Metafísica da imagem: entre sombras e sinais no ensino de filosofia para surdos
DOI:
https://doi.org/10.5902/2448065795032Schlagworte:
Filosofia Visual, Educação de Surdos, Libras, Metafísica da Imagem, FenomenologiaAbstract
Este artigo apresenta um relato de experiência docente sobre o ensino de Filosofia para estudantes surdos da 1ª série do Ensino Médio Bilingue, realizado no Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES). O objetivo central é analisar como a abordagem da Alegoria da Caverna, de Platão, permite tensionar as fronteiras entre abstração e visualidade, propondo o conceito de uma metafísica da imagem. A metodologia, de natureza qualitativa e pautada na reflexão crítica sobre a prática, analisa uma sequência didática de oito encontros em que projeções de luz e sombra serviram como dispositivos para a criação de sinais-termo em Libras. A fundamentação teórica articula a fenomenologia de Merleau-Ponty, a ontologia visual de Gladis Perlin e as críticas ao logocentrismo de Carlos Skliar, incorporando a crítica sartreana à metafísica ingênua da imagem. Os resultados indicam que, para o sujeito surdo, a imagem não opera como um simulacro ilusório (eikasia), mas como um ato de consciência, uma extensão do corpo próprio e um suporte fundamental para a abstração. Conclui-se que o ensino de filosofia na educação de surdos exige uma tradução ontológica que valide a experiência visual como via soberana de acesso ao conhecimento e à soberania intelectual.
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