Seguindo a construção de fatos e mapeando redes: Urnas eletrônicas brasileiras são confiáveis?

Autores

  • Otávio Vinhas Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, Rio Grande do Sul
  • Camila Dellagnese Prates Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Palavras-chave:

Urna Eletrônica, Teoria Ator-Rede, Controvérsia, democracia técnica

Resumo

Este artigo descreve a controvérsia acerca da confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras, no contexto das eleições presidenciais de 2018, utilizando a lente teórica e metodológica da Teoria Ator-Rede (TAR) de Bruno Latour e colaboradores. A delimitação do campo empírico abrange o período compreendido entre o resultado final das eleições presidenciais de 2014 até o final pleito eleitoral de 2018. Acerca disso este trabalho tenciona a relação entre a participação democrática na escolha dos representantes do povo e o uso da urna eletrônica como uma mediadora da escolha pessoal e dos resultados das eleições. Metodologicamente utiliza-se a cartografia das controvérsias (Latour, 2016) para captar as movimentações do enunciado “urnas eletrônicas são confiáveis” em frente a um contexto de disputas acirradas que marcou o cenário eleitoral brasileiro. A rede expõe como opera a dinâmica de disputa entre grupos opostos e também como um enunciado é fortalecido e estabilizado em detrimento de outro. A rede permite problematizar que quando se questiona a funcionalidade da tecnociência é possível, por meio de um contexto de democratização técnica (Callon et al., 2014), expandir as fronteiras o debate entre técnicos e leigos para fortalecer o sistema de voto no Brasil.

Biografia do Autor

Otávio Vinhas, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pelotas (PPGS/UFPel). Possui graduação em Direito pela Universidade Católica de Pelotas (2014).

Camila Dellagnese Prates, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Pós-doutoranda e professora colaboradora no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pelotas. Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2016), mestre (2011) e graduada (2009) em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Maria. 

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Publicado

2021-12-20

Como Citar

Vinhas, O., & Prates, C. D. (2021). Seguindo a construção de fatos e mapeando redes: Urnas eletrônicas brasileiras são confiáveis?. Século XXI: Revista De Ciências Sociais, 10(2), 09–37. Recuperado de https://periodicos.ufsm.br/seculoxxi/article/view/35900

Edição

Seção

Artigos