Estudantes quilombolas na academia, transformando formação e pesquisa. Reflexões político-metodológicas
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984644490242Palavras-chave:
Quilombola, epistemologias decoloniais, conhecimento situado, pesquisa-ação, cartografia socialResumo
Escrito em estilo dialógico e narrativo por dois docentes, uma mestra e uma doutoranda quilombolas da Universidade Federal do Pará, o artigo é fruto do compromisso político-reflexivo com estudantes quilombolas na graduação e na pós-graduação. O ponto de partida é a convicção de que é necessário não somente garantir o acesso e a permanência dessas/es estudantes, mas também criar condições para que sua presença transforme as perspectivas epistemológicas e metodológicas, ainda influenciadas pelo clima científico da modernidade-colonialidade no qual surgiram. Nesse sentido, enfatizamos seu papel como agentes de transformação dos contextos formativos e dos percursos de pesquisa, com o intuito de potencializar sua incidência para promover mudanças decoloniais mais amplas no interior da academia. Em particular, o artigo é organizado em sete seções: depois da introdução, nos detemos no conhecimento situado, na escrevivência, na cartografia social, na pesquisa-ação, na dialogicidade e na perspectiva do entre-lugar que caracterizam as metodologias quilombolas de produção de conhecimento e também sua maneira de habitar a universidade; nas conclusões, retomamos sinteticamente os principais pontos da argumentação.
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