Uma jornada pelo “nada”: a especulação como modo de conhecer
DOI:
https://doi.org/10.5902/2357797594147Palavras-chave:
Anacronismo, Fabulação, Memória, Montagem, Relações raciaisResumo
“Como escrever uma história sobre um encontro com o nada?” (Hartman, 2021) é a pergunta que inspira este artigo, no qual relato meus primeiros afetos para o estudo antropológico das memórias de famílias negras migrantes. Trata-se de uma jornada pela trajetória de minha própria família, especialmente no que diz respeito ao deslocamento forçado do campo para a cidade. Tomo como ponto de partida duas cenas: a primeira, quando, ao adentrar as memórias de família, tive que lidar com o bloqueio de uma tia para narrar experiências passadas; a segunda, quando, para pensar a migração, meu primeiro movimento foi, inevitavelmente, evocar a escravidão. Uma jornada pelo “nada” significa refletir, em diálogo com debates em antropologia, arte e pensamento negro radical, sobre a especulação como um modo de conhecer que opera por meio da fabulação, do anacronismo e da montagem.
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