Oficina EtnoeducAtiva: uma proposta interdisciplinar de sensibilização socioambiental em área costeira

Fernanda Vera Cruz Silva-Meneses, Marcelo Cesar de Lima Peres, Patricia Carla Barbosa Pimentel, Eder Carvalho da Silva

Resumo


O termo Etno significa como grupos locais veem o mundo. O presente artigo tem por objetivo apresentar os resultados da proposição da oficina de educação ambiental intitulada EthoeducAtiva como estratégia de educação ambiental e reconhecimento da comunidade tradicional local. A etapa I do estudo e de caráter etnobiológico foi realizada em março a junho de 2017 com aplicação trinta e uma entrevistas semiestruturadas junto aos pescadores e marisqueiras de Arembepe. Para a análise dos dados utilizou-se a análise de conteúdo que permitiu a interpretação dos dados. Com o resultado parcial da pesquisa foi realizada a oficina experimental com estudantes do oitavo ano de uma escola de ensino fundamental II, inserida da área de estudo denominada EthoeducAtiva - etapa II. O desenvolvimento da oficina deu-se inicialmente através de uma proposta interdisciplinar entre as disciplinas de ciências naturais e língua portuguesa e foi elaborado um texto de cordel fruto da reflexão dos dados encontrados nas entrevistas. A oficina permitiu a associação do conhecimento tradicional com a formação educacional de estudantes em espaços formais de educação. Estratégias que oportunize a elaboração de cordéis ou qualquer outro produto devem ser estimuladas, sobretudo em países que possuem patrimônio natural e cultural tão diverso como o Brasil. Neste sentido, vislumbra-se o desenvolvimento do saber cuidar do meio ambiente e valorização de comunidades tradicionais seja no âmbito local, com reflexões e ações para questões socioambientais em perspectiva global.


Palavras-chave


Educação ambiental; Conhecimento tradicional; Natureza e Sociedade; Arembepe; Cordel.

Texto completo:

PDF HTML

Referências


ACIOLI A.S. Literatura popular como ferramenta para a educação ambiental. Revista brasileira de educação ambiental.2010:v.5:76-83.

ALBUQUERQUE U.P, ALVES G.C.A. O que é etnobiologia? In: ALBUQUERQUE, U.P. Introdução à Etnobiologia. Recife: NUPPEA;2014.17-22.

ANDREOLI V.M, ANACLETO A. Compartilhando saberes: os conhecimentos tradicionais e a educação ambiental. In: Encontro Paranaense de Educação Ambiental - EPEA, IX.2006:s.p.

BARDIN L. Análise de Conteúdo. Presses Universitaires de France:1977.

BEGOSSI A. Áreas, pontos de pesca, pesqueiros e territórios na pesca artesanal. In: BEGOSSI, A. (Org). Ecologia de pescadores da Mata Atlântica e da Amazônia. São Paulo: HUCITEC, NEPAM/UNICAMP/NUPAUB/USP – Fabesp ; 2004. p. 223-253.

BOFF L. Saber cuidar. 20.ed. Petrópolis: Vozes; 2014.

CLAUZET M, RAMIRES, M, BEGOSSI, A. Etnoictiologia dos pescadores artesanais da praia de Guaibim, Valença, BA, Brasil.- Neotropical Biology and Conservation.2007:136-154.

EVANGELISTA-BARRETO N.S. et al. Indicadores socioeconômicos e percepção ambiental de pescadores em São Francisco do Conde, Bahia. Bol. Inst. Pesca. 2014:459-470.

HANAZAKI N. Etnoecologia, etnobiologia e as interfaces entre o conhecimento científico e o conhecimento local. In: Anais da Reunião Anual da SBPC [Internet]; 2006 julho; Florianopolis, Brasil [cited 2019 fev 15]: < http://www.sbpcnet.org.br/livro/58ra/atividades/TEXTOS/texto_290.html. KOTTAK C.P. Assault on Paradise: Social Change in a Brazilian Village. USA. McGraw-Hill Companies, Inc. 1999.

MARCONDES M. E. R. Proposições metodológicas para o ensino de química: oficinas temáticas para a aprendizagem da ciência e o desenvolvimento da cidadania. EM EXTENSÃO.2008; V. 7:67-77.

MARTIN G. J. Etnobotany, a methods manual. Earthscan London; 2004.

MEDINA N.M. Educar – uma perspectiva humanística. Congresso Internacional de Educação do Colégio Coração de Jesus; 1998 Junho; Florianópolis;2000

MEIRELES M.P.A, MEIRELES, V.J.S, VIEIRA, L.S,. BARROS R.F.M. Características da pesca artesanal realizada na comunidade Passarinho/ Ilha das Canárias/MA. Gaia Scientia.2017;12-26.

MOURÃO J. S, MONTENEGRO, S. C. S. Pescadores e Peixes: o conhecimento local e o uso da taxonomia folk baseado no modelo berlineano. vol. 2, Recife: NUPPEA; 2010.

OLIVEIRA JUNIOR, S, SATO, M. Educação Ambiental e Etnoconhecimento: parceiras para a conservação da diversidade de aves pantaneiras. Ambiente e Educação.2006. V. 11: 125-137.

PEREIRA, B. E, DIEGUES, A. C. Conhecimento de populações tradicionais como possibilidade de conservação da natureza: uma reflexão sobre a perspectiva da etnoconservação. Desenvolvimento e Meio ambiente.2010: 37-50

.

PROJETO TAMAR [Internet]. Arembepe–Ba. Brasil.[cited 2019 feb 15] < http://www.tamar.org.br/centros_visitantes.php?cod=2>.

RIBEIRO A.S, ROSA R.R.G, BUSSOLETTI D.M, HAERTER L. A água como destino: na colônia de pescadores Z-3, territórios e territorialidades entre mar e terra. Revista memória em rede.2018;v.10:2177-4129.

TAMAIO I, LAYRARGUES P. P. Quando o parque (ainda) não é nosso: educação ambiental, pertencimento e participação social no Parque Sucupira, Planaltina (DF). Espaço & Geografia.2014:V.17: 145-182.

TOLEDO V. M, BARREREA-BASSOLS N. A etnoecologia: uma ciência pós-normal que estuda as sabedorias tradicionais. Desenvolvimento e Meio Ambiente.2009: 31-45.




DOI: http://dx.doi.org/10.5902/2236130836981

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.