Narrativas juvenis na formação de professores de educação física: mediações e projetos de ser na escolha do curso superior
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984644495451Palavras-chave:
Narrativas juvenis, Formação de professores, Método progressivo-regressivo, Educação Física, Pesquisa (auto)biográficaResumo
Este artigo analisa memoriais (auto)biográficos de quatro estudantes jovens que ingressaram no curso de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas com 18 anos ou menos, utilizando o método progressivo-regressivo de Jean-Paul Sartre como referencial teórico-metodológico. A pesquisa narrativa, de natureza quali-quantitativa, investiga as mediações humanas e institucionais que constituíram as trajetórias formativas desses jovens e determinaram a escolha profissional pela Educação Física. A análise revela que a escolha profissional não é um ato isolado, mas uma totalização singular de múltiplas mediações (família, professores, técnicos, amigos) e espaços formativos (escola, clube, rua, praia). Os episódios marcantes identificados nas narrativas (entrada no esporte por recomendação médica, lesões, mudanças de cidade, pandemia) funcionaram como pontos de inflexão biográfica que reorientaram trajetórias. Três dos quatro estudantes mencionaram dúvidas sobre qual curso fazer, mas a identificação com o esporte e a relação afetiva com o saber corporal foram determinantes. A pesquisa demonstra a potencialidade heurística e política da pesquisa narrativa com jovens, evidenciando como as narrativas de vida permitem compreender os processos de subjetivação, a constituição de identidades e a elaboração de projetos de futuro. O método progressivo-regressivo possibilita uma análise dialética que articula singularidade e universalidade, práxis individual e história coletiva, contribuindo para a compreensão crítica da formação de professores de Educação Física.
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