Ética e neurodiversidade: problemas morais no contexto do autismo

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.5902/2448065794272

Palabras clave:

Autismo, Neurodiversidade, Injustiça epistêmica, Injustiça afetiva, Solidão

Resumen

O autismo é comumente definido como uma condição neurológica que pode gerar prejuízos na interação social, comunicação e em aspectos comportamentais do indivíduo autista. Com o advento de abordagens centradas na valorização da neurodiversidade humana, o autismo passou a ser reinterpretado como uma variação legítima das formas humanas de ser, sentir e se relacionar com o mundo. Neste artigo desenvolvemos um exame de questões éticas ligadas ao autismo a partir de dois eixos: (1) injustiça epistêmica: as formas de injustiça epistêmica vivenciadas por pessoas autistas, em especial quanto às questões de silenciamento e descredibilização da experiência autista; e (2) injustiça afetiva: análise de experiências de solidão no autismo como parte da cultura material de instituições.  Argumenta-se que a experiência autista é, assim, marcada por dois tipos de injustiças (epistêmica e afetiva) que não decorrem exclusivamente de limitações inerentes, mas de práticas sociais, ambientais e normativas que recusam o reconhecimento e a reciprocidade às formas divergentes de funcionamento do ser humano. Conclui-se que uma ética do autismo exige a reconfiguração dessas estruturas para acomodar e valorizar a pluralidade das existências neurocognitivas.

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Biografía del autor/a

Allana Rocaia Focking Froehlich, Universidade Federal de Santa Maria

Graduada em Filosofia Licenciatura Plena pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 2015. Graduada em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC), em 2022. Especialista em Ensino de Filosofia no Ensino Médio pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), em 2025.

Flavio Williges, Universidade Federal de Santa Maria

Licenciado em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria (1995), Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Santa Maria em convênio com a USP (1998), Doutor em Filosofia pela UFRGS (2009). Realizou Estágio Pós-Doutoral na University of California em Davis, USA com bolsa do Programa de Pós-Doutorado da Capes de julho de 2017 a julho de 2018. Atuou como Professor Visitante Sênior na University of York, Inglaterra (2023), pelo Programa Capes-Print de 1 de maio de 2024 a 30 de outubro de 2024. Atualmente é Professor Associado IV do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Maria, onde coordenou o Curso de Licenciatura em Filosofia. É membro permanente do PPG de Filosofia da UFSM e atuou Coordenador Substituto do Programa de 2018 a 2024. Organizou vários eventos acadêmicos. Foi coordenador e é membro do GT Ceticismo da Anpof, do GT Hume e participa das atividades do GT de Ética. É membro da Sociedade Brasileira de Filosofia Analítica e dos Grupos de Pesquisa em Ética Aplicada e Metaética e Epistemologia, Lógica e Cognição da UFSM. Desde 2010 tem concentrado sua pesquisa na intersecção entre ética normativa e psicologia moral, orientando trabalhos em ética das virtudes, ética do cuidado e filosofia das emoções. Sua principal área de investigação são as questões relacionadas ao self moral, o estudo do papel das emoções no juízo e raciocínio moral, na motivação ética, na percepção de saliências morais em contextos de decisão e na contribuição da expressão emocional para ações moralmente exemplares. 

Citas

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Publicado

2025-12-12

Cómo citar

Froehlich, A. R. F., & Williges, F. (2025). Ética e neurodiversidade: problemas morais no contexto do autismo. Revista Digital De Ensino De Filosofia - REFilo, 11(1), e20/01–17. https://doi.org/10.5902/2448065794272

Número

Sección

Dossiê – Ensino de filosofia no ensino médio: práticas, desafios e formação de professores