Para além do cânone: desobediência epistêmica e pluralização das racionalidades no ensino de Filosofia à luz da Lei 10.639/2003

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/2448065794870

Palavras-chave:

Ensino de Filosofia, Lei 10.639/2003, Racismo epistêmico, Descolonização/Decolonizaçao curricular, Desobediência epistêmica

Resumo

A Lei 10.639/2003 constitui um dos marcos mais significativos da história recente da educação brasileira ao tornar obrigatório o ensino de história e cultura africana e afro-brasileira em toda a Educação Básica. Seus efeitos, contudo, ultrapassam a dimensão legal e administrativa, alcançando os fundamentos epistemológicos, pedagógicos e políticos das disciplinas escolares, em especial da Filosofia. Este artigo, elaborado a partir dos resultados parciais de uma pesquisa de doutorado em andamento, tem como objetivo analisar de que modo a Lei 10.639/2003 tem reconfigurado o ensino de Filosofia no Brasil, especialmente no que se refere à revisão crítica do cânone eurocentrado, à descolonização e decolonização curricular e à incorporação de epistemologias africanas e afro-diaspóricas, no âmbito de uma educação antirracista. Metodologicamente, trata-se de um estudo de natureza teórico-conceitual, fundamentado no referencial decolonial, pós-colonial e afroperspectivista, mobilizando autores como Frantz Fanon, Achille Mbembe, Sueli Carneiro, Aníbal Quijano, Walter Mignolo e Ramón Grosfoguel. Os resultados indicam que a obrigatoriedade instituída pela Lei 10.639/2003 produz uma inflexão epistêmica no ensino de Filosofia, ao desestabilizar a pretensão de neutralidade e universalidade do cânone filosófico moderno e evidenciar o racismo epistêmico como elemento constitutivo da modernidade colonial. Conclui-se que os desafios impostos pela Lei 10.639/2003 exigem do campo o reconhecimento do racismo como problema filosófico, a assunção da descolonização e da decolonização curricular como tarefa pedagógica estrutural e a tomada da desobediência epistêmica como horizonte formativo para professores e estudantes de Filosofia, condição necessária para a construção de uma Filosofia escolar pluriversal, comprometida com a justiça cognitiva e com a democratização do conhecimento.

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Biografia do Autor

Marinês Barbosa de Oliveira, Universidade Federal do ABC

Docente do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG); Doutoranda em Filosofia pela Universidade Federal do ABC (UFABC); Mestre em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP); Bacharel em Direito pela Universidade Estácio de Sá (UNESA).; Licenciada em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Membra do GT Filosofar e Ensinar a Filosofar e da Corrdenadoria de Gênero, Raça, Ações Afirmativas e Identidades do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). Coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros do Centro Federal de Educação Tecnológica de MInas Gerais- Campus Curvelo (NEAB- CEFET-MG- Campus Curvelo).

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Publicado

2026-02-24

Como Citar

Barbosa de Oliveira, M. (2026). Para além do cânone: desobediência epistêmica e pluralização das racionalidades no ensino de Filosofia à luz da Lei 10.639/2003. Revista Digital De Ensino De Filosofia - REFilo, 12(1), e7/01–22. https://doi.org/10.5902/2448065794870

Edição

Seção

Dossiê – Pesquisa em cena, Ensino em questão VIII Encontro do GT Filosofar e Ensinar a Filosofar