https://periodicos.ufsm.br/interacao/issue/feedInterAção2026-02-23T20:34:57-03:00José Renato Ferraz da Silveirajose.silveira@ufsm.brOpen Journal Systems<p style="text-align: justify;">A InterAção é um periódico de comunicação acadêmico-científica de Relações Internacionais, do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP), veiculada em meio digital. A InterAção tem publicação contínua com quatro (4) números a cada ano (podendo ter números especiais), que tem por finalidade publicar entrevistas inéditas, artigos, ensaios e resenhas, originais nas temáticas compreendidas pela disciplina/campo das Relações Internacionais, e áreas afins como Ciência Política, História, Geografia, Filosofia, Comunicação Social, Tecnologia da Informação, Segurança Internacional, Estudos Estratégicos, Geopolítica, Economia Política Internacional e etc. </p> <p style="text-align: justify;"><strong>ISSN 2357-7975 | Qualis/CAPES (2021-2024) = A3</strong></p>https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93367Os efeitos do racismo e o “desresgate” de Sônia Maria: um estudo de caso2026-02-13T08:59:14-03:00Ana Tereza Ramos de Jesus Ferreiraanaramosferreira75@gmail.comNatália Queiroz de Oliveira Soutonathsouto@gmail.com<p>Muito embora a escravidão tenha sido formalmente abolida no Brasil em 1888, com a assinatura da Lei Áurea, o Ministério Público do Trabalho ainda realiza operações para libertar trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão, dos quais 84% são pessoas negras. Nesse contexto, este artigo propõe-se a analisar o impacto do “desresgate” de Sônia Maria de Jesus, mulher negra, de 52 anos, com deficiência auditiva e não alfabetizada, encontrada em situação de trabalho análogo à escravidão por cerca de 40 anos na residência do desembargador Jorge Luiz de Borba, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em Florianópolis, em junho de 2023. Após ser retirada do local, Sônia foi devolvida à convivência com a família do magistrado dois meses depois, fato que gerou ampla repercussão social e jurídica. O estudo busca compreender as implicações desse episódio para a luta contra o racismo e o trabalho análogo à escravidão no Brasil. O estudo tem delineamento qualitativo, com aplicação das técnicas de análise documental e revisão bibliográfica. Os resultados indicam que o racismo estrutural produz impactos profundos, como privação de liberdade, sofrimento psíquico, ansiedade e depressão, além de evidenciar que o Judiciário brasileiro, enquanto instituição social, pode reproduzir práticas de racismo institucional e corporativismo. Conclui-se que o país ainda enfrenta desafios significativos para superar as heranças do regime escravocrata e garantir efetiva proteção aos direitos da população negra.</p>2026-03-05T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93648A dança como corpo-testemunho da história negra em Dunham, Acogny e Silvestre2026-02-02T22:03:19-03:00Ana Beatriz Coutinho Rezendeanaimani@usp.br<p>Este artigo investiga as técnicas de dança de Katherine Dunham, Germaine Acogny e a Técnica Silvestre, propondo o conceito de ‘<em>corpo-testemunho</em>’ como chave analítica para compreender a dança como inscrição histórica da experiência negra. O objetivo é compreender como essas práticas funcionam como arquivo corporal, veículo de memória, instrumento de resistência cultural e política e ferramenta de afirmação identitária na diáspora africana. A metodologia combina análise comparativa das técnicas com abordagem teórico-analítica, articulando conceitos de Estudos Culturais, epistemologias negras e teoria pós-colonial de autores como Stuart Hall, Homi Bhabha e Frantz Fanon, além das contribuições de Leda Maria Martins e Luciane Ramos Silva sobre corporeidade, memória e fabulação. Os resultados indicam que as técnicas estudadas não apenas preservam e resignificam tradições culturais, mas também produzem novas formas de enunciação, circulação de saberes e fabulação de futuros afrodiaspóricos. Observa-se a centralidade do corpo como <em>locus</em> de agência, resistência e criação, evidenciando a potência de mulheres negras na construção de técnicas híbridas e transnacionais que afirmam pertencimento e memória. Conclui-se que a dança negra contemporânea é simultaneamente prática artística, arquivo vivo e testemunho histórico, articulando memória, corporeidade e criatividade como estratégias de sobrevivência cultural e recriação identitária, oferecendo uma perspectiva política, poética e afrodiaspórica sobre a experiência e a presença do corpo negro no espaço global da dança.</p>2026-03-05T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/92905A lógica da não-reparação colonial às ex-colônias africanas: racismo institucional na CIJ2025-12-16T18:41:34-03:00Gabrielli Mendonça Guimarãesgmendonca406@gmail.comLiz Esmeralda Gonçalvesliz.goncalves014@academico.ufgd.edu.brAlfa Oumar Dialloalfadiallo@ufgd.edu.br<p>O presente artigo investiga a presença do racismo institucional na Corte Internacional de Justiça (CIJ), com foco na ausência de reparações às ex-colônias africanas. Fundamentado na teoria decolonial e na noção de colonialidade do poder de Aníbal Quijano, argumenta-se que o direito internacional permanece estruturado em lógicas eurocêntricas que favorecem o Norte Global e invisibilizam demandas históricas oriundas do Sul. A pesquisa utiliza revisão bibliográfica, análise de casos emblemáticos e documentos oficiais da CIJ e outras entidades internacionais para demonstrar como epistemologias jurídicas africanas são marginalizadas. Embora a jurisprudência internacional reconheça o direito à reparação, como no caso Chorzów (1928), a Corte evita enfrentar violações históricas alegando tecnicalidades processuais. Ainda assim, iniciativas reparatórias bem-sucedidas fora do âmbito da CIJ – como nos casos do povo Mau Mau no Quênia e dos Herero e Nama na Namíbia – demonstram a viabilidade de um modelo de justiça reparadora. A análise crítica da composição da CIJ, marcada por formação acadêmica eurocentrada, reforça o argumento de que a diversidade geográfica não garante pluralidade epistemológica. O artigo conclui que a estrutura atual da justiça internacional perpetua hierarquias raciais e urge por uma reforma que assegure inclusão, representatividade e reconhecimento das demandas históricas das nações racializadas.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93608Vozes ancestrais e políticas de reparação: o legado do Museu Memorial Instituto Pretos Novos2026-02-23T20:34:57-03:00Maria Betânia Moreira Carvalho Silvamaria.betania@uftm.edu.brPedro Donizete Colombo Juniorpedro.colombo@uftm.edu.br<p>Esta pesquisa busca elucidar como o Museu Memorial Instituto Pretos Novos (IPN), localizado no Cais do Valongo, Rio de Janeiro-RJ, tem contribuído para a valorização da memória afro-brasileira e para a formulação de políticas de reparação. O espaço, que funcionou como Cemitério dos Pretos Novos entre 1774 e 1831, recebeu os corpos de africanos escravizados que faleciam ainda na travessia. Redescoberto em 2012, durante reformas no imóvel, tornou-se desde então um lugar de memória e resistência. A construção deste artigo se deu a partir de diálogos situados, realizados com um educador museal do IPN. Adotamos a escuta sensível e a circularidade da palavra como caminhos metodológicos, organizando a narrativa em excertos que deram origem a três eixos de reflexão, aqui denominados Fardos Tensionadores (FT). O FT1 compreende o IPN como território de insurgência frente ao negacionismo histórico. Em FT2 se evidencia os fardos coloniais e as vozes ancestrais que ecoam do espaço, tensionando as relações étnico-raciais e a formulação de políticas públicas. Já FT3 destaca o IPN como lugar de memória e chão de ancestralidade. O estudo permitiu compreender o IPN não apenas como local de exposição de vestígios arqueológicos, mas como espaço que potencializa a reflexão sobre a barbárie da escravidão e suas permanências na sociedade brasileira. Nesse sentido, o local se afirma como núcleo de enfrentamento às práticas negacionistas, espaço de reivindicação por políticas reparatórias e lugar de fortalecimento da identidade afro-brasileira, historicamente marginalizada e desvalorizada.</p>2026-03-05T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93707Autoetnografia de uma rede transnacional: impactos e sentidos da Pedagogia Feminista Negra2026-01-03T14:30:21-03:00Kenia Silvakeniadrica@hotmail.comCarolina Pinhocsbpinho@uefs.brFernanda de Araújo Oliveiraafernanda791@gmail.comGabriele da Silva Antunesgabi.antunes@uece.brManuela Arruda dos Santos Nunes da Silvamanuela.arruda@ifmt.edu.br<p>Este artigo analisa a Rede Internacional de Pedagogia Feminista Negra como manifestação concreta do feminismo negro em sua dimensão transnacional e pedagógica. Ancoradas no feminismo negro transnacional (solidariedade/amefricanidade) e na Pedagogia Feminista Negra (PFN), adotamos a autoetnografia crítica como metodologia, articulando experiência situada e análise teórico-conceitual. O <em>corpus</em> de análise é composto por documentos institucionais e experiências em diversos eventos. Os resultados evidenciam impactos educativos (formação crítica; sistematização de saberes insurgentes; tradução pública de conceitos como interseccionalidade), sociais (ampliação de redes, ênfase em acessibilidade e comunicação inclusiva; fortalecimento de pertença e autoidentificação) e políticos (institucionalização via estatuto e diretoria; disputa de narrativas contra o racismo, sexismo e eurocentrismo; popularização da ciência como prática anticolonial). É demonstrado como práticas já existentes, cursos, publicações, mesas e ações de comunicação, se consolidam em projeto político-pedagógico, produzindo legitimidade epistêmica para vozes negras e configurando a Rede como laboratório vivo de produção, circulação e validação de conhecimento. Concluímos que a Pedagogia Feminista Negra opera como gramática de ação que integra teoria e prática, corpo e território, passado e futuro, oferecendo referências curriculares e metodológicas para a transformação educacional em chave de emancipação coletiva.</p>2026-02-12T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91823Travessias transatlânticas: o continuum colonial das políticas migratórias dos EUA e a imigração africana (1989-2021)2026-02-02T20:32:24-03:00Lucas Amaral Batista Leiteleite.ri@gmail.comAna Carolina Lopes Pintocarollopes1504@gmail.com<p>Este artigo investiga os padrões de fluxos migratórios de cidadãos africanos para os Estados Unidos da América entre o fim da Guerra Fria e o primeiro mandato de Donald Trump (1989-2021), analisando as dinâmicas raciais e a evolução das políticas migratórias americanas. A pesquisa examina como o legado histórico do tráfico transatlântico de escravizados moldou as relações entre os dois continentes e continua a impactar as políticas migratórias e o tratamento dos imigrantes africanos nos EUA. Utilizando abordagens pós-coloniais e a Teoria Crítica da Raça, o trabalho busca compreender as transformações ideológicas e políticas desse período e as barreiras impostas a esses migrantes, oferecendo uma perspectiva crítica sobre políticas migratórias e questões raciais enfrentadas pelos imigrantes africanos nos Estados Unidos.</p>2026-03-05T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93500“Comer jabuticabas” de Muniz Sodré: rasurando a supremacia branca2025-11-30T10:13:36-03:00Alexandre de Oliveira Fernandesalexandre.pro@gmail.comGildeci de Oliveira Leitegildeci.leite@gmail.com<p>No artigo ora em tela – um exercício de crítica literária sobre “Comer jabuticabas”, conto de Muniz Sodré (1988) –, ancorado no Pensamento Negro Radical (MBEMBE, 2018; FANON, 2020; NOGUEIRA, 2021; WILDERSON III, 2021), defenderemos que o investimento na violência racista, cujo ápice é um forte tapa no rosto de um homem negro, remonta ao desejo branco de controle dos corpos negros e de seus pensamentos. Argumentaremos que o conto mimetiza o fardo colonial e a economia libidinal da supremacia branca, dando a ler fantasmas e perversidades da branquitude, os quais insistem em se fazer presentes ainda hoje. Em resumo, no prédio de luxo em que mora, João Jorge, um homem negro, lida com a estranheza e o incômodo de seus vizinhos. Certa feita, o administrador do imóvel, homem branco como o mármore das paredes, golpeia o rapaz com um forte tapa no rosto. Ao invés de se esquivar, oferece a outra face. Após o ocorrido, evitando se encontrar com João Jorge, o síndico esconde-se: mudou seus horários de entradas e saídas do prédio.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94094Peles que verdejam jardins: razão negra e modos de subjetivação de juventudes periféricas2025-12-19T19:08:13-03:00Levi de Freitas Costa Araújoleviprofpsi24@gmail.comAntonio Caio Renan Silva Penhacaiorenan.sp@gmail.comAna Thais de Albuquerque Norões Boutalaanaboutala@alu.ufc.brRaimundo Cirilo de Sousa Netoxrcirilox@gmail.comJoão Paulo Pereira Barrosjoaopaulobarros07@gmail.com<p>Este artigo deriva de uma pesquisa que visou problematizar os efeitos da razão negra nos processos de subjetivação de juventudes negras, indígenas e periféricas na cidade de Fortaleza (CE), analisando tanto os dispositivos de captura racial quanto as estratégias de re-existência engendradas por esses sujeitos. A pesquisa se inscreve como uma inter(in)venção de orientação cartográfica. A partir de oficinas artísticas e da participação em manifestações culturais e políticas no território do Grande Bom Jardim, foram analisadas cenas que evidenciam como a razão negra opera como dispositivo de subjetivação que institui sobrecodificações racializantes e coloniais. Contudo, o campo também indicou modos singulares de criação de si, nos quais juventudes periféricas produzem contra-narrativas e práticas de re-existência a partir de estéticas próprias, experiências de comunalização afroindígenas e dispositivos coletivos de resistência. Com destaque para estratégias e táticas de redistribuição da violência, da construção de territórios existenciais de aquilombamento e a reelaboração e reposicionamento narrativo com da arte. O estudo aponta para a potência criadora das juventudes periféricas na elaboração de outras políticas narrativas e existenciais, que desestabilizam a lógica colonial presente na razão negra e reivindicam mundos possíveis onde caibam suas formas singulares de expressão da negritude.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91644Esquinas, becos, encruzilhadas & barulho(s): aspectos interseccionais da produção epistêmica de MC’s sudestinas2026-01-31T17:47:46-03:00Steffane Santossteffanespereira@gmail.com<p>Este artigo propõe uma análise etnográfica dos ritmos eletrônicos periféricos como grime, drill e trap, compreendidos enquanto expressões do movimento hip-hop que atravessam o Atlântico e se enraízam no Brasil como manifestações políticas, epistêmicas e etnográficas. Enquadrados na perspectiva da Améfrica Ladina (Gonzalez, 1988:2018), esses ritmos atuam como linguagens do laço, absorvendo e ressignificando vivências de juventudes negres, latines e caribenhes no contexto brasileiro. No cerne dessas expressões estão corpos negros, femininos e dissidentes de gênero que, por meio das narrativas musicais, articulam experiências atravessadas por marcadores como raça, classe, gênero e sexualidade. Nesse sentido, os ritmos periféricos tornam-se espaços de produção epistêmica e agência (Ortner, 2007), onde MCs como Iza Sabino, Sodomita, Irmãs de Pau, Natalhão e Sé da Rua constroem saberes com seus corpos, trajetórias e vozes (Collins, 2019). O presente estudo se propõe a investigar três eixos principais: (1) a trajetória histórica e política dos gêneros eletrônicos periféricos no Brasil; (2) os aportes da epistemologia feminista negra de Patricia Hill Collins e da epistemologia transfeminista negra de Sil Nascimento; e (3) a ressonância dessas epistemologias nas produções artísticas das MCs citadas. Ao compreender o grime, o drill e o trap como campos de autodefinição e reinvenção subjetiva, o artigo aponta para a potência desses ritmos enquanto dispositivos de insurgência, onde o corpo-sujeito se constitui em resistência e produção de conhecimento.</p>2026-02-20T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/92643Inventando as mulheres negras no ciberespaço: entre os algoritmos e o contar de si2026-01-21T19:05:16-03:00Gerbson da Silva Limagerbson.slima@upe.brKalina Vanderlei Silvakalina.silva@upe.br<p>Este artigo propõe debater a complexa dinâmica da presença das mulheres negras no ciberespaço, analisando como as plataformas digitais e seus algoritmos influenciam suas representações e experiências. Embora as redes sociais ofereçam oportunidades valiosas para autoexpressão e ativismo, essas mulheres ainda enfrentam desafios significativos, como sub-representação, perpetuação de estereótipos racistas e sexistas e violência digital. Por meio de análise crítica de estudos de caso e exemplos contemporâneos, este trabalho demonstra que as estruturas algorítmicas das plataformas não apenas refletem, mas também amplificam as desigualdades sociais existentes. Contudo, o ciberativismo pode funcionar como poderosa ferramenta de resistência e ressignificação, permitindo a construção de narrativas autênticas e emancipatórias para as mulheres negras.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94063A construção do Baile Charme do Viaduto de Madureira como quilombo histórico e simbólico2026-01-03T14:12:09-03:00Ana Caroline Siqueira Bragaacarolinesbraga@gmail.comRenan Silva da Piedaderenan-br@hotmail.comAdriana Nogueira Accioly Nobregaadriananobrega@puc-rio.br<p>Neste artigo, ao caracterizarmos e nos opormos ao fardo colonial que insiste em inferiorizar a parcela afrodiaspórica da sociedade, temos como objetivo analisar a construção discursiva do Baile Charme do Viaduto de Madureira como um quilombo histórico e simbólico (Nascimento, 2018), a partir da narrativa de Michell, DJ residente e sócio-diretor do espaço, reportada em uma entrevista concedida a um podcast. Ademais, propomo-nos a analisar como a transmissão de conhecimento no movimento charme é construída nas memórias narradas por Michell, desde a sua juventude até tornar-se DJ residente do Baile Charme do Viaduto de Madureira (RJ). Nossos pressupostos teórico-práticos são articulados a partir dos conceitos antirracistas e libertários, a saber: de quilombo e corpo-documento (Nascimento, 2018; Nascimento; Gerber, 1989), ambientes de memória (Martins, 2003; 2021), e política de vida (Rufino; Simas, 2020; Rufino, 2021), situando-se em uma perspectiva metodológica qualitativo-interpretativista, de caráter interdisciplinar, subjetivo e situado (Denzin; Lincoln, 2006). A análise dos excertos da entrevista sugere que a trajetória de Michell é construída em constante referência aos saberes ancestrais do charme, acionados a partir de repertórios afetivos, familiares e comunitários. Por meio de práticas coletivas e performances corporais, o Baile Charme é construído como espaço de pertencimento, cuidado e resistência, no qual se compartilham e se (re)constroem saberes afrodiaspóricos. Diante das violências físicas e simbólicas e dos apagamentos promovidos por narrativas hegemônicas, compreendemos que o movimento charme atualiza práticas quilombolas nas experiências do/no Baile Charme do Viaduto de Madureira, funcionando como acervo vivo e coletivo de memórias e culturas negras.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/92853Teias de resistência: mulheres quilombolas no ensino superior2025-11-30T15:30:48-03:00Cynthia Cristina Nascimentocynthiases@hotmail.comMaria Aparecida Rezenderezemelo@gmail.comAna Cláudia Camposana-claudia.campos@edu.mt.gov.br<p>O artigo apresenta fatores interferentes na permanência universitária de mulheres negras quilombolas, considerando as interseccionalidades de raça, gênero e classe. Para isso, foram realizadas entrevistas com quatro estudantes que ingressaram na universidade através de processo seletivo específico para quilombolas, e as narrativas obtidas foram interpretadas à luz da fenomenologia Merleau-Pontyana. Os resultados revelam que essas mulheres enfrentam barreiras significativas na universidade, relacionadas tanto à sua identidade quilombola quanto à luta pelo acesso ao sistema educacional. As barreiras identificadas incluem preconceito racial, falta de apoio institucional e desafios socioeconômicos, que dificultam a permanência e diplomação dessas mulheres. Conclui-se que é fundamental reconhecer e abordar essas interseccionalidades para promover um ambiente universitário mais inclusivo e equitativo. Este estudo destaca a importância de políticas educacionais que considerem as especificidades das mulheres negras quilombolas, contribuindo para o avanço das discussões sobre equidade no acesso e permanência no ensino superior.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94100Maternagem africana nos dois lados do Atlântico: diálogos de cuidado e ancestralidade no Brasil e em Moçambique2026-02-11T10:32:40-03:00Monalisa Aparecida do Carmomonalisacarmo3@gmail.comEdilene de Cássia Jerônimoedilenejeronimo57@gmail.com<p>Este artigo parte do encontro entre duas pesquisas que dialogam em objetivos, caminhos e interesses, mas são atravessadas por vozes, vivências e margens distintas do Atlântico. A primeira foi realizada na diáspora brasileira, com o Quilombo Buieié, na Zona da Mata mineira; a segunda, no continente africano, com a comunidade de Chinonanquila, em Maputo, Moçambique. Ao considerar os processos de resistência dos povos africanos e afrodiaspóricos diante do projeto de apagamento de seus corpos e filosofias, buscamos apresentar as redes intergeracionais que sustentam maternagens africanas e afrodiaspóricas, comprometidas com saberes e práticas ancestrais e cotidianas que inventam modos de educar crianças negras. Essas práticas atuam como formas de resistência, preservação e ressignificação cultural, revelando continuidades entre África e diáspora na construção de memórias e epistemologias negras. Recorremos à cartografia e às escrevivências como tessituras metodológicas e, (des)orientadas pelos debates sobre maternidade que historicamente se afastam das matrizes africanas de cuidado e criação, trilhamos caminhos guiados pelos espaços de organização comunitária em torno das crianças negras. Isso nos direciona a referências que destacam a matrifocalidade, a maternagem comunitária e a ancestralidade como princípios estruturantes dos processos educativos e de cuidado, expressos em modos coletivos de educar e criar. Assim, identificamos abordagens comunitárias que fortalecem a resistência dos saberes e práticas tradicionais interessados no bem-estar das crianças, configurando modelos de cuidado que ultrapassam as fronteiras da maternidade ocidental e valorizam o apoio mútuo e a colaboração.</p>2026-02-20T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91783Olhos caldosos: uma análise pictórica das representações de pessoas negras no acervo do MABE (1930-1950)2026-01-03T14:25:03-03:00Thaissa Oliveirathaissaoliveira118@gmail.com<p>Este trabalho propõe uma análise pictórica das representações de pessoas negras nas obras dos pintores paraenses Antonieta Santos Feio (<em>Vendedora de Cheiro</em>, 1947, e <em>Mendiga</em>, 1951), Dahlia Déa (<em>Preto Velho</em>, 1936), Fernando Otero (<em>Baiana</em>, 1945) e José Girard (<em>Meditação</em>, 1933), pertencentes ao acervo exposto nas salas Waldemar da Costa e Armando Balloni do Museu de Arte de Belém (MABE). O recorte temporal (décadas de 1930 a 1950) permite investigar as transformações historiográficas e conjunturais da população negra no Pará pós-abolição, refletindo sobre como a arte participou da construção de imaginários sociais em um período marcado por políticas de identidade cultural hegemônicas. Metodologicamente, o estudo se ancora na História Social da Arte, dialogando com a Antropologia Visual e a História Cultural para explorar conceitos como identidade, racialização e poder simbólico. A hipótese central sustenta que essas obras expressam uma tipificação da figura negra, moldada por projetos estéticos e ideológicos que buscavam homogeneizar representações de sujeitos negros, alinhados a narrativas oficiais de nacionalidade. Além disso, o artigo discute as tensões entre tradição e modernidade no contexto belenense, onde a arte atuou tanto como instrumento de dominação – reforçando estereótipos – quanto de resistência, ao capturar nuances da agência negra. A análise revela ainda como esses retratos refletem contradições do período, como o apagamento de diversidades étnicas em prol de uma identidade unificada, mas também permitem recuperar traços de subjetividades marginalizadas. Por fim, o estudo ressalta a importância de revisitar tais obras para repensar críticas as narrativas artísticas consagradas e barulhos sociais que foram silenciados pela historiografia tradicional.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/92718Um mosaico historiográfico dos estudos sobre o livro didático de História e a História da África2025-10-27T10:33:47-03:00Nádia Narcisa de Brito Santosnadiabrito45@hotmail.comJosé Petrúcio de Farias Júniorpetruciojr@terra.com.br<p>Os estudos sobre o livro didático de História emergem como uma rica tapeçaria de investigações, revelando camadas de significados que ultrapassam a mera função pedagógica desse instrumento educacional. Nosso objetivo fora mapear e problematizar o escopo epistemológico que permeia a historiografia voltada para o livro didático de História, investigando as questões e as reflexões no que tange à temática da História da África nas pesquisas acadêmicas realizadas entre 2008 e 2021, disponíveis no repositório da Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (CAPES). O recorte temporal justifica-se por englobar os anos em que foram publicados os trabalhos acadêmicos que abordam o tema em estudo. A metodologia utilizada foi a análise documental, com foco nas teses e dissertações disponíveis no repositório da CAPES. A pesquisa fora orientada por uma perspectiva decolonial (Maldonado-Torres, 2018), (Quijano, 2000) e da afrocentricidade (Asante, 2009). Notamos que os trabalhos analisados convergem para a percepção de que a África e seu povo ainda são, em certa medida, representados de forma estereotipada, mesmo com tentativas esporádicas de colocá-los como protagonistas de sua própria história. No entanto, essas abordagens ainda se afastam do que Asante (2009) define como afrocentricidade, ou seja, a centralização dos africanos e africanas na narrativa histórica, em pé de igualdade com os demais povos do nosso sistema-mundo. Embora algumas mudanças tenham ocorrido com a implementação da Lei nº 11.645/2008, os autores são unânimes em afirmar que a prática pedagógica se configura como forma de resistência e transformação de tais narrativas.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94104Fardos coloniais e a dívida externa como ferramenta de dominação sobre países africanos2026-01-23T11:38:50-03:00Jéser Abílio de Souzajeser.abilio@hotmail.comDora Meireles Gesteira Nascimentodora.meireles1@gmail.comBruna de Oliveira Reisrbruna.o.reis@gmail.com<p>Este artigo tem como objetivo compreender a dinâmica da dívida externa em países africanos, levando em consideração as dimensões históricas da colonização e suas múltiplas consequências sociais, econômicas e ambientais para o atual desenvolvimento desses países. Argumenta-se, em primeiro lugar, a existência de uma hierarquia racializada institucionalizada na arquitetura financeira internacional a qual (re)produz desigualdades por meio de um conjunto de estruturas, mecanismos e políticas financeiras que atendem aos interesses dos países do Norte Global. Em segundo lugar, a dívida externa africana é tanto um fardo colonial quanto uma ferramenta de dominação, que impede os países africanos de alcançar autonomia econômica no mundo contemporâneo. Em nível metodológico, adotou-se uma abordagem interpretativa e transversal do elemento racial para investigar os impactos discriminatórios e diferenciados da dívida externa. A análise utilizou as ideias de legados coloniais e racialização como categorias analíticas, ligadas a uma fundamentação teórica crítica com dados empíricos recentes, expostos em uma série de relatórios oficiais de organizações intergovernamentais e de entidades não-governamentais especializadas. Concluiu-se que a racialização é um elemento fundamental nas relações de poder que estruturam e orientam a AFI. Ao mesmo tempo, a dívida externa funciona como um instrumento eficaz de controle sobre os países africanos, que transforma a vulnerabilidade em risco financeiro e o risco em lucro. Isso demonstra como um sistema global de dívida transforma o racismo histórico em uma estrutura econômica de exclusão contínua.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93557O Direito Internacional em disputa: por uma abordagem ladinoamefricana2026-01-23T11:38:56-03:00Karine de Souza Silvakarine.silva@ufsc.br<p>Este artigo propõe uma abordagem ladinoamefricana para o Direito Internacional, fundamentada nas contribuições político-jurídicas e epistêmicas de intelectuais negras brasileiras. A leitura ladinoamefricana do Direito é realizada por meio do diálogo entre o campo “Direito e Relações Raciais”, inaugurado pelas juristas Dora Bertúlio e Eunice Prudente, e a produção da filósofa Lélia Gonzalez, que formulou a categoria Améfrica Ladina. O estudo mobiliza epistemologias e metodologias críticas decoloniais, e o feminismo afro-latino-americano. A pesquisa tece um complexo analítico transdisciplinar, colocando leituras jurídicas em diálogo com as historiográficas, sociológicas e filosóficas. A primeira seção apresenta o processo de mecanização e desumanização das mulheres negras, mediado por normas e políticas internacionais, a serviço do capital. A segunda seção explora a fundação do campo insurgente “Direito e Relações Raciais”. A terceira destaca o potencial das contribuições de Lélia Gonzalez para a formulação de uma abordagem ladinoamefricana para o Direito Internacional. Por fim, são propostos os conceitos de justransnacionalismo negro e o de panamefricanismo como ferramentas para nomear as agências contra o racismo sistêmico e epistêmico global, e como chaves de disputa do Direito Internacional.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/92807Em busca da “nova Abolição”: a trajetória do Jornal Negro Alvorada (1945-1948)2026-01-23T11:39:00-03:00Radamés Vieira Nunesradamesnunes@ufcat.edu.brFelipe Alves de Oliveirafelipe.oliveira@ufcat.edu.br<p>O jornal <em>Alvorada</em> constitui uma página importante da História da imprensa negra e do movimento negro no Brasil. O presente artigo se dedica a refletir sobre sua trajetória e atuação como jornal negro da cidade de São Paulo na década de 1940, mais precisamente no contexto da queda do Estado Novo e ulterior processo de redemocratização. A proposta é demonstrar como o jornal <em>Alvorada</em>, através da intelectualidade negra, se inseriu nos debates sobre as questões raciais, participou das lutas negras e apresentou projetos para a nação conferindo centralidade para as populações negras. O periódico se tornou um lugar privilegiado para produção e disseminação de narrativas contra hegemônicas de intelectuais negros, através das suas folhas mulheres e homens negros resistiram e se organizaram politicamente. O estudo apresenta, numa perspectiva histórica, como o jornal apesar da sua efêmera duração contribuiu para desconstruir a farsa da democracia racial, denunciar o racismo e na luta do movimento negro para o reposicionamento do lugar do negro na história do Brasil. O jornal, ligado umbilicalmente a <em>Associação dos Negros Brasileiros</em>, defendeu o associativismo como principal estratégia para o alvorecer de uma “nova abolição” no país. O trabalho é um convite para refletir, explorar e compreender o relevante papel da imprensa negra nos debates sobre as questões raciais ao longo da história.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93184Consumo de jogos e Neoliberalismo Progressista: os múltiplos usos do passado nas representações de Cleópatra2026-01-23T11:38:58-03:00Paloma Maria Mendes da Cunhapaloma.maria24@gmail.com<p>O presente artigo, tem como objetivo analisar como as representações históricas de Cleópatra VII variam de acordo com o contexto cultural de produção, dando enfoque para as representações desenvolvidas em meio ao que chamamos de Neoliberalismo Progressista e a questão do consumo do passado. Como fontes principais, foram utilizados os filmes <em>Cleópatra </em>(1917), (1934) e (1963) e o jogo <em>Assassin’s Creed Origins</em> (2017), pois a diferença no contexto de produção das duas obras fornece uma margem temporal para analisarmos as semelhanças e diferenças entre as duas obras – principalmente no que se refere à representação de pessoas negras.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91393O acesso à diversidade étnico-racial por meio da política educacional e da Lei de Cotas: o que dizem as análises dos conteúdos das publicações no Brasil?2026-01-23T11:39:03-03:00Francijane Lima dos Santosfrancijane.lima@academico.ufpb.brLuci Maria da Silvalucimspedagogia@gmail.com<p>Este artigo procurou analisar os conteúdos de 162 livros que foram publicados no Brasil, os quais apresentam considerações sobre diversidade étnico-racial negra, política educacional e ação afirmativa na modalidade cotas raciais. O recorte temporal para fundamentação teórica foi de 2000 a 2023. Partindo dessa percepção, questiona-se: Como os livros publicados no Brasil apresentam o acesso da diversidade étnico-racial negra e a ação afirmativa? Para responder a essa pergunta, foram feitas leituras para refletir como as obras demarcam as movimentações e a legislações brasileiras que vieram antes da Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012), tendo em vista, que detalhes importantes sobressaem. A abordagem qualitativa faz parte da metodologia, pois, o intuito é tratar dos estudos já realizados pelas pesquisas de outros/as pesquisadores/as, os quais são interessantes e contam como o mapeamento do acesso a escolarização da diversidade étnico-racial negra que ocorreu no país. Portanto, partindo desses pressupostos, foi possível delinear a concepção retratada nos livros, que são os materiais utilizados para a realização da catalogação dos dados deste estudo.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94106Antônio Pitanga: resistência, ancestralidade e o contragolpe na capoeira da diáspora2026-01-23T11:38:49-03:00Adriano da Silva Denovacadrianodenovac@uneb.br<p>Este artigo analisa a trajetória de Antônio Pitanga, figura central do Cinema Novo e do audiovisual brasileiro, destacando sua relevância na luta antirracista e na construção de uma estética afro-moderno. Ao abordar sua inserção intelectual e artística desde os anos 1960, o texto evidencia o papel singular de Pitanga como um dos poucos negros a participar ativamente do movimento cinemanovista, denunciando o epistemicídio e a baixa representatividade negra nas produções da época. A discussão se estende à televisão, ressaltando o impacto da família Noronha em “A Próxima Vítima” (1995) e contrastando com a polêmica racista de “Pátria Minha” (1994), revelando as limitações da representação negra sem o enfrentamento estrutural do racismo. Fundamentado na perspectiva de descolonização do ser e no conceito de sentipensar, o artigo propõe uma crítica à imparcialidade eurocentrada e evidencia como Pitanga redefine o conceito de sucesso, transcendendo a meritocracia branca e atuando como espelho para a comunidade negra. A análise destaca a importância da experiência, corporeidade e ancestralidade africana na produção de uma estética decolonial, consolidando Pitanga como referência para o pensamento crítico e para a reinvenção das bases do cinema negro brasileiro, em diálogo com as correntes afrodiaspóricas e a busca por justiça, reparação e restituição.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/90954Cartas sobre o pesquisar-ebó: opacidade e práticas de cuidado na academia2026-01-23T11:39:06-03:00Úrsula Ingrid de Souza Fariafisioursula23@gmail.comLuciano Bedin da Costabedin.costa@gmail.com<p>Esse artigo, organizado a partir de cartas, procura apresentar o que chama de pesquisar-ebó, um modo de fazer pesquisa tramado a partir de saberes ancestrais e de autoras e autores negros. O termo ebó, de origem no idioma yorubá, significa oferenda, sacrifício e troca, sendo oferecidos em contextos de trocas com divindades ou entidades, tais como orixás, Exus e pombagiras, podendo ser realizados em diferentes segmentos dentro das tradições de matrizes africanas, tais como Umbanda, Candomblé e Batuque. A pesquisa-ebó se faz à sombra da ancestralidade e dos saberes do terreiro, a que, com Édouard Glissant, chamamos de opacidade. No contexto da pesquisa-ebó, a opacidade é sustentada como uma afirmação de relações (teóricas e existenciais) que não desejam se fazer à luz da transparência e de conceitos adjacentes como clareza, certeza e objetividade. O pesquisar-ebó, à contrapelo da ideia colonizada de metodologia, é um convive a experimentar caminhos outros, posicionando a pesquisa como uma possibilidade de produção de saberes não-hegemônicos, de combate ao epistemicídio e de, sobretudo, uma prática de cuidado.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91374Afrodiáspora digital: xenorracismo algorítmico na visibilidade de migrantes africanos(as)2026-01-23T11:39:05-03:00Brunno Ewertonbrunnoewerton1@gmail.comJúlia Lyrajuulialyra@gmail.comMohammed ElHajjimohahajji@gmail.comCatalina Revollo Pardocarevollo@gmail.com<p>O objetivo deste estudo é compreender as dinâmicas de xenorracismo nas plataformas digitais, com ênfase nas vivências e percepções de migrantes africanos(as) que atuam como criadores(as) de conteúdo, explorando a mediação algorítmica na visibilidade digital. A pesquisa, de abordagem qualitativa e exploratório-descritiva, utilizou a técnica de inserção de campo <em>snowball</em>, contando com seis migrantes de diferentes nacionalidades de países africanos e residentes no Brasil. A análise das entrevistas, fundamentada na Análise Crítica do Discurso, ilustrou três principais formas de mediação do xenorracismo algorítmico: silenciamento e marginalização digital, enviesamento na categorização da escrita e enviesamento estético. Os resultados apontam que conteúdos sobre racismo e identidade africana recebem menor engajamento, que termos como “racismo” e “xenofobia” são frequentemente classificados como discurso de ódio e que padrões eurocêntricos são reforçados por meio de filtros e mecanismos de recomendação. Nesse sentido, os algoritmos das plataformas digitais operam sob lógicas de um novo colonialismo digital, que não apenas enviesam, como também mediam diferentes categorias identitárias, impactando diretamente a experiência digital de migrantes negros(as). Assim, esta pesquisa visa contribuir, a partir do entendimento acerca das discriminações algorítmicas, para a discussão de propostas como novas regulações em termos de governança e direitos no campo digital, ressaltando a necessidade de maior transparência nos sistemas de recomendação e de iniciativas que promovam uma internet mais justa e equitativa.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94073Oportunidades e desafios para extensão universitária em Relações Internacionais com municípios 2025-12-05T09:58:13-03:00Silvana Schimanskisilvana.schimanski@ufpel.edu.brEsmeralda Canhada de Góz Fariaesmeraldacgoz@gmail.com<p>Este trabalho discute as oportunidades e desafios relacionados à extensão universitária nos cursos de Bacharelado em Relações Internacionais no contexto das ações internacionais municipais. A internacionalização dos entes como municípios e estados federados ampara-se no conceito de cooperação internacional descentralizada (CID), entendida como a colaboração entre instituições subnacionais de diferentes países para a solução de problemas e desafios comuns. O conceito de paradiplomacia também é utilizado quando tais ações são amparadas pelo estabelecimento de estruturas institucionais. A pergunta orientadora deste trabalho é: quais as oportunidades e desafios para a extensão universitária nos cursos de Relações Internacionais alinhadas à agenda municipal? Por meio da abordagem qualitativa, baseada em fontes primárias e secundárias, o caso do município de Pelotas-RS-Brasil, onde está estabelecido o curso de Relações Internacionais da UFPel, foi analisado no ano de 2023 pela matriz SWOT e TOWS para a identificação dos fatores internos (forças e fraquezas) e fatores externos (oportunidades e ameaças), a partir das percepções da Diretora de Relações Internacionais da Prefeitura Municipal de Pelotas e da Coordenadora do Curso de Bacharelado em Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A análise permite considerar que a extensão universitária nos cursos de Relações Internacionais é uma importante ferramenta para o apoio e continuidade da agenda internacional municipal. Contudo, é preciso haver compromisso institucional das pessoas e entes envolvidos e, preferencialmente, que os projetos e ações sejam formalizados por meio de Acordos de Cooperação ou Convênios. A parceria entre a UFPel e a Prefeitura Municipal de Pelotas revela elevado potencial estratégico para impulsionar a internacionalização, articulando desenvolvimento local, inovação institucional e formação qualificada em Relações Internacionais.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91924Mulheres atletas brasileiras: políticas e ações de inclusão2025-12-19T19:52:26-03:00Leilane Serratine Grubbalsgrubba@hotmail.com<p>O estudo tematiza a inclusão equitativa de mulheres atletas no esporte brasileiro, com objetivo de analisar, a partir da literatura científica nacional especializada, as políticas e práticas de inclusão existentes voltadas à participação profissional de atletas nas práticas esportivas e competições. O problema de pesquisa consiste em identificar quais são as políticas e práticas de inclusão para mulheres atletas no esporte profissional brasileiro. A expectativa é possibilitar a compreensão das políticas e práticas de inclusão de mulheres atletas no esporte profissional brasileiro frente a possíveis atos discriminatórios. Espera-se identificar dados que indiquem a eficácia das políticas e práticas de inclusão existentes ou indícios que possibilitem a estruturação de políticas e práticas de inclusão setoriais e multissetoriais. Trata-se de uma revisão narrativa de literatura. O estudo aponta a existência de discriminação à inclusão equitativa de mulheres nas carreiras esportivas, sobretudo no que se refere ao investimento financeiro e desigualdade salarial, à baixa representatividade de mulheres em cargos de gestão e treinamento, bem como à estereotipação e sexualização das atletas. Poucas políticas de inclusão existem no Brasil, concentrando-se na concessão de bolsas para atletas estudantes. São indicadas políticas futuras propostas pelo Comitê Olímpico Brasileiro, ainda em fase de implementação no país. O estudo contribui ao evidenciar os principais gargalos de desigualdade de gênero nas carreiras esportivas e ao sistematizar propostas de políticas para a inclusão equitativa de mulheres. Como limitação, destaca-se a ausência de dados relativos à raça/etnia, classe social e identidade de gênero, recomendando-se que pesquisas futuras incorporem esses recortes analíticos.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/95029Labubu como agente do soft power chinês2026-01-01T19:15:15-03:00André Vasques Vitalvasques_vital@tutanota.comStella Julia Cruzstellajuliacruz@gmail.com<p>O artigo analisa como o brinquedo Labubu pode ser considerado um agente de <em>soft power</em> chinês ao induzir novas perspectivas sobre a China contemporânea. A questão que permeia a análise é de que maneira as características estéticas associadas ao Labubu contribuem para modificar as percepções internacionais sobre a China e fortalecer sua influência cultural. A análise utiliza conceitos sob a rubrica do <em>Cute Studies</em> (Estudos da Fofura) associado a uma revisão bibliográfica interdisciplinar que articula relações internacionais, economia política e estudos culturais, examinando dados sobre o fenômeno do Labubu e políticas estratégicas chinesas como o <em>Made in China 2025</em>. O artigo sugere que o Labubu emerge como instrumento de diplomacia cultural, onde a sua estética “fofa” opera suavizando o pensamento crítico ao gerar conexões emocionais, enquanto estabelece uma nova imagem sobre a China como produtora de bens de desejo e capital cultural. Trata-se de um fenômeno que ocorre em paralelo às estratégias econômicas e tecnológicas do país, deslocando a visão da China como “fábrica do mundo” para potência em inovação e cultura, com impactos em sua posição geopolítica. Assim, o Labubu é um exemplo de que objetos aparentemente triviais podem ser, na verdade, vetores de influência política transnacional por meio da economia afetiva.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93670O viés na inteligência artificial generativa: falha técnica ou construção discursiva?2025-10-27T10:11:14-03:00Ricardo Boone Wotckoskiricardo.wotckoski@fatec.sp.gov.br<p>A inteligência artificial generativa (IAG) tem provocado debates sobre seus vieses éticos, culturais e algorítmicos, com explicações geralmente centradas em dados de treinamento ou na arquitetura do modelo. Este artigo, no entanto, propõe uma abordagem distinta. Ancorado na teoria retórica do gênero de Devitt e no dialogismo de Bakhtin, o estudo compreende o viés como um fenômeno discursivo que emerge na interação, analisando a produção da IAG como uma “ação social tipificada”. Argumenta-se que, ao performar gêneros discursivos, suas respostas incorporam os valores e padrões culturais neles presentes, e que práticas como o “viés de prompt” e vieses cognitivos do usuário, como o de confirmação, contribuem para ciclos de reforço enviesado. Conclui-se que a mitigação do viés ultrapassa soluções técnicas, exigindo uma nova competência pedagógica: a literacia crítica em IAG, que capacita o usuário a atuar como mediador ético na interação dialógica com a tecnologia.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/95077Diversidade de designação no vínculo homem-animal no Brasil: um debate social e político2026-01-08T16:25:29-03:00Evelynne Marques de Meloemmvet@gmail.comThiago Mattos da Silvaadv@hotmail.comAnnelise Castanha Barreto Tenório Nunesannelise_nunes@hotmail.comAdriana de Lima Mendonçaadriana.mendonca@unima.edu.brRailson da Silva Barbozarailson_barboza@yahoo.it<p>No Brasil, a designação do vínculo homem-animal, carregam significados e implicações quando de sua aplicabilidade. O tema merece atenção, pela melhor construção de políticas públicas que abrange direitos e deveres nesta relação e coesa utilização em atividades técnicas. Objetivo: Investigar e discutir, de modo interdisciplinar, os conceitos das designações de pessoas que criam animais, aplicados em comunicações sociais cotidianas e documentos técnicos oficiais brasileiros. Método: Para conhecer as designações conceituais do vínculo homem-animal realizou-se, entre 2010 e 2025, um levantamento de 480 matérias jornalísticas, 697 propostas legislativas, incluindo um Anteprojeto de Reforma do Código Civil e treze legislações técnicas em Medicina veterinária no âmbito federal. Para discutir o conteúdo, delimitou-se referencial teórico das áreas de Filosofia, Direito e Medicina Veterinária, com a justificativa de contribuir para um melhor entendimento social e aplicação coesa dos conceitos ao nível técnico, legislativo e social. Os resultados revelam que no Brasil, há diversidade conceitual para a designação do vínculo homem-animal, tais como “dono”, “proprietário”, “tutor”, “responsável”, “guardião”, “pai de pet” e “mãe de pet”, utilizados isolados ou conjugados. Conclusão: Entende-se, a luz da discussão entre Filosofia, Direito e Medicina Veterinária, que a designação de “responsável”, melhor colabora para aplicação coesa no contexto jurídico, técnico e social, quando se refere à pessoa em relação ao seu animal e no contexto político, à política de guarda responsável.</p>2026-02-20T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94983Aproximações entre educação do campo e Tecnologia Social na Educação em Ciências2026-01-06T19:11:48-03:00Janille da Costa Pintojcpinto.ppgecm@uesc.brMiguel Guilhermino Archanjo Juniormgarchanjo@uesc.br<p>A Tecnologia Social (TS) tem ganhado destaque nas pesquisas em Educação em Ciências por favorecer práticas pedagógicas contextualizadas e emancipadoras, alinhadas às demandas comunitárias. No âmbito da Educação do Campo (EdoC), essa discussão se torna ainda mais relevante, dada a proximidade entre os princípios da TS e as especificidades dos territórios campesinos. Assim, este estudo teve como objetivo analisar as contribuições da aproximação entre EdoC e TS para a Educação em Ciências, na perspectiva freireana, a partir de artigos publicados entre 2014 e 2025. Metodologicamente, realizamos um levantamento bibliográfico nas bases <em>Redalyc</em> e <em>SciELO</em>, identificando 21 trabalhos após a adoção de critérios de seleção. Os quais foram analisados por meio da Análise Textual Discursiva, estruturada nas categorias: i) problematização e contextualização das ações educativas; ii) interdisciplinaridade nas práticas pedagógicas; e iii) compromisso com a transformação social. Dentre os resultados, observamos que os estudos abordam essas temáticas de forma fragmentada. Percebemos que seis trabalhos contemplam integralmente a categoria i, ao evidenciar práticas situadas nas especificidades do contexto rural. Apenas três atendem de modo completo às categorias ii e iii, ao enfatizarem a necessidade de práticas interdisciplinares e ações voltadas à transformação social nas comunidades campesinas. Constatamos, portanto, que a produção acadêmica sobre o tema ainda é incipiente, embora apontem possibilidades de inclusão da TS na perspectiva freireana no campo das Ciências, sobretudo na EdoC para fortalecer as práticas educativas emancipatórias nas comunidades do campo.</p>2026-02-11T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93618Cartografia colonial e a anexação de Jabal Amil ao Grande Líbano2026-01-23T11:38:54-03:00Issam Rabih Menemissam_menem@hotmail.com<p>A dissolução do Império Otomano e a imposição de novas fronteiras pelas potências coloniais remodelaram profundamente o Levante, criando novas unidades políticas sob patrocínio europeu, dentre estas, a anexação da região de maioria xiita, Jabal Amil, ao recém-criado Estado do Grande Líbano sob o Mandato Francês (1920). Ancorado nos Estudos Pós-Coloniais, este artigo analisa criticamente as repercussões sociopolíticas dessa anexação. A fundamentação teórica articula conceitos de colonialismo, construção de fronteiras e política confessional. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, combinando revisão bibliográfica especializada e análise documental de fontes primárias, incluindo publicações da revista al-Irfan e petições à Comissão King-Crane, permitindo acessar narrativas locais marginalizadas pelas historiografias oficiais. Os resultados evidenciam que a anexação intensificou a marginalização política e econômica dos xiitas, limitando seu acesso a cargos públicos e investimentos em infraestrutura, ao mesmo tempo em que enfraqueceu lideranças tradicionais e estimulou o surgimento de movimentos armados de resistência. A ruptura das redes comerciais com a Palestina acentuou o subdesenvolvimento regional, enquanto o sistema confessional institucionalizado favoreceu elites cristãs e sunitas. A discussão aponta que, apesar de concessões pontuais como a criação da Corte Jaafari, a estrutura de poder manteve padrões excludentes, perpetuando desigualdades. Conclui-se que a anexação de Jabal Amil ao Grande Líbano não apenas redefiniu fronteiras geográficas, mas também consolidou fronteiras sociais e políticas, cujas implicações moldam até hoje as dinâmicas de identidade e marginalização da comunidade xiita no Líbano.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91858Hans Kelsen, a ontologia do dever-ser e o problema da divisão fática2026-01-23T11:39:01-03:00José Mauro Garboza Juniorgarbozajm@gmail.com<p>O presente trabalho explora a separação entre questões de fato e questões de direito no campo jurídico, destacando que, tradicionalmente, elas são tratadas como domínios distintos: enquanto as primeiras são associadas à imutabilidade da natureza, as últimas são compreendidas como produtos da linguagem humana para resolução de conflitos sociais. A teoria kelseniana, como exemplo de formalização jurídica, reforça essa separação, evidenciando a constituição de uma ontologia do dever-ser na modernidade. A hipótese do estudo é de que o dever-ser está intimamente vinculado ao direito moderno, o que implica repensar a dicotomia entre fato e direito. Como objetivo, pretende-se demonstrar, por meio da leitura bibliográfica da obra de Hans Kelsen, como a ciência jurídica pretende distinguir os domínios da natureza e do direito, apesar de ambos compartilharem uma mesma estrutura metafísica. Para tanto, o texto está dividido o trabalho em três seções. O estudo conclui que a cisão entre o ser e o dever-ser é central para a edificação do sentido moderno de direito.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94344O modernismo mineiro: Conjunto Moderno da Pampulha, referência da arquitetura brasileira2026-01-23T11:38:45-03:00Renata Maria de Abrantes Barachorenatabaracho@ufmg.brSoraia Aparecida Martins Fariassamf2008@ufmg.br<p>Este artigo apresenta o Conjunto Moderno da Pampulha, consagrado como Patrimônio Mundial, quanto a sua significância cultural em valores histórico e estético (relativo) (Riegl, 2014), alinhando-se aos critérios da Carta de Burra (2013). Sua relevância transcende o pioneirismo formal, da vanguarda internacional com sensibilidade singular para com a paisagem e a cultura mineiras. A compreensão desta obra é ampliada ao aplicarmos o conceito de "Saber Local" de Clifford Geertz (1978), que demonstra como o significado da arquitetura modernista mineira está enraizado nas experiências coletivas da comunidade. Complementarmente, a teoria da recepção de Hans Robert Jauss, em seu "horizonte de expectativas", ilumina como o conjunto arquitetônico provoca um estranhamento produtivo, a Pampulha não apenas transformou a percepção arquitetônica em Minas Gerais, mas também conferiu seu caráter artístico e de status social às residências mineiras. Essa abordagem – Geertz (1978) e Jauss (1994) – revela como a arquitetura modernista mineira, longe de ser uma imitação passiva, reinterpretou criativamente os preceitos modernos à luz do contexto local, gerando uma produção de caráter precursor e excepcional valor patrimonial, cuja recepção continua a evoluir e a ressignificar sua importância histórica.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93698A deslegitimação da liderança estadunidense a partir do Iraque: de Reagan aos primeiros anos de Biden (1981-2022)2026-01-23T11:38:52-03:00Lucas Oliveira Poccilucas.pocci@aluno.ufabc.edu.brMohammed Nadirmohammed.nadir@ufrn.br<p>Este artigo analisa como a busca por interesses energéticos no Iraque deslegitimou a liderança internacional dos EUA entre o governo Reagan (1981-1989) e os dois primeiros anos de Biden (2021-2022). Utilizando o conceito de chantagismo, argumenta-se que Washington criou, fomentou e depois combateu os perigos que supostamente buscava conter, ofertando proteção a ameaças que em parte eram resultado de suas próprias ações. O estudo percorre três momentos principais: 1. a sustentação de Saddam Hussein como aliado na Guerra Irã-Iraque (1980-1988), com destaque para o Escândalo Irã-Contras; 2. a desestabilização provocada pela Guerra do Golfo (1990-1991); 3. a ocupação do Iraque (2003-2011), que agravou a fragmentação política, econômica e social do país; e 4. o semi-abandono da proteção estadunidense no período pós-2011, marcado pela ascensão do Estado Islâmico, crescente dependência energética chinesa e pressões político-econômicas de Washington sobre Bagdá. O artigo conclui que, embora os EUA tenham oferecido ajuda e segurança em diversos momentos, sua política para o Iraque consolidou um padrão de intervenções unilaterais, destruição institucional e perda de legitimidade, abrindo espaço para a projeção de outras potências, como a China.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94238Editorial2025-10-28T09:08:56-03:00José Renato Ferraz da Silveirajreferraz@hotmail.com2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94382Entrevista com Marcelo Pinheiro Sobral2025-11-10T20:23:18-03:00Marcelo Pinheiro Sobralmarcelosobral@inb.gov.brAna Luíza Rocha Portoanaluizarochaporto@gmail.comFernando Speggiorin Martinifernando1671@yahoo.com.brJosé Miguel Quedi Martinsjose.martins@ufrgs.br2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94486Terrorismo em estados frágeis na Ordem Mundial 2.0: um estudo exploratório da África Subsaariana2026-01-23T11:30:56-03:00Marcelo Gurgel do Amaral Silvagurgel90@hotmail.comFábio Albergaria de Queirozfabio.queiroz@esd.gov.brGuilherme Lopes da Cunhaguilhermelopes11@icloud.com<p>O artigo analisa a relação entre fragilidade estatal e terrorismo na África Subsaariana no contexto da Ordem Mundial 2.0. A análise, amparada em amostragem da literatura especializada e em dados empíricos, aponta que Estados com baixa capacidade de coerção legal e coesão social limitada tendem a ser mais suscetíveis a conflitos intraestatais e expansão de ações terroristas. Conclui-se que o grau de fragilidade institucional é variável explicativa relevante para compreender a persistência e concentração do terrorismo na região analisada. Verifica-se, também, que o avanço do <em>state building</em> aparece como uma das condições centrais para mitigar riscos transnacionais e promover maior estabilidade regional, tema relevante também para o Brasil em razão de seus interesses estratégicos no continente africano.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94315A colonialidade no Direito Internacional Humanitário: crítica decolonial e proposta de reinterpretação emancipatória2026-01-23T11:38:47-03:00Marcelo Carvalho Ribeirocapirib@yahoo.com.br<p>O presente artigo investiga as persistências coloniais no Direito Internacional Humanitário (DIH), demonstrando como sua aplicação permanece seletiva e eurocentrada. Parte-se da hipótese de que o DIH, embora normativamente formulado com base em princípios universais, opera como dispositivo geopolítico de dominação, reforçando desigualdades entre o centro e a periferia do sistema internacional. O objetivo central é tensionar a suposta neutralidade do DIH à luz das teorias decoloniais e das epistemologias do Sul Global, propondo uma reinterpretação emancipatória do campo jurídico humanitário. Utiliza-se metodologia qualitativa, com base em revisão bibliográfica crítica de autores como Anghie, Crutchley, Getabicha, Pahuja, Quijano, Sander e Veličković. Os resultados indicam a predominância de uma lógica de seletividade na aplicação das normas humanitárias, com prejuízo para conflitos situados no Sul Global, especialmente aqueles de caráter insurgente, comunitário ou contra-hegemônico. Conclui-se que a superação dessa colonialidade normativa requer a abertura do DIH à pluriversalidade jurídica e à autodeterminação dos povos, reposicionando a justiça como valor central da normatividade internacional.</p>2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94252Expediente2025-10-28T21:47:39-03:00José Renato Ferraz da Silveirajreferraz@hotmail.com2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94407Apresentação2025-11-17T12:25:21-03:00Jéser Abílio de Souzajeser.abilio@hotmail.comMaria da Conceição Francisca Piresmariac.pires@unirio.brAdriano da Silva Denovacdenovac@gmail.com2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94312Ficha Catalográfica 2025-11-03T19:09:19-03:00José Renato Ferraz da Silveiracentraldeperiodicos@ufsm.br2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94425Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana2026-01-23T11:38:42-03:00Sabrina Thomazsabrinathomaz1010@gmail.comJosé Renato Ferraz da Silveirajreferraz@hotmail.com2025-11-24T00:00:00-03:00Copyright (c) 2025