Ética e neurodiversidade: problemas morais no contexto do autismo
DOI:
https://doi.org/10.5902/2448065794272Palabras clave:
Autismo, Neurodiversidade, Injustiça epistêmica, Injustiça afetiva, SolidãoResumen
O autismo é comumente definido como uma condição neurológica que pode gerar prejuízos na interação social, comunicação e em aspectos comportamentais do indivíduo autista. Com o advento de abordagens centradas na valorização da neurodiversidade humana, o autismo passou a ser reinterpretado como uma variação legítima das formas humanas de ser, sentir e se relacionar com o mundo. Neste artigo desenvolvemos um exame de questões éticas ligadas ao autismo a partir de dois eixos: (1) injustiça epistêmica: as formas de injustiça epistêmica vivenciadas por pessoas autistas, em especial quanto às questões de silenciamento e descredibilização da experiência autista; e (2) injustiça afetiva: análise de experiências de solidão no autismo como parte da cultura material de instituições. Argumenta-se que a experiência autista é, assim, marcada por dois tipos de injustiças (epistêmica e afetiva) que não decorrem exclusivamente de limitações inerentes, mas de práticas sociais, ambientais e normativas que recusam o reconhecimento e a reciprocidade às formas divergentes de funcionamento do ser humano. Conclui-se que uma ética do autismo exige a reconfiguração dessas estruturas para acomodar e valorizar a pluralidade das existências neurocognitivas.
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