1913 (W II).

SCHOPENHAUER, A. O mundo como vontade e como representação. Trad. Jair Barboza. São Paulo: Editora Unesp, 2005 (W I).

SEGALA, M. Philosophie de la Nature et science chez Schopenhauer. In: Schopenhauer – Nouvelles Lectures. Les Études

Philosophiques, 2012/3, no 102, p. 389-408.

SOLL, I. Schopenhauer as Nietzsche´s ‘Great Teacher’ and ‘Antipode’. In: GEMES K. & RICHARDSON, J. The Oxford Handbook of Nietzsche. Oxford: Oxford University Press, 2013.

SOMMER, A. U. O que Nietzsche leu e o que não leu. Trad. Saulo Krieger. Cadernos Nietzsche, São Paulo, v. 40 n. 1, janeiro/abril 2019, p. 9-43.

VIESENTEINER, J. L. O conceito de vivência (Erlebnis) em Nietzsche. Gênese, significado e recepção. Kriterion, Belo Horizonte, n. 127, junho 2013, p. 141-155.

ZAMBONINI, F. Schopenhauer e la scienza moderna: discorso per la solene inaugurazione dell’anno accademico della Reale Università di Sassari. Sassari: Tip. Dita G. Dess, 1911.

Downloads

Publicado

2019-12-18

Como Citar

Krieger, S. (2019). Animalidade e apostasia da vontade: Nietzsche vê Schopenhauer. Voluntas: Revista Internacional De Filosofia, 10(3), 230–253. https://doi.org/10.5902/2179378640128

Edição

Seção

Fluxo Contínuo: Estudos Schopenhauerianos