Entre o cuidado e o currículo: o lugar da educação física na prevenção da autolesão na adolescência
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984644495767Palavras-chave:
Adolescentes, Automutilação, EscolaResumo
A autolesão não suicida constitui fenômeno multifatorial, atravessado por dimensões desenvolvimentais, emocionais e socioculturais, que desafia o contexto escolar e demanda estratégias preventivas fundamentadas em materiais orientadores. O presente estudo teve como objetivo identificar e analisar cartilhas brasileiras voltadas à prevenção e à abordagem da autolesão em crianças e adolescentes no contexto escolar, verificando a presença de recomendações relacionadas às práticas corporais, às aulas de Educação Física e ao esporte. Trata-se de uma revisão integrativa, com busca realizada no segundo semestre de 2024 em mecanismos de acesso aberto, resultando na identificação inicial de 28 cartilhas, das quais sete atenderam integralmente aos critérios de inclusão estabelecidos. Foram examinadas definições conceituais, distinções entre autolesão e comportamento suicida e orientações direcionadas ao público escolar. Os resultados indicam que todas as cartilhas mencionam a atividade física como estratégia associada à promoção do bem-estar e à prevenção de comportamentos autolesivos, destacando benefícios relacionados à socialização e à regulação emocional. Contudo, as recomendações apresentam caráter predominantemente genérico, com pouca articulação aos fundamentos pedagógicos e ao currículo da Educação Física. Conclui-se que, embora a atividade física seja reconhecida como elemento potencialmente protetivo, sua incorporação nos materiais analisados revela tendência à instrumentalização, evidenciando a necessidade de maior integração entre políticas de saúde mental, projeto pedagógico escolar e participação das famílias.
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