https://periodicos.ufsm.br/interacao/issue/feedInterAção2026-06-09T16:47:40-03:00José Renato Ferraz da Silveirajose.silveira@ufsm.brOpen Journal Systems<p style="text-align: justify;">A InterAção é um periódico de comunicação acadêmico-científica de Relações Internacionais, do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP), veiculada em meio digital. A InterAção tem publicação contínua com quatro (4) números a cada ano (podendo ter números especiais), que tem por finalidade publicar entrevistas inéditas, artigos, ensaios e resenhas, originais nas temáticas compreendidas pela disciplina/campo das Relações Internacionais, e áreas afins como Ciência Política, História, Geografia, Filosofia, Comunicação Social, Tecnologia da Informação, Segurança Internacional, Estudos Estratégicos, Geopolítica, Economia Política Internacional e etc. </p> <p style="text-align: justify;"><strong>ISSN 2357-7975 | Qualis/CAPES (2021-2024) = A3</strong></p>https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/92976Etnossaberes e Tecnologias Sociais Quilombolas na formação continuada de professores(as)2026-06-09T16:47:35-03:00Marileide do Carmo Amorim Arrudamarileide_amorim@yahoo.com.brSuely Dulce de Castilhocastilho.suely@gmail.com<p>Em contexto quilombola de Poconé/MT, na Escola Municipal Antônio Maria de Almeida, este artigo analisa a formação continuada de professores(as) orientada pelos etnossaberes e pelas Tecnologias Sociais Quilombolas. O objetivo é refletir sobre os impactos desse processo na organização do trabalho pedagógico. A pesquisa adota abordagem qualitativa, fundamentada na pesquisa-ação e na observação participante, dialogando com perspectivas decoloniais a partir de Gomes, Munanga, Hampaté Bâ, Castilho, Mbembe e Quijano. Os resultados evidenciam a revisão de planejamentos, a incorporação de saberes do território às práticas curriculares, a reorientação do Projeto Político-Pedagógico e o fortalecimento do vínculo entre escola e comunidade, indicando deslocamentos concretos na prática pedagógica.</p>2026-06-08T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93909O papel dos sindicatos no enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo no contexto das cadeias produtivas2026-06-09T16:47:32-03:00Lécia Nidia Ferreira Taquesleciataques@gmail.comFernanda Brandão Cançadofernandabrandaocancado@gmail.com<p>O estudo analisa como a atuação sindical pode ampliar a proteção dos direitos humanos trabalhistas nas cadeias produtivas nacionais, diante dos novos modelos regulatórios pautados no dever de diligência empresarial. A pesquisa, de caráter teórico, fundamentou-se em doutrina, documentos normativos internos e internacionais e em diálogos com casos concretos. Os resultados evidenciam que, embora as normas de monitoramento das cadeias produtivas sejam tradicionalmente abordadas sob a ótica dos deveres empresariais, a inclusão dos sindicatos revela-se essencial para redefinir responsabilidades e fortalecer a representação dos trabalhadores. Conclui-se que a presença sindical é determinante para reestruturar as cadeias produtivas, colocando o trabalhador no centro dos processos de fiscalização, monitoramento e negociação coletiva, o que potencializa a efetividade da prevenção e do combate ao trabalho escravo contemporâneo.</p>2026-06-08T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94965Entre fronteiras e dignidade: a Operação Acolhida na gestão migratória de venezuelanos no Brasil2026-06-08T18:01:22-03:00Rafael Pinheiro Camelorafpc07@gmail.comMaria Fernanda Viana Bandeiramariafv.bandeira@gmail.comAna Flávia Firmino de Oliveira Rochaanflrocha@gmail.comEloísa Damasio de Azevedoeloisadazvd@outlook.comThiago Oliveira Moreirathiago.moreira@ufrn.br<p>O fluxo migratório de venezuelanos para o Brasil mobilizou as Forças Armadas a assumirem um papel estratégico e logístico através da Operação Acolhida. A iniciativa equilibra o controle de fronteiras com a proteção jurídica e social de migrantes venezuelanos, em que a assistência humanitária emerge como mecanismo de dessecuritização da migração e afirmação da dignidade humana. Diante disso, questiona-se: de que forma a Operação Acolhida redefine o papel do Estado brasileiro na proteção jurídica dos migrantes venezuelanos? Nesse sentido, a pesquisa tem como objetivo geral compreender o impacto jurídico da Operação Acolhida na gestão da crise migratória venezuelana. Para tanto, são definidos os seguintes objetivos específicos: a) apresentar a noção de ajuda humanitária como um produto de dessecuritização dos migrantes; b) analisar no direito migratório brasileiro a garantia jurisdicional aos venezuelanos que adentram no país; e c) avaliar a atuação das Forças Armadas brasileiras no controle das fronteiras e na recepção dos migrantes. A metodologia adotada é qualitativa, com análise documental e revisão de jurisprudência, embasada em teorias de inferência social e estândares de Direito Internacional. O trabalho se justifica pela importância da colaboração interagencial e o papel central das Forças Armadas na proteção jurídica dos migrantes, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como a promoção da saúde, inclusão social e justiça. Com efeito, o estudo propõe uma visão ampliada da Operação Acolhida, como um modelo de ação humanitária integrada que valoriza a dignidade dos migrantes e reforça a necessidade de políticas públicas adaptativas e de cooperação interinstitucional.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93963Sociedade do Cuidado, Economia Solidária e opressão feminina: diálogos e perspectivas2026-06-08T18:01:25-03:00Caroline Lancellotti Caldeira Bassocarolinebasso@alunos.utfpr.edu.brNatalia de Lima Buenonataliabueno@utfpr.edu.br<p>Este artigo tem por objetivo investigar quais alternativas teórico-práticas podem sustentar a constituição de uma sociedade em que o trabalho do cuidado seja assumido como responsabilidade coletiva, rompendo com sua histórica vinculação à subordinação feminina e à divisão sexual do trabalho. Parte-se da compreensão de que a crise do cuidado, intensificada no capitalismo contemporâneo, evidencia as tensões na organização social da reprodução da vida, tradicionalmente atribuída às mulheres e fundamental à manutenção da força de trabalho. Como metodologia, o estudo articula uma revisão de literatura acerca das aproximações entre a Sociedade do Cuidado e a Economia Solidária, com base nas contribuições de Glenn (2000) e Singer (2002). Em seguida, realiza-se uma revisão integrativa da literatura, conforme Souza, Silva e Carvalho (2010), com análise de conteúdo fundamentada em Bardin (2011), a fim de examinar produções científicas sobre experiências de Economia Solidária com enfoque nas práticas de cuidado mútuo. Os resultados indicam que a Economia Solidária, conceitualmente, é orientada para a construção de práticas de cuidado coletivo, especialmente quando articulada a valores de solidariedade e coletividade. A investigação da práxis, por meio de revisão integrativa, validou estes aspectos, ainda que tais iniciativas sejam atravessadas por desigualdades de gênero. Nesse sentido, o estudo validou que a incorporação da Economia Feminista nos coletivos solidários potencializa o enfrentamento da crise do cuidado, ao favorecer a reconfiguração de relações sociais orientadas à equidade de gênero no tocante à organização social da vida.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94564Encontros imperiais na cooperação internacional: bases para uma reflexão teórica2026-06-08T18:01:24-03:00Jose Alejandro Sebastian Barrios Díazale.ri.barrios@gmail.com<p>Este artigo analisa a cooperação internacional para o desenvolvimento (CID) como um espaço de encontros imperiais, no qual se atualizam e se reconfiguram continuidades históricas entre antigas metrópoles, países periféricos e novas potências do Sul Global. Partindo de uma abordagem interpretativa e teórico-conceitual, o texto argumenta que a CID opera como um dispositivo de poder que produz classificações, racionalidades e hierarquias ancoradas em lógicas coloniais, ainda que se apresente por meio de linguagens de solidariedade, parceria ou desenvolvimento. A análise concentra-se em três dimensões estruturantes do campo, categorias da Assistência Oficial ao Desenvolvimento (AOD), relações bilaterais doador–receptor, métricas e projetos de mensuração internacional, entendidas como espaços nos quais as assimetrias imperiais são produzidas, negociadas e legitimadas. Metodologicamente, trata-se de uma investigação qualitativa de caráter interpretativo, baseada em reconstrução histórica, problematização conceitual e análise crítica de dispositivos que organizam a CID. O artigo contribui ao demonstrar que a CID não se reduz a um mecanismo técnico de alocação de recursos, mas constitui uma tecnologia de poder que reencena e reinscreve continuidades imperiais no presente.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96222A transformação da orla de Porto Alegre: percurso histórico e políticas públicas urbanas2026-06-03T17:49:58-03:00Carla Froenercarlafroener@gmail.com<p>A orla do Lago Guaíba ocupa posição estratégica na história e na configuração urbana de Porto Alegre, sendo tema recorrente no planejamento urbano contemporâneo, especialmente diante de iniciativas voltadas à questão ambiental, à qualificação paisagística e à ampliação dos espaços públicos de convivência. Nesse contexto, o presente artigo tem como objetivo analisar de que maneira as políticas públicas e os projetos de intervenção urbana têm contribuído para a reconfiguração da orla do Guaíba em Porto Alegre. Para tanto, adota-se uma abordagem qualitativa, baseada em revisão bibliográfica e análise documental. Os resultados evidenciam que as intervenções recentes na orla refletem distintos modelos de revitalização urbana. Enquanto a Orla Central é conduzida predominantemente pelo poder público, priorizando a ampliação de espaços de lazer e convivência coletiva, os projetos do Cais Mauá e do Parque Pontal apresentam maior participação privada, associando requalificação urbana e valorização imobiliária. Verifica-se ainda que a reconfiguração da orla do Guaíba revela um processo de negociação entre diferentes atores, necessitando de políticas urbanas capazes de equilibrar interesses públicos e privados e garantir o acesso democrático ao espaço.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96176Base Industrial de Defesa Brasileira: vetor estruturante da soberania, da inovação tecnológica e do aumento da competitividade industrial2026-06-09T16:47:24-03:00Ivan Ferreira Neiva Filhoifneiva566@gmail.comKaren Cristina Leal da Silvakaren.leal@abdi.com.br<p>Este artigo analisa a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira como um sistema estratégico importante para a Soberania Nacional, o desenvolvimento econômico e a inovação tecnológica. A partir de uma abordagem metodológica que combina análises qualitativas e quantitativas, o estudo examina a estrutura produtiva, o perfil das empresas, os modelos de negócios, a governança e os desafios regulatórios do setor. A pesquisa identifica um núcleo da BID dedicado de aproximadamente 985 empresas. Os resultados evidenciam que a BID brasileira possui capacidades relevantes em áreas estratégicas, como aeronáutica, sistemas navais, cibersegurança e tecnologias críticas, mas enfrenta desafios estruturais relacionados à dependência externa, à fragmentação institucional, à baixa previsibilidade de políticas públicas e à fragilidade das cadeias produtivas. O estudo destaca o papel central do Estado como indutor da demanda, financiador e regulador, bem como a importância de instrumentos de política industrial, como compras públicas, encomendas tecnológicas e compensações comerciais, industriais e tecnológicas (<em>offset)</em>. Conclui-se que o fortalecimento da BID requer políticas públicas coordenadas, de longo prazo e orientadas por missões, capazes de promover autonomia tecnológica, adensamento produtivo e integração entre defesa, ciência, tecnologia e indústria, posicionando o setor como vetor estratégico da reindustrialização e da competitividade nacional.</p>2026-06-08T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/95275Operações Multidomínio (MDO) no Sul Global: modelo mínimo viável para C2 e dados2026-06-09T16:47:31-03:00Ali Kamel Issmael Júnioralikamel1974@gmail.com<p>Operações Multidomínio (<em>Multidomain Operations</em>, MDO) e agendas correlatas, como <em>Joint All-Domain Operations</em> (JADO) e<em> Joint All-Domain Command and Control</em> (JADC2), oriundas dos Estados Unidos da América (EUA) e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), reposicionam a vantagem operacional na integração de dados, conectividade e comando e controle (C2) sob contestação (EUA, 2018; 2022; OTAN, 2015; 2018). Países do Sul Global enfrentam, contudo, restrições fiscais, heterogeneidade de sistemas, dependência tecnológica e vulnerabilidades cibernéticas que dificultam a adoção de arquiteturas complexas e proprietárias. Este artigo propõe um modelo mínimo viável para MDO, entendendo-o como um conjunto incremental de capacidades materiais e não materiais capaz de gerar ganhos mensuráveis sem pressupor convergência plena a ecossistemas de alto custo. A pesquisa é qualitativa, analítica e propositiva, baseada em revisão bibliográfica e documental de documentos doutrinários e estratégicos. Como síntese, o artigo apresenta um framework em camadas (dados, integração, decisão e efeitos), uma escala de maturidade em cinco níveis, uma matriz de riscos (espectro eletromagnético, cibernético e cognitivo) com mitigação prioritária e um roteiro por fases para implementação. Para reforçar aderência institucional sem recorte de Força, utiliza-se evidência documental brasileira sobre autonomia tecnológica, continuidade de capacidades e resiliência de serviços essenciais e infraestruturas críticas (Brasil, 2020a; 2020b; 2025a; 2025b; 2025c). Conclui-se que a abordagem mínima viável reduz <em>lock-in</em>, favorece resiliência sob degradação e oferece um caminho realista para países do Sul Global ampliarem coordenação conjunta, interoperabilidade incremental e capacidade de resposta em ambientes contestados.</p>2026-06-08T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96435A revolução da simulação construtiva no Sul Global: comparativo do uso do software SWORD2026-05-26T19:50:26-03:00Pablo Gustavo Cogo Pochmannpablo.pochmann@gmail.com<p>Este trabalho investiga a importância estratégica da simulação construtiva para a soberania e governança de defesa, realizando uma análise comparada do uso do software MASA SWORD no Brasil (Sistema COMBATER), na Tchéquia (SWORD) e na França (Sistema SOULT). O estudo problematiza como países com diferentes contextos geopolíticos convergem para o uso da simulação como ferramenta de validação científica de capacidades militares. Através de um estudo de caso múltiplo, o artigo demonstra que a transição do "jogo de guerra" tradicional para simuladores de base científica permite a otimização de recursos em orçamentos de defesa restritos, típicos de potências emergentes e intermediárias. A análise evidencia que a padronização tecnológica facilita a cooperação militar e a diplomacia de defesa, enquanto a robustez dos dados gerados fortalece a transparência e a eficácia na tomada de decisão estratégica. A conclusão destaca que a simulação construtiva é um componente indispensável para a autonomia tecnológica nas cadeias produtivas militares modernas.</p>2026-06-10T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96239Entre gastos e autonomia: indústria de defesa e hierarquias regionais no Oriente Médio, 2010-20242026-06-03T17:49:57-03:00Erico Duarteerico.duarte@ufrgs.brAramis Dawasaramisdawasvieira@gmail.com<p>Este artigo investiga por que a conversão de recursos econômicos em poder político-militar produz resultados tão distintos no equilíbrio de poder do Oriente Médio entre 2010 e 2024. Ele argumenta que essa hierarquia regional é condicionada pela interação entre duas variáveis independentes — gastos em defesa e autonomia industrial-militar —, cuja combinação define a posição relativa dos Estados no equilíbrio regional. A partir de uma análise qualitativo-comparativa de cinco casos — Israel, Turquia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã —, o estudo propõe uma tipologia de quatro modelos de conversão de recursos em poder militar. Cada um é definido por combinações observáveis das variáveis independentes: primazia militar (Israel), potência industrial ascendente (Turquia), potências dependentes (Arábia Saudita e Emirados) e potência revisionista assimétrica (Irã). Os resultados demonstram que hierarquias regionais são reproduzidas menos por flutuações conjunturais de gasto e mais por estruturas produtivas e tecnológicas de longo prazo, oferecendo um quadro analítico transferível a outras regiões marcadas por dependência de tecnologia e inserção assimétrica nas cadeias globais de defesa.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96504A2/AD e construção de capacidades no Sul Global: fundamentos teóricos, restrições materiais e agendas de adaptação estratégica2026-06-03T17:33:02-03:00Marcelo Carvalho Ribeiromarcelo.ribeiro@acad.ufsm.br<p>Este artigo analisa o conceito de antiacesso e negação de área (A2/AD) a partir de uma perspectiva centrada na construção de capacidades em países do Sul Global. Em vez de tratar o A2/AD apenas como doutrina de emprego ou como arranjo operacional destinado a restringir a liberdade de ação de um adversário superior, o texto sustenta que sua efetividade depende da integração entre meios, doutrina, território, infraestrutura, logística, comando e controle e governança. O argumento parte de um diálogo com autores clássicos e contemporâneos da estratégia, especialmente Thomas Schelling, J. C. Wylie, Lawrence Freedman, Andrew Krepinevich e Sam Tangredi, para demonstrar que o A2/AD deve ser compreendido como forma de coerção convencional e de controle seletivo do espaço. Em seguida, o estudo desloca o debate para o Sul Global, entendido não apenas como recorte geográfico, mas como posição marcada por assimetrias de poder, dependência tecnológica, restrição fiscal e necessidade de priorização estratégica. A partir desse deslocamento, propõe-se uma moldura analítica baseada em oito dimensões construtivas da capacidade A2/AD: sensoriamento; comando e controle; fogos de precisão; mobilidade e sobrevivência; logística; proteção cibernética e eletrônica; infraestrutura crítica e governança com autonomia relativa. Por fim, o artigo discute as principais dificuldades enfrentadas pelos países do Sul Global, com ênfase na fragilidade orçamentária, e argumenta que a saída mais promissora consiste na construção seletiva, incremental e territorialmente orientada de capacidades, e não na reprodução mimética dos modelos das grandes potências. O caso brasileiro é mobilizado como referência aplicada para pensar uma agenda de defesa baseada em dissuasão convencional, proteção de áreas sensíveis e integração sistêmica.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96739Logística, desenvolvimento e defesa: o papel estratégico do Tocantins na integração nacional2026-06-03T17:12:25-03:00Juliana Barbosa Lovis Santanalovisjuliana@yahoo.com.brMaria Roberta de Castro Silvamaria.mrcs@gmail.comNelciara Limeira Batista Fonsecanelciaratdb@hotmail.comGills Lopes Macedo Souzagillslopes@gmail.com<p>Este trabalho analisa como a ampliação e a integração de modais de transporte do Tocantins podem contribuir para o desenvolvimento e a defesa nacionais. A partir da noção de logística enquanto uma política pública, levantam-se os principais aspectos que favorecem sua integração, bem como seus desafios de implementação. Ao final, apontam-se ações e políticas de estruturação que podem contribuir para o crescimento logístico e estratégico desse estado do Norte. Como marco teórico, utiliza-se a Teoria do Espaço Geográfico, do geógrafo Milton Santos, para analisar criticamente os fixos e fluxos dos modais tocantinenses. A abordagem qualitativa se utiliza da Matriz SWOT para alocar os principais condicionantes internos e externos que impactam a integração nacional a partir dos modais tocantinenses. Como resultado, conclui-se que desenvolvimento e defesa nacionais compõem políticas de governo com influências de atores múltiplos e aponta-se que o Tocantins possui importantes modais estruturantes, porém precisa de mais efetividade do ponto de vista logístico, alinhando e planejando estrategicamente ações e investimentos que permitam promover a expansão de corredores (como a hidrovia Araguaia Tocantins) e consolidar a integração (ferroviária, rodoviária, aquaviária e aeroportuária).</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/95179Diplomacia de defesa e diplomacia militar: análise do Estado do Conhecimento (2009-2024)2026-06-08T18:01:21-03:00Eduardo Porto de Miranda Marqueseduardo_marqs98@hotmail.com<p>Esta pesquisa procurou analisar, por meio da metodologia do Estado do Conhecimento, os conceitos de diplomacia de defesa e diplomacia militar, situando o tema na produção científica nacional e utilizando como referência para análise documental os instrumentos normativos do Setor de Defesa envolvendo a atuação no exterior, como: a Estratégia Nacional de Defesa (END), a Política Nacional de Defesa (PND), o Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) e a Diretriz para as Atividades do Exército Brasileiro na Área Internacional (DAEBAI). O tema da diplomacia militar tem sido pouco abordado pelas Relações Internacionais (RI), ainda que tenha ganhado importância como fenômeno (SILVA, 2014). O corpus inclui 14 fontes, agrupadas em nove categorias. Notou-se que diplomacia militar é um conceito definido implicitamente por diferentes instrumentos legais, suas atividades são exploradas em caráter transversal em documentos de defesa como END/PND e LBDN e explorada explicitamente nos instrumentos normativos de Forças Singulares como no DAEBAI. Constatou-se no fenômeno denominado diplomacia de defesa um elevado grau de institucionalização, internacionalização e normatização, cuja expansão se deu especialmente após a Guerra Fria. A literatura dos textos-base trata de termos que estão entrelaçados, como diplomacia militar e diplomacia de defesa, sendo esse último mais abrangente e consistente.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96246Simulação e soberania cognitiva no Sul Global: dependência epistemológica e autonomia estratégica2026-06-03T17:49:55-03:00Erlei Roldan Melgarejoemelgarejo@gmail.comGuilherme Lopes da Cunhaguilherme.lopes@esg.brMarcelo Viera Pustilnikmarcelo.pustilnik@ufsm.br<p>A utilização de modelagem e simulação transbordou o campo técnico e hoje dita o ritmo das decisões estratégicas em defesa, logística e políticas públicas. No entanto, há um ponto cego nessa expansão: a tendência de tratar a simulação apenas como uma ferramenta operacional de apoio. Este artigo se propõe a romper com essa visão, argumentando que a simulação atua, na verdade, como uma tecnologia epistemológica, uma infraestrutura cognitiva que molda a forma como produzimos conhecimento sobre a realidade. O problema central emerge quando países do Sul Global importam modelos e estruturas conceituais de contextos externos, o que acaba por sedimentar formas de dependência epistemológica. O argumento aqui defendido é que a soberania cognitiva depende, também, do domínio crítico dessas tecnologias. Como solução teórica, introduzo a Matriz de Soberania Cognitiva da Simulação, um framework estruturado em cinco pilares fundamentais: soberania de modelos, de dados, de ferramentas, de interpretação e de aplicação. Ao final, o texto demonstra como os jogos de guerra podem atuar como vetores práticos dessa autonomia.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96333Da reação à antecipação: prospecção estratégica como eixo estruturante da integração entre defesa e segurança pública2026-06-03T17:41:34-03:00Renato Pires Moreiraprof.renatopires@gmail.comLuiz Augusto Vieira de Oliveiraluizx0518@gmail.comLuiz Carlos Ferreiraluiz.ferr.68@gmail.com<p>Este artigo analisa de que modo a prospecção estratégica pode contribuir para o fortalecimento das capacidades estatais de antecipação na interface entre Defesa e Segurança Pública, diante da crescente complexidade da criminalidade organizada transnacional. Trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória, bibliográfica e documental, complementada por levantamento exploratório da literatura nacional e internacional sobre prospecção estratégica aplicada à segurança pública. O estudo discute fundamentos conceituais da prospectiva estratégica e da governança antecipatória, examina o arcabouço normativo-institucional brasileiro pertinente à interface entre Defesa, Inteligência e Segurança Pública, e sistematiza produções prospectivas relevantes ao problema investigado. Os achados indicam que, embora a cultura de planejamento estratégico e antecipação se encontre relativamente mais consolidada no setor Defesa, permanece limitada a incorporação sistemática de capacidades prospectivas na segurança pública brasileira, especialmente diante de ameaças complexas, adaptativas e transnacionais. Conclui-se que a prospecção estratégica pode contribuir para ampliar a capacidade estatal de antecipação, adaptação e coordenação interinstitucional, reduzindo vulnerabilidades associadas à surpresa estratégica e oferecendo base promissora para o aprofundamento de agendas analíticas e institucionais na interseção entre Defesa e Segurança Pública.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/95382Do Ato de Securitização à Capacidade Organizacional: proposta de Framework Estratégico e Modelo de Maturidade para a Gestão de Riscos Cibernéticos em Cadeias de Suprimentos Aeroespaciais (C-SCRM)2026-06-08T18:01:14-03:00Andre Luiz Anjos de Figueiredofigueiredo.anjos23@gmail.comPedro Arthur Linhares Limalinharespall@fab.mil.br<p style="text-align: justify; text-justify: inter-word; line-height: 1.6; font-family: sans-serif;">Este artigo examina a gestão de riscos cibernéticos em cadeias de suprimentos aeroespaciais sob a perspectiva da securitização, sustentando que a digitalização converteu a base industrial em infraestrutura crítica de soberania nacional. A partir da integração entre a Teoria da Securitização e a Teoria do Poder Aeroespacial, propõe-se o <em>Securitization and Aerospace Power Framework for Cyber Supply Chain Risk Management</em> (SAPF-CSCRM), fundamentado nos referenciais do National Institute of Standards and Technology (NIST, 2022) e no modelo <em>Cybersecurity Capability Maturity Model</em> do Department of Energy (DOE, 2022). No interior dessa arquitetura, o <em>Aerospace Cyber Supply Chain Risk Management Maturity Model</em> (AMM-CSCRM) opera como mecanismo de governança por maturidade, articulando tipologia de riscos, controles normativos e níveis de capacidade organizacional. A validação empírica, por meio do estudo de caso do Jet Propulsion Laboratory (NASA/JPL), demonstra que a ausência de controles básicos de gestão de ativos compromete a maturidade organizacional e invalida investimentos em segurança avançada. Conclui-se que a soberania digital depende de governança estruturada e maturidade verificável em C-SCRM.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96728Da lição estratégica à capacidade nacional: governança em defesa, capital humano tecnológico e Base Industrial de Defesa no Brasil2026-06-03T17:20:30-03:00Marcelo Carvalho Ribeiromarcelo.ribeiro@acad.ufsm.brMauro Beirãombeirao@ael.com.br<p>Este artigo examina como a governança em defesa pode contribuir para transformar lições estratégicas contemporâneas e demandas tecnológicas emergentes em capacidades nacionais sustentáveis para o Brasil. O argumento central é que o desafio brasileiro não consiste apenas em identificar capacidades críticas, como sistemas não tripulados, inteligência artificial, ciberdefesa, logística resiliente, defesa antiaérea, defesa costeira e dissuasão estratégica. O desafio decisivo está em institucionalizar mecanismos de governança capazes de priorizar, financiar, monitorar e coordenar essas capacidades por meio do Ministério da Defesa, das Forças Armadas, da Base Industrial de Defesa, das universidades, dos centros de pesquisa e do setor produtivo. O artigo adota uma perspectiva de governança em defesa baseada em liderança, estratégia e controle, com ênfase em governança de portfólio, gestão de riscos, <em>assurance</em>, indicadores de desempenho, coordenação interagências e interface civil qualificada. Metodologicamente, combina análise documental, revisão bibliográfica seletiva e interpretação institucional de tendências contemporâneas em defesa, tecnologia e inovação. A contribuição principal consiste em propor uma matriz de governança de capacidades tecnológicas em defesa para o Brasil, conectando diagnóstico estratégico, capital humano tecnológico, inovação industrial, gestão de riscos, coordenação institucional e accountability. Conclui-se que a autonomia em defesa depende não apenas da aquisição de sistemas avançados, mas da existência de rotinas institucionais estáveis capazes de converter alertas estratégicos em capacidades efetivas, sustentáveis e verificáveis.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96370Apresentação2026-04-21T14:30:37-03:00Jomar Barros de Andradejomar@pobox.comSergio Luiz Tratz sltratz@gmail.com.brVladimir Luís Silva da Rosavladimecum70@gmail.com.brMarcelo Carvalho Ribeiromarcelo.ribeiro@acad.ufsm.brJosé Renato Ferraz da Silveirajose.silveira@ufsm.brMarcelo Gurgel do Amaral Silvagurgel90@hotmail.com2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96373Taiwan: as dificuldades de reconhecimento internacional2026-06-03T17:41:28-03:00Miguel Netto Michelmiguelnettomichel@gmail.com<p>Taiwan, uma ilha localizada na Ásia Oriental, está enfrentando impasses nas relações internacionais, principalmente frente à hegemonia chinesa, a qual não reconhece sua independência. O objetivo da pesquisa é analisar o reconhecimento estatal de Taiwan e suas estratégias de projeção internacional por meio de parcerias com organizações e redes globais no século XXI. A pesquisa envolve uma análise das relações internacionais e sobre o direito de Estado, da busca de Taiwan por reconhecimento em um cenário marcado pela influência da República Popular da China-RPC. O método de pesquisa é dedutivo e exploratório, com uma abordagem em estudo de caso, com fontes primárias e secundárias, sendo elas notícias, jornais e artigos científicos. O não reconhecimento da soberania pela ONU, estados emergentes e potências políticas, como Estados Unidos, interferem nas relações exteriores de Taiwan. A pesquisa identifica que Taiwan tornou-se um ponto central de tensão na política internacional, especialmente diante das tentativas da RPC de reafirmar sua soberania sobre a ilha. Taiwan tem investido em parcerias com organizações não governamentais internacionais e regionais, destacando-se na defesa de valores democráticos, direitos humanos e sustentabilidade. A colaboração com essas redes oferece uma plataforma para projetar sua identidade internacional, mesmo sem reconhecimento formal.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/95937Educação climática: ferramenta estratégica para as políticas globais do clima2026-06-09T16:16:02-03:00Rafaela Fiuza Cunharafaelafiuzacunha@gmail.comGünther Richter Mrosgunther.mros@ufsm.br<p>O enfrentamento às mudanças climáticas exige esforços de cooperação internacional superiores aos que são observados atualmente, sobretudo no que tange à educação para a ação climática. O artigo analisa potencialidades e ameaças das redes internacionais de educação na formação de alianças globais para um futuro sustentável, atrelado à perspectiva da desigualdade no que tange ao impacto das mudanças climáticas em cada país, bem como os resultados de tal impacto na formulação de políticas do clima domésticas e globais, afetando diretamente no desenvolvimento ou negligência do papel da educação climática. Para tanto, o presente artigo, de abordagem qualitativa e método indutivo, se apropria de fontes primárias, que incluem os documentos norteadores das redes e instituições globais de educação, e de fontes secundárias, que consistem em artigos acerca da temática abordada, a fim de elucidar a importância da cooperação internacional para consolidação da educação climática consoante aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e a Agenda 2030, compreendendo que agendas globais também são parte da governança global para o clima.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96158Estabilização política e a abertura econômica chinesa: o papel do pós-19782026-06-09T16:34:14-03:00Elisa Bassoelisabasso2020@gmail.comGiovana Salete Memlakgiovana.memlak@acad.ufsm.brGustavo Nascimento dos Santosgustavo.nascimento@acad.ufsm.br<p>O presente artigo tem por objetivo analisar como a estabilização política promovida pelo Partido Comunista Chinês, sob a liderança de Deng Xiaoping, condicionou historicamente o processo de abertura econômica iniciado em 1978. Especificamente, propõe-se analisar o processo de estabilização política pontuando como a unidade e legitimidade do Partido catalisaram a capacidade estatal, examinando como a convergência entre estabilidade e reorganização administrativa, no contexto do Sexto Plano Quinquenal (1981-1985), viabilizou um modelo gradual de uso seletivo de fundos e tecnologias estrangeiras e a expansão controlada do comércio exterior. Partindo da problemática de como a abertura econômica chinesa foi concebida, entende-se que a estabilização pós-Revolução Cultural foi uma das condições históricas necessárias para a adoção e sucesso das reformas graduais, ao restaurar legitimidade e previsibilidade institucional, sendo esta condição o foco da análise deste trabalho. Metodologicamente, este trabalho configura-se como um estudo histórico de caráter qualitativo, baseado na análise articulada de fontes primárias e secundárias e no aporte conceitual oferecido por Reinhart Koselleck (2006) com as categorias analíticas de espaço de experiência e horizonte de expectativa. Os resultados indicam que a estabilização política pós-Revolução Cultural constituiu o elemento estruturante da recomposição da capacidade estatal necessária para modernização chinesa no início da era Deng Xiaoping, assentando-se também como condicionante para a viabilização da abertura econômica seguindo o modelo gradual.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96196Gênero, nacionalismo e revolução: uma análise comparada entre o Cumann na mBan e as Soldaderas2026-06-09T16:47:38-03:00Maria Eduarda Calonegomaria.calonego@acad.ufsm.brGabriela Picolli da Silvagabriela.picolli@acad.ufsm.brMateus Webber Matosmateus.webber@hotmail.com<p>O presente artigo compara a participação das mulheres em movimentos revolucionários e nacionalistas no início do século XX, tendo como foco a organização paramilitar Cumann na mBan, da Irlanda, e as Soldaderas, do México. O objetivo geral é compreender como gênero e nacionalismo se articularam em experiências de resistência. Metodologicamente, a pesquisa adota a História Comparada, estabelecendo relações entre contextos distintos a partir da identificação de semelhanças, contrastes e conexões. O estudo baseia-se em uma revisão bibliográfica e na análise de fontes primárias, como documentos de fundação do Cumann na mBan. Os resultados indicam que, apesar das diferentes formas de participação, ambos os grupos tiveram suas contribuições apagadas ou ressignificadas por narrativas patriarcais, sem a transformação das hierarquias de gênero. Assim, o artigo contribui para as Relações Internacionais ao ampliar o debate sobre a participação feminina em processos nacionalistas e anticoloniais.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/95837Securitização dos Corais: o papel da segurança ambiental no Mar do Sul da China na relação assimétrica entre China e Filipinas2026-06-09T16:16:05-03:00Arthur Martins Santanasantanamartins500@gmail.comThor Lopes ten Catenthor.caten@acad.ufsm.br<p>Esta pesquisa analisa como China e Filipinas instrumentalizam a degradação de corais no Mar do Sul da China, utilizando a pauta ecológica em seus discursos de segurança no contexto de uma relação assimétrica. A partir de um referencial teórico que articula o conceito de securitização com os estudos de segurança ambiental, o trabalho realiza uma análise documental qualitativa de discursos oficiais e relatórios de ambos os lados. Argumenta-se que a questão ambiental é retoricamente enquadrada como ameaça à segurança para legitimar interesses estratégicos, convertendo a vulnerabilidade ecológica em recurso político na disputa por domínio regional. Os resultados evidenciam que a degradação em Sabina Shoal deixou de ser tratada como crise ecológica para se tornar um vetor de acusação mútua e de construção de narrativas. Observa-se que o conflito narrativo opera através de uma inversão de causalidade: enquanto a China projeta uma imagem de autoridade e tutela soberana para justificar a exigência de retirada do adversário, as Filipinas recorrem à validação externa do Direito Internacional para denunciar danos e alertar sobre a perda territorial.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96144A extrema direita e a internacionalização de discursos excludentes no cenário global2026-06-09T16:34:17-03:00Mariana Gabana Turcatomarianagabanaturcato@gmail.comYasmin Leite Pastoriniyasmin.leite@acad.ufsm.br<p>O presente artigo tem como objetivo analisar como a ascensão da extrema direita na política italiana e o segundo mandato de Donald Trump, nos Estados Unidos, contribuíram para a legitimação e difusão de discursos discriminatórios no cenário internacional. O foco recai sobre os impactos dessas narrativas em temas migratórios, no debate político e na esfera pública global, com ênfase em implicações para os direitos humanos e o multilateralismo. O trabalho justifica-se por sua relevância no cenário político global. A pesquisa insere-se no campo das Relações Internacionais, particularmente em Política Internacional. A metodologia adotada será a qualitativa, com o método hipotético-dedutivo, partindo de um estudo de caso, com a hipótese de que a extrema direita legitima e dissemina práticas discursivas que fragilizam valores democráticos e normas de proteção internacional. Utiliza-se revisão bibliográfica, análise de conteúdo e de discurso, identificando elementos recorrentes nos discursos políticos e midiáticos que reforçam padrões discriminatórios. O referencial teórico contempla Alexander Wendt e Michel Foucault, que abordam , respectivamente os o construtivismo e o significado de “discurso”, e Cas Mudde, que conceitualiza o termo “extrema-direita”. Espera-se que os resultados contribuam para compreender os mecanismos de legitimação do preconceito na ordem internacional e seus efeitos sobre direitos humanos e cooperação multilateral.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96184A influência do Direito Internacional na proteção dos direitos de imigrantes forçados na Itália2026-06-09T16:34:04-03:00Maria Rita Gonçalves Amaralmariaritaga88@gmail.comNicolas Pereira Camposnicolas33397@gmail.com<p>O trabalho tem como objetivo analisar as medidas adotadas por instituições internacionais para garantir a segurança e a integridade dos imigrantes forçados provenientes do Mediterrâneo na Itália, a partir do julgamento do caso Hirsi Jamaa v. Itália (2012) até os dias atuais. A pesquisa insere-se no campo das Relações Internacionais, com ênfase no Direito Internacional, fundamentando-se nos estudos de Vincent Chetail, que discute o arcabouço jurídico internacional da migração e sua relação com instituições globais, e outros autores que abordam os limites da proteção humanitária e da responsabilização estatal. A pergunta que orienta o estudo é: em que medida o comportamento da Itália frente à imigração forçada no Mediterrâneo revela os limites da eficácia do Direito Internacional? A abordagem metodológica é qualitativa, de caráter descritivo e dedutivo, baseada em pesquisa bibliográfica e documental. São analisados tratados e convenções internacionais, legislações da União Europeia, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), e documentos complementares. O estudo justifica-se pela análise do papel controverso da Itália na gestão migratória, que, apesar da existência de tratados e normas europeias, ainda perpetua práticas que violam os direitos humanos.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96210Governança multinível e segurança regional: análise da Operação Barkhane da Força Conjunta do G5 Sahel2026-06-03T17:50:00-03:00Larissa Locatellilarissalocatelli04@gmail.comMaria Julia Silveira de Jesus Machadomaria.jesus@acad.ufsm.br<p>A região do Sahel consolidou-se, no início do século XXI, como um dos principais epicentros da instabilidade geopolítica global, marcada pela sobreposição de crises securitárias, humanitárias, ambientais e institucionais. Diante da natureza transnacional das ameaças e da fragilidade dos Estados sahelianos, a segurança regional passou a ser estruturada por meio de arranjos cooperativos que extrapolam o modelo tradicional centrado no Estado soberano. Nesse contexto, este artigo analisa a segurança regional no Sahel a partir da articulação entre a Teoria do Complexo de Segurança Regional (TCSR), a governança nultinível e a paradiplomacia, com foco na atuação da Força Conjunta do G5 Sahel (FC-G5S) e sua interação com a Operação Barkhane. Argumenta-se que o Sahel configura um laboratório de governança securitária fragmentada e multiescalar, no qual a autoridade e a tomada de decisão são compartilhadas entre atores locais, nacionais, regionais e internacionais. A partir de uma abordagem qualitativa e analítica, o artigo demonstra que, embora o G5 Sahel represente um esforço de apropriação regional da agenda de segurança, sua operacionalização ocorre dentro de uma arquitetura híbrida profundamente dependente de atores externos, o que gera tensões entre cooperação internacional, autonomia regional e legitimidade política. Conclui-se que a governança multinível oferece um arcabouço fundamental para compreender tanto os avanços quanto os limites das respostas regionais às ameaças transnacionais no Sahel.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96332Estupro e segurança internacional: o recorte de gênero na Segunda Guerra do Congo2026-06-03T17:41:35-03:00Maria Fernanda Fonseca de Oliveiramafefonsecaoliveira@gmail.comMaria Clara Junqueira Francomariaclarajunqueira0122@gmail.comCarolina Tombezi Moreiramoreiracarol3105@gmail.com<p>Este artigo investiga o uso do estupro como arma de guerra na Segunda Guerra do Congo, no contexto pós-Guerra Fria. Estima-se que, entre 1998 e 2003, cerca de 400.000 mulheres entre 15 e 49 anos tenham sido estupradas, consoante pesquisa realizada pelo American Journal of Public Health (2011). Assim, este trabalho considera as múltiplas motivações do conflito: instabilidade política, intervenção militar de países vizinhos, disputa por recursos minerais, impactos do genocídio de Ruanda, pobreza endêmica e guerras por procuração. Tais fatores, aliados à hipersexualização e objetificação do corpo feminino, levaram ao uso sistemático da violência sexual como estratégia militar. O estudo dialoga com as análises de gênero e militarismo de Cynthia Enloe e com as contribuições de Barry Buzan para os estudos de segurança internacional, contrastando perspectivas tradicionais e críticas. Portanto, o objetivo geral é analisar criticamente o uso sistemático do estupro como arma de guerra na Segunda Guerra do Congo, para demonstrar a insuficiência do enquadramento tradicional de segurança e propor a perspectiva de gênero como questão de segurança humana. A pesquisa, baseada em estudo de caso, revisando fontes primárias e secundárias, contribui para o reconhecimento da violência sexual em conflitos como questão central de segurança humana e internacional.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96376Serviço social e paz positiva no Brasil: desigualdade e violência estrutural2026-06-03T17:41:27-03:00Lorenzo Batista de Souza Ribeirolorenzo.ribeiro@acad.ufsm.br<p>Este trabalho analisa a relação entre paz positiva, violência estrutural e desigualdade social no Brasil, tomando como recorte temporal o período de 2016 a 2022, marcado pelo aprofundamento das políticas neoliberais e pelo desmonte das políticas de proteção social. Fundamentado na teoria da paz positiva de Johan Galtung, o estudo articula contribuições do pensamento social crítico e do Serviço Social brasileiro para compreender como a desigualdade se constitui como expressão histórica da violência estrutural. A análise evidencia que, no período investigado, a austeridade fiscal e a seletividade das políticas públicas intensificaram processos de exclusão social, configurando uma racionalidade necropolítica que administra de forma desigual a vida e a morte, sobretudo entre populações racializadas e periféricas. Conclui-se que a paz positiva, quando apropriada criticamente a partir da realidade latino-americana e articulada à prática profissional do Serviço Social, constitui um instrumento analítico e político fundamental para o enfrentamento da violência estrutural e para a afirmação dos direitos sociais como condição indispensável à construção de uma sociedade justa e democrática.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/95949A guerra da Ucrânia como catalisador da transição energética e da multipolaridade no sistema internacional2026-06-09T16:16:00-03:00João Pedro Bandeira Soaresjoao.bandeira@acad.ufsm.brSofia Golfeto Schroedersofiags0812@gmail.com<p>A invasão russa à Ucrânia em 2022 representou um divisor de águas para a ordem internacional, impactando a segurança energética europeia e a configuração do sistema multipolar. Este trabalho analisa como o conflito influenciou a transição energética da União Europeia (UE) e as dinâmicas geopolíticas de equilíbrio de poder global. No campo energético, as sanções e a redução do fornecimento de gás russo geraram a reativação temporária do carvão, mas aceleraram investimentos em energias renováveis e a busca por parceiros extrarregionais para reduzir a dependência estrutural de Moscou (Lemos, 2024; Castilho, 2022). No plano geopolítico, o conflito explicitou o reposicionamento estratégico da Rússia rumo à Ásia e intensificou o confronto com a hegemonia norte-americana. Sob a ótica do realismo ofensivo de Mearsheimer (2001), a guerra é compreendida como uma disputa por influência que revela tendências de multipolarização da ordem global (Carmona, 2022). Metodologicamente, o estudo utiliza revisão bibliográfica e análise documental.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96164O Terceiro Reich e o MAGA: uma análise comparativa de estratégias políticas2026-06-09T16:34:07-03:00Maria Luiza Costa de Oliveiramaria-oliveira.mo@acad.ufsm.br<p>O presente trabalho tem como objetivo analisar as convergências entre os fatores sociais, econômicos e políticos que propiciaram a ascensão do Nazismo na Alemanha (1933-1945) e do Trumpismo nos Estados Unidos (2015-presente). A pesquisa busca compreender como Adolf Hitler e Donald Trump empregaram estratégias para instigar o ultranacionalismo de extrema-direita, visando à conquista do poder. A relevância do estudo está em evidenciar como tais fenômenos apresentam dinâmicas semelhantes de mobilização política, contribuindo para o entendimento da persistência do populismo autoritário no mundo contemporâneo. Pretende-se examinar como esses fatores influenciaram a ascensão desses líderes, as alterações no panorama internacional e as estratégias políticas utilizadas por ambos. A metodologia inclui pesquisa bibliográfica, análise documental e uma análise de conjuntura comparativa para os cenários de 1933 e da atualidade. O estudo identifica padrões retóricos, como os slogans “Ein Volk, ein Reich, ein FührerI” e “Make America Great Again”, mapeia o uso da mídia, da retórica política e do culto à personalidade. Os resultados preliminares mostram paralelismos: o uso estratégico da mídia, a mobilização por meio da retórica e o papel central do líder contribuíram para a ascensão desses líderes políticos e para a ampliação de movimentos populistas e extremistas em suas respectivas épocas.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96205Reggaeton como expressão cultural latino-americana: identidade, resistência e soft power2026-06-09T16:47:37-03:00Jordana Dorneles Guedesjordana.guedes@acad.ufsm.br<p>O presente artigo analisa o reggaeton como expressão cultural latino-americana, compreendendo-o como um fenômeno social, artístico e político que articula identidade, resistência e soft power no contexto da globalização contemporânea. Inserido no campo das Relações Internacionais, o estudo dialoga com os eixos de cultura, poder simbólico e colonialidade, buscando compreender de que modo expressões musicais oriundas de contextos periféricos podem atuar como instrumentos de influência internacional. A partir de uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, fundamentada em revisão bibliográfica e análise cultural, o trabalho se baseia nas teorias de Néstor García Canclini, Stuart Hall, Ángel Quintero Rivera, Deborah Pacini Hernández e George Yúdice para interpretar o reggaeton como produto da modernidade híbrida latino-americana. O artigo contextualiza a origem histórica do gênero, sua evolução estética e temática, bem como sua inserção na indústria musical global, destacando a valorização do idioma espanhol, dos sotaques regionais e das narrativas subalternizadas. Também são analisadas as tensões entre resistência cultural e mercantilização, evidenciando como o reggaeton, mesmo inserido no mainstream, mantém-se como espaço de disputa simbólica frente ao colonialismo moderno. Conclui-se que o reggaeton constitui uma forma relevante de afirmação identitária e de projeção cultural da América Latina no cenário internacional, contribuindo para ampliar o debate sobre cultura e poder nas Relações Internacionais.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/95917Ações municipais no combate à fome no Rio Grande do Sul: conexões com a Agenda Internacional (2020-2025)2026-06-09T16:16:03-03:00Carla Nascimento de Oliveiracarla.nascimento@acad.ufsm.brIsabelle Simão Branchiisabelle.branchi@acad.ufsm.br<p>Este trabalho investiga a atuação de prefeituras e Conselhos Municipais de Segurança Alimentar e Nutricional (COMUSAN) no combate à fome, relacionando-a aos compromissos internacionais, como o ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável) da Agenda 2030. O estudo se delimita ao Rio Grande do Sul, focando o período dos últimos cinco anos, marcado por crises institucionais e sanitárias. A pesquisa incide em polos de diferentes perfis: Porto Alegre (capital), Santa Maria (centro regional) e os municípios da Quarta Colônia (pequeno porte). O objetivo central é analisar o contraste na institucionalização do arranjo local e como essa variação contribui para a efetivação do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA). Para isso, a análise busca comparar o arcabouço legal do SISAN e a atuação dos Conselhos entre as distintas realidades, investigando a conexão das políticas locais com as metas do ODS 2. O tema é relevante por fornecer subsídios à governança, evidenciando as assimetrias regionais. A metodologia é qualitativa e exploratória, combinando revisão bibliográfica com análise documental de legislações e decretos, por meio da sistematização e comparação. Os resultados indicam que o SISAN é mecanismo estratégico, e a convergência com o ODS 2 fortalece a legitimidade das políticas, apesar da disparidade de implementação.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96156Como a literatura auxilia na compreensão da relação atual entre Japão e Coréia do Sul2026-06-09T16:34:15-03:00Bibiana de Oliveira Schittlerbibiana.schittler@acad.ufsm.br<p>A obra Herdeiras do Mar, demonstra a realidade enfrentada pelas “mulheres de consolo”, meninas coreanas sequestradas por soldados japoneses para servir como escravas sexuais em campos militares. Esse livro, embora ficcional, possui como plano de fundo o contexto histórico da ocupação japonesa na Coreia do Sul, o qual perdurou entre os anos de 1910 e 1945. O objetivo deste artigo é entender como esta obra pode ajudar a compreender a relação contemporânea entre os países, com enfoque nas reparações históricas devido aos eventos ocorridos na Segunda Guerra Mundial. A pesquisa está situada na área de História das Relações Internacionais e adota uma abordagem qualitativa, de caráter descritivo, fundamentada em revisão bibliográfica de livros especializados e artigos científicos. No ano de 2015, o Japão propôs um acordo de caráter “final e irreversível”, no qual idenizaria às vítimas ainda vivas, contudo exigia a remoção de todas as estátuas erguidas em memória destas mulheres. A população coreana manifestou-se contrária à assinatura deste tratado, considerando-o uma tentativa de apagamento histórico das violações. Conclui-se, portanto, que questões não resolvidas internacionalmente e acordos políticos negligentes, podem invisibilizar sofrimentos civis em períodos de guerra.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96191Ferrogrão (EF-170): licitação, meio ambiente e interesse estratégico chinês2026-06-09T16:47:40-03:00Mariane Martins Francesquettomariane.francesquetto@acad.ufsm.brJulia Beatriz Brum de Souzajulia.brum@acad.ufsm.br<p>A pesquisa analisa os investimentos estrangeiros em infraestrutura no Brasil a partir do estudo de caso do Projeto Ferrogrão (EF-170), examinando documentos da audiência pública e do processo de licitação (BRASIL, 2025). Parte-se do pressuposto de que, embora o projeto busque ampliar a integração logística e a competitividade das exportações, ele também gera impactos socioambientais significativos sobre ecossistemas sensíveis e comunidades tradicionais, especialmente povos indígenas (OBSERVATÓRIO DE OLHO NO XINGU, 2024). O interesse brasileiro na participação de estatais chinesas relaciona-se à busca por capital estrangeiro e pela aceleração da entrega da infraestrutura, ainda que essa inserção dialogue com a lógica do sistema-mundo capitalista (WALLERSTEIN, 2004; ARRIGHI, 2007). A questão central é se a presença chinesa na Ferrogrão reproduz padrões extrativistas e hegemônicos ou se representa uma alternativa mais sensível às dimensões socioambientais e à regulação brasileira. A análise é aprofundada por meio do diálogo com as abordagens críticas das TWAIL (Third World Approaches to International Law) e das FWAIL (Fourth World Approaches to International Law), que permitem problematizar o papel do Direito Internacional do Meio Ambiente na reprodução de assimetrias globais e na marginalização de saberes e direitos de povos indígenas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa, baseada em análise documental e estudo de caso, apoiada também em revisão bibliográfica sobre o sistema-mundo, a presença da China na América Latina e os impactos da expansão ferroviária na Amazônia. Os resultados parciais apontam que a Ferrogrão se insere em um modelo de neoextrativismo, voltado à exportação de commodities com baixo processamento, beneficiando grandes tradings internacionais (RODRIGUES; LUZ, 2024). Apesar do discurso oficial de mitigação, análises independentes indicam impactos socioambientais amplos e fragilidade nas salvaguardas ambientais e de direitos indígenas (OBSERVATÓRIO REDE XINGU, 2023). Tais evidências sugerem uma atuação chinesa mais alinhada às potências centrais do sistema-mundo do que a um modelo alternativo de desenvolvimento.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96377Entre ferros e madeiras: modernização da Marinha Brasileira na Batalha do Riachuelo (1865)2026-06-03T17:33:04-03:00Gabriela Graef Kuhngabriela.graef@acad.ufsm.brLuana Jung Bressanluana.bressan@acad.ufsm.br<p>O presente trabalho investiga de que forma as inovações nas tecnologias de guerra influenciam resultados finais, tomando como estudo de caso a Batalha Naval do Riachuelo, ocorrida nas águas do Rio Paraná, em 1865. O objetivo geral da pesquisa é compreender de que forma os avanços nas embarcações, como o casco de aço na frota brasileira, modificaram os rumos da guerra. A base teórica do trabalho compreende a teoria realista ofensiva, na qual o enfoque no poder naval é essencial para a modificação da distribuição de poder no conflito. A abordagem é indutiva, partindo de um premissa específica para atingir uma conjuntura geral, e a técnica de pesquisa é bibliográfica, fundamentada na análise crítica de leitura especializada. São utilizadas fontes primárias e secundárias, como diários de guerra, jornais, livros, artigos acadêmicos e relatórios, abordando diferentes visões sobre a Guerra do Paraguai e seus resultados. Verificou-se que os avanços tecnológicos da frota brasileira, como a introdução do casco de aço, confirmam a perspectiva da teoria realista ofensiva, ao demonstrar como a modernização do poder naval pode redefinir a correlação de forças em um conflito armado.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96087Violência sistêmica e produção de sentido: uma leitura enativa da questão Palestina2026-06-09T16:15:58-03:00Alexandre Cassiano Planke Barthalexandre_barth@hotmail.com<p>A violência sistêmica de larga escala em curso na Palestina evidencia a insuficiência dos marcos analíticos tradicionais das Relações Internacionais, centrados prioritariamente em estruturas estatais e institucionais em detrimento da experiência concreta e corporificada dos sujeitos. Este trabalho propõe tensionar essas limitações a partir do enativismo, abordagem segundo a qual a cognição emerge da relação situada entre organismos e ambiente. Nessa perspectiva, busca-se compreender a violência como um fenômeno que articula cognição corporificada, intersubjetividade e produção de sentido. O objetivo central consiste em analisar os limites e as potencialidades da teoria enativa diante de formas extremas de violência, tendo como caso concreto o extermínio da população palestina, tomando como eixo analítico o conceito de participatory sense-making. Tal conceito permite compreender a violência sistêmica como produto de acoplamentos materiais e discursivos que estruturam regimes de destruição e, simultaneamente, possibilitam formas imanentes de resistência. Ao integrar epistemologias críticas do campo das Relações Internacionais e a teoria enativa, o artigo propõe um deslocamento epistemológico na área, reinscrevendo o corpo, a vulnerabilidade e a experiência corporificada como dimensões analíticas relevantes para a compreensão da violência contra o povo palestino.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96173Narcoturismo em Medellín: desafio à imagem internacional da Colômbia e à segurança humana2026-06-09T16:34:05-03:00Camila Bönmanncamila.bonmann@gmail.com<p>A forte presença do narcotráfico na Colômbia, especialmente em Medellín com a figura de Pablo Escobar, deixou marcas profundas na imagem internacional do país. Na última década, a cidade passou por um processo de ressignificação identitária, impulsionado pelo turismo de memória. Nesse contexto, o presente trabalho busca analisar como o narcoturismo impacta na imagem internacional do país e nas dinâmicas de segurança humana. Assim, utiliza-se como referência a lente da Teoria da Securitização e da segurança humana. Portanto, o objetivo geral é compreender como a exploração da memória do narcotráfico molda narrativas externas sobre Medellín e como afeta sua população. Para isso, o recorte temporal, de 2015 a 2023, justifica-se pelo lançamento da série Narcos (Netflix, 2015), que projetou o imaginário da cidade e elementos de soft power, e pelo Acordo de Paz com as FARC (2016), marcando o pós-conflito. Ainda, a pesquisa adota uma metodologia qualitativa com base em análise documental e revisão bibliográfica, utilizando reportagens nacionais e internacionais. Assim, como resultado espera-se evidenciar que o narcoturismo reforça estigmas associados a violência, limitando a diversificação da imagem internacional colombiana e espetacularizando a memória da população local.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96206A intervenção dos Estados Unidos na Somália (1992-1995): limites da imposição da paz e seus impactos no estado somali2026-06-03T17:50:02-03:00Laryssa Andrade Cavalheirolaryssa.cavalheiro@acad.ufsm.brMaria Luiza Seffrinmaria-luiza.seffrin@acad.ufsm.br<p>A intervenção dos Estados Unidos na Somália, entre 1992 e 1995, tornou-se um marco na transformação das operações de paz no pós-Guerra Fria e um exemplo de suas contradições. Iniciada com a Operation Restore Hope, autorizada pela ONU para assegurar a distribuição de ajuda humanitária, a missão rapidamente adquiriu caráter coercitivo com a UNOSOM II, quando o uso da força passou a ser empregado em um contexto de guerra civil. Este estudo, portanto, tem como objetivo analisar criticamente a intervenção dos Estados Unidos na Somália (1992–1995), compreendendo suas causas, a forma como ocorreu e seus impactos sobre o Estado somali. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, fundamentada na análise de fontes primárias, como relatórios da ONU e a Carta das Nações Unidas, e em revisão bibliográfica de estudos acadêmicos. Os resultados indicam que a experiência somali evidenciou as contradições da intervenção humanitária, marcada pelo uso crescente da força e pela ausência de compreensão das dinâmicas locais.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96251Diplomacia Triangular e o ciclo sistêmico de acumulação estadunidense (1969-1975)2026-06-03T17:41:36-03:00Ana Júlia Freitas Gomesgomes.ana@acad.ufsm.brFelipe Hübner Rodrigues Alvimfelipehubner1605@gmail.com<p>Com a presente pesquisa, buscaremos examinar a possível correlação entre a diplomacia triangular dos EUA, China e URSS (1969-1975) e a transição da fase de expansão material da economia-mundo capitalista – liderada pela hegemonia estadunidense – à fase de expansão financeira, fundamentando a análise nos ciclos sistêmicos de acumulação de Giovanni Arrighi. A partir disso, verificamos que a estratégia da Diplomacia Triangular, arquitetada por Richard Nixon e Henry Kissinger, utilizava a tensão sino-soviética para assegurar o interesse estadunidense, visto que as duas potências socialistas romperam relações em 1969. Por outro lado, China e URSS percebiam uma possível crise da hegemonia tendo em vista fatores como o fim do sistema Bretton Woods, o revés estadunidense na Guerra do Vietnã e a Crise do Petróleo de 1973. Portanto, sustentamos a hipótese de que a aproximação dos Estados Unidos com os Estados socialistas evidencia a transformação estrutural da economia-mundo capitalista, da fase de expansão material para expansão financeira, percebida pelos atores no início da década de 1970, representada pelo decréscimo da exportação de capital-mercadoria e necessidade de transição ao capital financeiro.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96533Expediente2026-05-01T15:23:36-03:00José Renato Ferraz da Silveirajreferraz@hotmail.com2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96352Editorial2026-04-20T17:41:41-03:00José Renato Ferraz da Silveirajose.silveira@ufsm.br<p> </p> <p> </p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96649Entrevista com Augusto César Dall'Agnol2026-05-09T20:58:04-03:00Augusto César Dall'Agnola.agnol@gmail.comJosé Renato Ferraz da Silveirajreferraz@hotmail.com<p>A entrevista concedida por Augusto C. Dall’Agnol à InterAção oferece uma análise profunda e estratégica sobre os desafios da defesa e da segurança pública no Sul Global, destacando os impactos da fragmentação institucional, os limites da militarização da segurança interna e a necessidade de construção de capacidades estatais duradouras. Ao longo da entrevista, o autor demonstra como a ausência de coordenação entre forças armadas, polícias, sistemas de inteligência e estruturas civis compromete a eficiência do Estado, enfraquece mecanismos democráticos de controle e amplia zonas de ambiguidade institucional. O debate também enfatiza a importância do planejamento estratégico de longo prazo, da profissionalização das burocracias civis e da articulação entre defesa, política industrial, ciência, tecnologia e autonomia estratégica. Dall’Agnol argumenta que a consolidação de políticas eficazes depende da capacidade do Estado de transformar defesa e segurança em políticas permanentes de Estado — e não apenas respostas conjunturais submetidas às pressões eleitorais e à volatilidade política. Outro eixo central da entrevista reside na análise das relações civil-militares e nos desafios impostos pela importação de modelos externos de segurança pública e defesa para contextos marcados por desigualdade, fragmentação administrativa e instituições frágeis. O autor sustenta que soluções importadas, quando desconectadas das realidades sociais e institucionais locais, tendem a produzir resultados limitados e frequentemente aprofundam problemas estruturais já existentes. Com sólida fundamentação teórica e forte capacidade analítica, a entrevista contribui de maneira significativa para os debates contemporâneos sobre governança, soberania, capacidades estatais e segurança no Sul Global, reafirmando a importância de pensar defesa e segurança pública a partir das especificidades históricas, institucionais e estratégicas das sociedades periféricas.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/96697Entrevista com Marcelo Lorenzini Zucco2026-06-03T17:32:59-03:00Marcelo Lorenzini Zuccomlzucco589@gmail.comAna Luíza Rocha Portoanaluizarochaporto@gmail.comHelena Magnabosco Camillohelenamagnaboscocamillo@hotmail.comJoão Gabriel Birck da Silvajoaogabriel.contato22@gmail.comFernando Speggiorin Martinifernando1671@yahoo.com.brJosé Miguel Quedi Martinsjose.martins@ufrgs.brJoão Gabriel Burmann da Costajgburmann@gmail.com<p>No dia 09 de dezembro de 2025, o General de Divisão Marcelo Lorenzini Zucco concedeu uma entrevista aos alunos do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Ana Luíza Rocha Porto, Helena Magnabosco Camillo e João Gabriel Birck da Silva. Os estudantes são participantes da Oficina de Estudos Estratégicos (OEE), atividade de extensão coordenada pelo professor Dr. José Miguel Quedi Martins, que esteve presente na ocasião com o professor Me. João Gabriel Burmann da Costa, ambos professores vinculados à UFRGS.</p> <p>A entrevista teve como tema central a Operação Taquari II, realizada em 2024 no contexto das enchentes no Rio Grande do Sul. Na ocasião, o General Zucco atuava como Chefe do Centro de Operações, no âmbito do Comando Conjunto Taquari II, comandado pelo General de Exército Hertz Pires do Nascimento, então Comandante Militar do Sul.</p> <p>Natural de Bento Gonçalves-RS, o General Zucco incorporou às fileiras do Exército em 1989 e possui uma vasta experiência profissional, tendo exercido diversos cargos e comandado distintas organizações militares. Entre suas principais funções, destacam-se o comando do 5º Pelotão Especial de Fronteira, em Auaris-RR, do 16º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, em Francisco Beltrão-PR, do 14º Regimento de Cavalaria Mecanizado, em São Miguel do Oeste-SC, e do 3º Grupamento Logístico, em Porto Alegre-RS. Como oficial-general, comandou a 1ª Brigada de Infantaria de Selva, em Boa Vista-RR, chefiou o Centro de Coordenação de Operações e o Estado-Maior do Comando Militar do Sul e atualmente comanda a 2ª Divisão de Exército, em São Paulo-SP.</p> <p>No exterior, foi instrutor no Centro Argentino de Treinamento Conjunto para Operações de Paz, na Argentina, frequentou o Curso de Estudo de Defesa Estratégica, em Changping, na República Popular da China, e participou do 13º Contingente da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti. Possui diversos cursos e condecorações militares, entre eles o Curso de Comando e Estado-Maior da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, o Curso de Operações na Selva, o Curso de Observador Aéreo, além de mestrado e doutorado em Ciências Militares.</p> <p>Ao longo da conversa, o general tratou de diversos temas e compartilhou um pouco de sua experiência na Operação Taquari II, com destaque para a atuação das Forças Armadas em apoio à população atingida naquela que foi a maior operação de apoio humanitário já realizada pelo Exército Brasileiro (EB), em uma das maiores calamidades enfrentadas no Brasil.</p>2026-06-01T00:00:00-03:00Copyright (c) 2026