InterAção https://periodicos.ufsm.br/interacao <p style="text-align: justify;">A InterAção é um periódico de comunicação acadêmico-científica de Relações Internacionais, do Grupo de Teoria, Arte e Política (GTAP), veiculada em meio digital. A InterAção tem publicação contínua com quatro (4) números a cada ano (podendo ter números especiais), que tem por finalidade publicar entrevistas inéditas, artigos, ensaios e resenhas, originais nas temáticas compreendidas pela disciplina/campo das Relações Internacionais, e áreas afins como Ciência Política, História, Geografia, Filosofia, Comunicação Social, Tecnologia da Informação, Segurança Internacional, Estudos Estratégicos, Geopolítica, Economia Política Internacional e etc. </p> <p style="text-align: justify;"><strong>ISSN 2357-7975 | Qualis/CAPES (2021-2024) = A3</strong></p> Universidade Federal de Santa Maria pt-BR InterAção 2178-1842 Labubu como agente do soft power chinês https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/95029 <p>O artigo analisa como o brinquedo Labubu pode ser considerado um agente de <em>soft power</em> chinês ao induzir novas perspectivas sobre a China contemporânea. A questão que permeia a análise é de que maneira as características estéticas associadas ao Labubu contribuem para modificar as percepções internacionais sobre a China e fortalecer sua influência cultural. A análise utiliza conceitos sob a rubrica do <em>Cute Studies</em> (Estudos da Fofura) associado a uma revisão bibliográfica interdisciplinar que articula relações internacionais, economia política e estudos culturais, examinando dados sobre o fenômeno do Labubu e políticas estratégicas chinesas como o <em>Made in China 2025</em>. O artigo sugere que o Labubu emerge como instrumento de diplomacia cultural, onde a sua estética “fofa” opera suavizando o pensamento crítico ao gerar conexões emocionais, enquanto estabelece uma nova imagem sobre a China como produtora de bens de desejo e capital cultural. Trata-se de um fenômeno que ocorre em paralelo às estratégias econômicas e tecnológicas do país, deslocando a visão da China como “fábrica do mundo” para potência em inovação e cultura, com impactos em sua posição geopolítica. Assim, o Labubu é um exemplo de que objetos aparentemente triviais podem ser, na verdade, vetores de influência política transnacional por meio da economia afetiva.</p> André Vasques Vital Stella Julia Cruz Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e95029 e95029 10.5902/2357797595029 Oportunidades e desafios para extensão universitária em Relações Internacionais com municípios https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94073 <p>Este trabalho discute as oportunidades e desafios relacionados à extensão universitária nos cursos de Bacharelado em Relações Internacionais no contexto das ações internacionais municipais. A internacionalização dos entes como municípios e estados federados ampara-se no conceito de cooperação internacional descentralizada (CID), entendida como a colaboração entre instituições subnacionais de diferentes países para a solução de problemas e desafios comuns. O conceito de paradiplomacia também é utilizado quando tais ações são amparadas pelo estabelecimento de estruturas institucionais. A pergunta orientadora deste trabalho é: quais as oportunidades e desafios para a extensão universitária nos cursos de Relações Internacionais alinhadas à agenda municipal? Por meio da abordagem qualitativa, baseada em fontes primárias e secundárias, o caso do município de Pelotas-RS-Brasil, onde está estabelecido o curso de Relações Internacionais da UFPel, foi analisado no ano de 2023 pela matriz SWOT e TOWS para a identificação dos fatores internos (forças e fraquezas) e fatores externos (oportunidades e ameaças), a partir das percepções da Diretora de Relações Internacionais da Prefeitura Municipal de Pelotas e da Coordenadora do Curso de Bacharelado em Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A análise permite considerar que a extensão universitária nos cursos de Relações Internacionais é uma importante ferramenta para o apoio e continuidade da agenda internacional municipal. Contudo, é preciso haver compromisso institucional das pessoas e entes envolvidos e, preferencialmente, que os projetos e ações sejam formalizados por meio de Acordos de Cooperação ou Convênios. A parceria entre a UFPel e a Prefeitura Municipal de Pelotas revela elevado potencial estratégico para impulsionar a internacionalização, articulando desenvolvimento local, inovação institucional e formação qualificada em Relações Internacionais.</p> Silvana Schimanski Esmeralda Canhada de Góz Faria Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e94073 e94073 10.5902/2357797594073 Aproximações entre educação do campo e Tecnologia Social na Educação em Ciências https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94983 <p>A Tecnologia Social (TS) tem ganhado destaque nas pesquisas em Educação em Ciências por favorecer práticas pedagógicas contextualizadas e emancipadoras, alinhadas às demandas comunitárias. No âmbito da Educação do Campo (EdoC), essa discussão se torna ainda mais relevante, dada a proximidade entre os princípios da TS e as especificidades dos territórios campesinos. Assim, este estudo teve como objetivo analisar as contribuições da aproximação entre EdoC e TS para a Educação em Ciências, na perspectiva freireana, a partir de artigos publicados entre 2014 e 2025. Metodologicamente, realizamos um levantamento bibliográfico nas bases <em>Redalyc</em> e <em>SciELO</em>, identificando 21 trabalhos após a adoção de critérios de seleção. Os quais foram analisados por meio da Análise Textual Discursiva, estruturada nas categorias: i) problematização e contextualização das ações educativas; ii) interdisciplinaridade nas práticas pedagógicas; e iii) compromisso com a transformação social. Dentre os resultados, observamos que os estudos abordam essas temáticas de forma fragmentada. Percebemos que seis trabalhos contemplam integralmente a categoria i, ao evidenciar práticas situadas nas especificidades do contexto rural. Apenas três atendem de modo completo às categorias ii e iii, ao enfatizarem a necessidade de práticas interdisciplinares e ações voltadas à transformação social nas comunidades campesinas. Constatamos, portanto, que a produção acadêmica sobre o tema ainda é incipiente, embora apontem possibilidades de inclusão da TS na perspectiva freireana no campo das Ciências, sobretudo na EdoC para fortalecer as práticas educativas emancipatórias nas comunidades do campo.</p> Janille da Costa Pinto Miguel Guilhermino Archanjo Junior Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e94983 e94983 10.5902/2357797594983 Mulheres atletas brasileiras: políticas e ações de inclusão https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91924 <p>O estudo tematiza a inclusão equitativa de mulheres atletas no esporte brasileiro, com objetivo de analisar, a partir da literatura científica nacional especializada, as políticas e práticas de inclusão existentes voltadas à participação profissional de atletas nas práticas esportivas e competições. O problema de pesquisa consiste em identificar quais são as políticas e práticas de inclusão para mulheres atletas no esporte profissional brasileiro. A expectativa é possibilitar a compreensão das políticas e práticas de inclusão de mulheres atletas no esporte profissional brasileiro frente a possíveis atos discriminatórios. Espera-se identificar dados que indiquem a eficácia das políticas e práticas de inclusão existentes ou indícios que possibilitem a estruturação de políticas e práticas de inclusão setoriais e multissetoriais. Trata-se de uma revisão narrativa de literatura. O estudo aponta a existência de discriminação à inclusão equitativa de mulheres nas carreiras esportivas, sobretudo no que se refere ao investimento financeiro e desigualdade salarial, à baixa representatividade de mulheres em cargos de gestão e treinamento, bem como à estereotipação e sexualização das atletas. Poucas políticas de inclusão existem no Brasil, concentrando-se na concessão de bolsas para atletas estudantes. São indicadas políticas futuras propostas pelo Comitê Olímpico Brasileiro, ainda em fase de implementação no país. O estudo contribui ao evidenciar os principais gargalos de desigualdade de gênero nas carreiras esportivas e ao sistematizar propostas de políticas para a inclusão equitativa de mulheres. Como limitação, destaca-se a ausência de dados relativos à raça/etnia, classe social e identidade de gênero, recomendando-se que pesquisas futuras incorporem esses recortes analíticos.</p> Leilane Serratine Grubba Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e91924 e91924 10.5902/2357797591924 O viés na inteligência artificial generativa: falha técnica ou construção discursiva? https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93670 <p>A inteligência artificial generativa (IAG) tem provocado debates sobre seus vieses éticos, culturais e algorítmicos, com explicações geralmente centradas em dados de treinamento ou na arquitetura do modelo. Este artigo, no entanto, propõe uma abordagem distinta. Ancorado na teoria retórica do gênero de Devitt e no dialogismo de Bakhtin, o estudo compreende o viés como um fenômeno discursivo que emerge na interação, analisando a produção da IAG como uma “ação social tipificada”. Argumenta-se que, ao performar gêneros discursivos, suas respostas incorporam os valores e padrões culturais neles presentes, e que práticas como o “viés de prompt” e vieses cognitivos do usuário, como o de confirmação, contribuem para ciclos de reforço enviesado. Conclui-se que a mitigação do viés ultrapassa soluções técnicas, exigindo uma nova competência pedagógica: a literacia crítica em IAG, que capacita o usuário a atuar como mediador ético na interação dialógica com a tecnologia.</p> Ricardo Boone Wotckoski Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e93670 e93670 10.5902/2357797593670 Cartografia colonial e a anexação de Jabal Amil ao Grande Líbano https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93618 <p>A dissolução do Império Otomano e a imposição de novas fronteiras pelas potências coloniais remodelaram profundamente o Levante, criando novas unidades políticas sob patrocínio europeu, dentre estas, a anexação da região de maioria xiita, Jabal Amil, ao recém-criado Estado do Grande Líbano sob o Mandato Francês (1920). Ancorado nos Estudos Pós-Coloniais, este artigo analisa criticamente as repercussões sociopolíticas dessa anexação. A fundamentação teórica articula conceitos de colonialismo, construção de fronteiras e política confessional. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem qualitativa, combinando revisão bibliográfica especializada e análise documental de fontes primárias, incluindo publicações da revista al-Irfan e petições à Comissão King-Crane, permitindo acessar narrativas locais marginalizadas pelas historiografias oficiais. Os resultados evidenciam que a anexação intensificou a marginalização política e econômica dos xiitas, limitando seu acesso a cargos públicos e investimentos em infraestrutura, ao mesmo tempo em que enfraqueceu lideranças tradicionais e estimulou o surgimento de movimentos armados de resistência. A ruptura das redes comerciais com a Palestina acentuou o subdesenvolvimento regional, enquanto o sistema confessional institucionalizado favoreceu elites cristãs e sunitas. A discussão aponta que, apesar de concessões pontuais como a criação da Corte Jaafari, a estrutura de poder manteve padrões excludentes, perpetuando desigualdades. Conclui-se que a anexação de Jabal Amil ao Grande Líbano não apenas redefiniu fronteiras geográficas, mas também consolidou fronteiras sociais e políticas, cujas implicações moldam até hoje as dinâmicas de identidade e marginalização da comunidade xiita no Líbano.</p> Issam Rabih Menem Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e93618 e93618 10.5902/2357797593618 Hans Kelsen, a ontologia do dever-ser e o problema da divisão fática https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91858 <p>O presente trabalho explora a separação entre questões de fato e questões de direito no campo jurídico, destacando que, tradicionalmente, elas são tratadas como domínios distintos: enquanto as primeiras são associadas à imutabilidade da natureza, as últimas são compreendidas como produtos da linguagem humana para resolução de conflitos sociais. A teoria kelseniana, como exemplo de formalização jurídica, reforça essa separação, evidenciando a constituição de uma ontologia do dever-ser na modernidade. A hipótese do estudo é de que o dever-ser está intimamente vinculado ao direito moderno, o que implica repensar a dicotomia entre fato e direito. Como objetivo, pretende-se demonstrar, por meio da leitura bibliográfica da obra de Hans Kelsen, como a ciência jurídica pretende distinguir os domínios da natureza e do direito, apesar de ambos compartilharem uma mesma estrutura metafísica. Para tanto, o texto está dividido o trabalho em três seções. O estudo conclui que a cisão entre o ser e o dever-ser é central para a edificação do sentido moderno de direito.</p> José Mauro Garboza Junior Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e91858 e91858 10.5902/2357797591858 O modernismo mineiro: Conjunto Moderno da Pampulha, referência da arquitetura brasileira https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94344 <p>Este artigo apresenta o Conjunto Moderno da Pampulha, consagrado como Patrimônio Mundial, quanto a sua significância cultural em valores histórico e estético (relativo) (Riegl, 2014), alinhando-se aos critérios da Carta de Burra (2013). Sua relevância transcende o pioneirismo formal, da vanguarda internacional com sensibilidade singular para com a paisagem e a cultura mineiras. A compreensão desta obra é ampliada ao aplicarmos o conceito de "Saber Local" de Clifford Geertz (1978), que demonstra como o significado da arquitetura modernista mineira está enraizado nas experiências coletivas da comunidade. Complementarmente, a teoria da recepção de Hans Robert Jauss, em seu "horizonte de expectativas", ilumina como o conjunto arquitetônico provoca um estranhamento produtivo, a Pampulha não apenas transformou a percepção arquitetônica em Minas Gerais, mas também conferiu seu caráter artístico e de status social às residências mineiras. Essa abordagem – Geertz (1978) e Jauss (1994) – revela como a arquitetura modernista mineira, longe de ser uma imitação passiva, reinterpretou criativamente os preceitos modernos à luz do contexto local, gerando uma produção de caráter precursor e excepcional valor patrimonial, cuja recepção continua a evoluir e a ressignificar sua importância histórica.</p> Renata Maria de Abrantes Baracho Soraia Aparecida Martins Farias Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e94344 e94344 10.5902/2357797594344 A deslegitimação da liderança estadunidense a partir do Iraque: de Reagan aos primeiros anos de Biden (1981-2022) https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93698 <p>Este artigo analisa como a busca por interesses energéticos no Iraque deslegitimou a liderança internacional dos EUA entre o governo Reagan (1981-1989) e os dois primeiros anos de Biden (2021-2022). Utilizando o conceito de chantagismo, argumenta-se que Washington criou, fomentou e depois combateu os perigos que supostamente buscava conter, ofertando proteção a ameaças que em parte eram resultado de suas próprias ações. O estudo percorre três momentos principais: 1. a sustentação de Saddam Hussein como aliado na Guerra Irã-Iraque (1980-1988), com destaque para o Escândalo Irã-Contras; 2. a desestabilização provocada pela Guerra do Golfo (1990-1991); 3. a ocupação do Iraque (2003-2011), que agravou a fragmentação política, econômica e social do país; e 4. o semi-abandono da proteção estadunidense no período pós-2011, marcado pela ascensão do Estado Islâmico, crescente dependência energética chinesa e pressões político-econômicas de Washington sobre Bagdá. O artigo conclui que, embora os EUA tenham oferecido ajuda e segurança em diversos momentos, sua política para o Iraque consolidou um padrão de intervenções unilaterais, destruição institucional e perda de legitimidade, abrindo espaço para a projeção de outras potências, como a China.</p> Lucas Oliveira Pocci Mohammed Nadir Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e93698 e93698 10.5902/2357797593698 Inventando as mulheres negras no ciberespaço: entre os algoritmos e o contar de si https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/92643 <p>Este artigo propõe debater a complexa dinâmica da presença das mulheres negras no ciberespaço, analisando como as plataformas digitais e seus algoritmos influenciam suas representações e experiências. Embora as redes sociais ofereçam oportunidades valiosas para autoexpressão e ativismo, essas mulheres ainda enfrentam desafios significativos, como sub-representação, perpetuação de estereótipos racistas e sexistas e violência digital. Por meio de análise crítica de estudos de caso e exemplos contemporâneos, este trabalho demonstra que as estruturas algorítmicas das plataformas não apenas refletem, mas também amplificam as desigualdades sociais existentes. Contudo, o ciberativismo pode funcionar como poderosa ferramenta de resistência e ressignificação, permitindo a construção de narrativas autênticas e emancipatórias para as mulheres negras.</p> Gerbson da Silva Lima Kalina Vanderlei Silva Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e92643 e92643 10.5902/2357797592643 Teias de resistência: mulheres quilombolas no ensino superior https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/92853 <p>O artigo apresenta fatores interferentes na permanência universitária de mulheres negras quilombolas, considerando as interseccionalidades de raça, gênero e classe. Para isso, foram realizadas entrevistas com quatro estudantes que ingressaram na universidade através de processo seletivo específico para quilombolas, e as narrativas obtidas foram interpretadas à luz da fenomenologia Merleau-Pontyana. Os resultados revelam que essas mulheres enfrentam barreiras significativas na universidade, relacionadas tanto à sua identidade quilombola quanto à luta pelo acesso ao sistema educacional. As barreiras identificadas incluem preconceito racial, falta de apoio institucional e desafios socioeconômicos, que dificultam a permanência e diplomação dessas mulheres. Conclui-se que é fundamental reconhecer e abordar essas interseccionalidades para promover um ambiente universitário mais inclusivo e equitativo. Este estudo destaca a importância de políticas educacionais que considerem as especificidades das mulheres negras quilombolas, contribuindo para o avanço das discussões sobre equidade no acesso e permanência no ensino superior.</p> Cynthia Cristina Nascimento Maria Aparecida Rezende Ana Cláudia Campos Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e92853 e92853 10.5902/2357797592853 Um mosaico historiográfico dos estudos sobre o livro didático de História e a História da África https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/92718 <p>Os estudos sobre o livro didático de História emergem como uma rica tapeçaria de investigações, revelando camadas de significados que ultrapassam a mera função pedagógica desse instrumento educacional. Nosso objetivo fora mapear e problematizar o escopo epistemológico que permeia a historiografia voltada para o livro didático de História, investigando as questões e as reflexões no que tange à temática da História da África nas pesquisas acadêmicas realizadas entre 2008 e 2021, disponíveis no repositório da Coordenação de Aperfeiçoamento de Nível Superior (CAPES). O recorte temporal justifica-se por englobar os anos em que foram publicados os trabalhos acadêmicos que abordam o tema em estudo. A metodologia utilizada foi a análise documental, com foco nas teses e dissertações disponíveis no repositório da CAPES. A pesquisa fora orientada por uma perspectiva decolonial (Maldonado-Torres, 2018), (Quijano, 2000) e da afrocentricidade (Asante, 2009). Notamos que os trabalhos analisados convergem para a percepção de que a África e seu povo ainda são, em certa medida, representados de forma estereotipada, mesmo com tentativas esporádicas de colocá-los como protagonistas de sua própria história. No entanto, essas abordagens ainda se afastam do que Asante (2009) define como afrocentricidade, ou seja, a centralização dos africanos e africanas na narrativa histórica, em pé de igualdade com os demais povos do nosso sistema-mundo. Embora algumas mudanças tenham ocorrido com a implementação da Lei nº 11.645/2008, os autores são unânimes em afirmar que a prática pedagógica se configura como forma de resistência e transformação de tais narrativas.</p> Nádia Narcisa de Brito Santos Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e92718 e92718 10.5902/2357797592718 “Comer jabuticabas” de Muniz Sodré: rasurando a supremacia branca https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93500 <p>No artigo ora em tela – um exercício de crítica literária sobre “Comer jabuticabas”, conto de Muniz Sodré (1988) –, ancorado no Pensamento Negro Radical (MBEMBE, 2018; FANON, 2020; NOGUEIRA, 2021; WILDERSON III, 2021), defenderemos que o investimento na violência racista, cujo ápice é um forte tapa no rosto de um homem negro, remonta ao desejo branco de controle dos corpos negros e de seus pensamentos. Argumentaremos que o conto mimetiza o fardo colonial e a economia libidinal da supremacia branca, dando a ler fantasmas e perversidades da branquitude, os quais insistem em se fazer presentes ainda hoje. Em resumo, no prédio de luxo em que mora, João Jorge, um homem negro, lida com a estranheza e o incômodo de seus vizinhos. Certa feita, o administrador do imóvel, homem branco como o mármore das paredes, golpeia o rapaz com um forte tapa no rosto. Ao invés de se esquivar, oferece a outra face. Após o ocorrido, evitando se encontrar com João Jorge, o síndico esconde-se: mudou seus horários de entradas e saídas do prédio.</p> Alexandre de Oliveira Fernandes Gildeci de Oliveira Leite Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e93500 e93500 10.5902/2357797593500 Autoetnografia de uma rede transnacional: impactos e sentidos da Pedagogia Feminista Negra https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93707 <p>Este artigo analisa a [trecho suprimido para preservar o anonimato] como manifestação concreta do feminismo negro em sua dimensão transnacional e pedagógica. Ancoradas no feminismo negro transnacional (solidariedade/amefricanidade) e na Pedagogia Feminista Negra (PFN), adotamos a autoetnografia crítica como metodologia, articulando experiência situada e análise teórico-conceitual. O <em>corpus</em> de análise é composto por documentos institucionais e experiências em diversos eventos. Os resultados evidenciam impactos educativos (formação crítica; sistematização de saberes insurgentes; tradução pública de conceitos como interseccionalidade), sociais (ampliação de redes, ênfase em acessibilidade e comunicação inclusiva; fortalecimento de pertença e autoidentificação) e políticos (institucionalização via estatuto e diretoria; disputa de narrativas contra o racismo, sexismo e eurocentrismo; popularização da ciência como prática anticolonial). É demonstrado como práticas já existentes, cursos, publicações, mesas e ações de comunicação, se consolidam em projeto político-pedagógico, produzindo legitimidade epistêmica para vozes negras e configurando a Rede como laboratório vivo de produção, circulação e validação de conhecimento. Concluímos que a Pedagogia Feminista Negra opera como gramática de ação que integra teoria e prática, corpo e território, passado e futuro, oferecendo referências curriculares e metodológicas para a transformação educacional em chave de emancipação coletiva.</p> Kenia Silva Fernanda de Araújo Oliveira Gabriele da Silva Antunes Manuela Arruda dos Santos Nunes da Silva Carolina Pinho Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-12 2026-02-12 16 5 e93707 e93707 10.5902/2357797593707 A lógica da não-reparação colonial às ex-colônias africanas: racismo institucional na CIJ https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/92905 <p>O presente artigo investiga a presença do racismo institucional na Corte Internacional de Justiça (CIJ), com foco na ausência de reparações às ex-colônias africanas. Fundamentado na teoria decolonial e na noção de colonialidade do poder de Aníbal Quijano, argumenta-se que o direito internacional permanece estruturado em lógicas eurocêntricas que favorecem o Norte Global e invisibilizam demandas históricas oriundas do Sul. A pesquisa utiliza revisão bibliográfica, análise de casos emblemáticos e documentos oficiais da CIJ e outras entidades internacionais para demonstrar como epistemologias jurídicas africanas são marginalizadas. Embora a jurisprudência internacional reconheça o direito à reparação, como no caso Chorzów (1928), a Corte evita enfrentar violações históricas alegando tecnicalidades processuais. Ainda assim, iniciativas reparatórias bem-sucedidas fora do âmbito da CIJ – como nos casos do povo Mau Mau no Quênia e dos Herero e Nama na Namíbia – demonstram a viabilidade de um modelo de justiça reparadora. A análise crítica da composição da CIJ, marcada por formação acadêmica eurocentrada, reforça o argumento de que a diversidade geográfica não garante pluralidade epistemológica. O artigo conclui que a estrutura atual da justiça internacional perpetua hierarquias raciais e urge por uma reforma que assegure inclusão, representatividade e reconhecimento das demandas históricas das nações racializadas.</p> Gabrielli Mendonça Guimarães Liz Esmeralda Gonçalves Alfa Oumar Diallo Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e92905 e92905 10.5902/2357797592905 Peles que verdejam jardins: razão negra e modos de subjetivação de juventudes periféricas https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94094 <p>Este artigo deriva de uma pesquisa que visou problematizar os efeitos da razão negra nos processos de subjetivação de juventudes negras, indígenas e periféricas na cidade de Fortaleza (CE), analisando tanto os dispositivos de captura racial quanto as estratégias de re-existência engendradas por esses sujeitos. A pesquisa se inscreve como uma inter(in)venção de orientação cartográfica. A partir de oficinas artísticas e da participação em manifestações culturais e políticas no território do Grande Bom Jardim, foram analisadas cenas que evidenciam como a razão negra opera como dispositivo de subjetivação que institui sobrecodificações racializantes e coloniais. Contudo, o campo também indicou modos singulares de criação de si, nos quais juventudes periféricas produzem contra-narrativas e práticas de re-existência a partir de estéticas próprias, experiências de comunalização afroindígenas e dispositivos coletivos de resistência. Com destaque para estratégias e táticas de redistribuição da violência, da construção de territórios existenciais de aquilombamento e a reelaboração e reposicionamento narrativo com da arte. O estudo aponta para a potência criadora das juventudes periféricas na elaboração de outras políticas narrativas e existenciais, que desestabilizam a lógica colonial presente na razão negra e reivindicam mundos possíveis onde caibam suas formas singulares de expressão da negritude.</p> Levi de Freitas Costa Araújo Antonio Caio Renan Silva Penha Ana Thais de Albuquerque Norões Boutala Raimundo Cirilo de Sousa Neto João Paulo Pereira Barros Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e94094 e94094 10.5902/2357797594094 Olhos caldosos: uma análise pictórica das representações de pessoas negras no acervo do MABE (1930-1950) https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91783 <p>Este trabalho propõe uma análise pictórica das representações de pessoas negras nas obras dos pintores paraenses Antonieta Santos Feio (<em>Vendedora de Cheiro</em>, 1947, e <em>Mendiga</em>, 1951), Dahlia Déa (<em>Preto Velho</em>, 1936), Fernando Otero (<em>Baiana</em>, 1945) e José Girard (<em>Meditação</em>, 1933), pertencentes ao acervo exposto nas salas Waldemar da Costa e Armando Balloni do Museu de Arte de Belém (MABE). O recorte temporal (décadas de 1930 a 1950) permite investigar as transformações historiográficas e conjunturais da população negra no Pará pós-abolição, refletindo sobre como a arte participou da construção de imaginários sociais em um período marcado por políticas de identidade cultural hegemônicas. Metodologicamente, o estudo se ancora na História Social da Arte, dialogando com a Antropologia Visual e a História Cultural para explorar conceitos como identidade, racialização e poder simbólico. A hipótese central sustenta que essas obras expressam uma tipificação da figura negra, moldada por projetos estéticos e ideológicos que buscavam homogeneizar representações de sujeitos negros, alinhados a narrativas oficiais de nacionalidade. Além disso, o artigo discute as tensões entre tradição e modernidade no contexto belenense, onde a arte atuou tanto como instrumento de dominação – reforçando estereótipos – quanto de resistência, ao capturar nuances da agência negra. A análise revela ainda como esses retratos refletem contradições do período, como o apagamento de diversidades étnicas em prol de uma identidade unificada, mas também permitem recuperar traços de subjetividades marginalizadas. Por fim, o estudo ressalta a importância de revisitar tais obras para repensar críticas as narrativas artísticas consagradas e barulhos sociais que foram silenciados pela historiografia tradicional.</p> Thaissa Oliveira Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e91783 e91783 10.5902/2357797591783 A construção do Baile Charme do Viaduto de Madureira como quilombo histórico e simbólico https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94063 <p>Neste artigo, ao caracterizarmos e nos opormos ao fardo colonial que insiste em inferiorizar a parcela afrodiaspórica da sociedade, temos como objetivo analisar a construção discursiva do Baile Charme do Viaduto de Madureira como um quilombo histórico e simbólico (Nascimento, 2018), a partir da narrativa de Michell, DJ residente e sócio-diretor do espaço, reportada em uma entrevista concedida a um podcast. Ademais, propomo-nos a analisar como a transmissão de conhecimento no movimento charme é construída nas memórias narradas por Michell, desde a sua juventude até tornar-se DJ residente do Baile Charme do Viaduto de Madureira (RJ). Nossos pressupostos teórico-práticos são articulados a partir dos conceitos antirracistas e libertários, a saber: de quilombo e corpo-documento (Nascimento, 2018; Nascimento; Gerber, 1989), ambientes de memória (Martins, 2003; 2021), e política de vida (Rufino; Simas, 2020; Rufino, 2021), situando-se em uma perspectiva metodológica qualitativo-interpretativista, de caráter interdisciplinar, subjetivo e situado (Denzin; Lincoln, 2006). A análise dos excertos da entrevista sugere que a trajetória de Michell é construída em constante referência aos saberes ancestrais do charme, acionados a partir de repertórios afetivos, familiares e comunitários. Por meio de práticas coletivas e performances corporais, o Baile Charme é construído como espaço de pertencimento, cuidado e resistência, no qual se compartilham e se (re)constroem saberes afrodiaspóricos. Diante das violências físicas e simbólicas e dos apagamentos promovidos por narrativas hegemônicas, compreendemos que o movimento charme atualiza práticas quilombolas nas experiências do/no Baile Charme do Viaduto de Madureira, funcionando como acervo vivo e coletivo de memórias e culturas negras.</p> Ana Caroline Siqueira Braga Renan Silva da Piedade Adriana Nogueira Accioly Nobrega Copyright (c) 2026 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2026-02-11 2026-02-11 16 5 e94063 e94063 10.5902/2357797594063 Fardos coloniais e a dívida externa como ferramenta de dominação sobre países africanos https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94104 <p>Este artigo tem como objetivo compreender a dinâmica da dívida externa em países africanos, levando em consideração as dimensões históricas da colonização e suas múltiplas consequências sociais, econômicas e ambientais para o atual desenvolvimento desses países. Argumenta-se, em primeiro lugar, a existência de uma hierarquia racializada institucionalizada na arquitetura financeira internacional a qual (re)produz desigualdades por meio de um conjunto de estruturas, mecanismos e políticas financeiras que atendem aos interesses dos países do Norte Global. Em segundo lugar, a dívida externa africana é tanto um fardo colonial quanto uma ferramenta de dominação, que impede os países africanos de alcançar autonomia econômica no mundo contemporâneo. Em nível metodológico, adotou-se uma abordagem interpretativa e transversal do elemento racial para investigar os impactos discriminatórios e diferenciados da dívida externa. A análise utilizou as ideias de legados coloniais e racialização como categorias analíticas, ligadas a uma fundamentação teórica crítica com dados empíricos recentes, expostos em uma série de relatórios oficiais de organizações intergovernamentais e de entidades não-governamentais especializadas. Concluiu-se que a racialização é um elemento fundamental nas relações de poder que estruturam e orientam a AFI. Ao mesmo tempo, a dívida externa funciona como um instrumento eficaz de controle sobre os países africanos, que transforma a vulnerabilidade em risco financeiro e o risco em lucro. Isso demonstra como um sistema global de dívida transforma o racismo histórico em uma estrutura econômica de exclusão contínua.</p> Jéser Abílio de Souza Dora Meireles Gesteira Nascimento Bruna de Oliveira Reis Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e94104 e94104 10.5902/2357797594104 O Direito Internacional em disputa: por uma abordagem ladinoamefricana https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93557 <p>Este artigo propõe uma abordagem ladinoamefricana para o Direito Internacional, fundamentada nas contribuições político-jurídicas e epistêmicas de intelectuais negras brasileiras. A leitura ladinoamefricana do Direito é realizada por meio do diálogo entre o campo “Direito e Relações Raciais”, inaugurado pelas juristas Dora Bertúlio e Eunice Prudente, e a produção da filósofa Lélia Gonzalez, que formulou a categoria Améfrica Ladina. O estudo mobiliza epistemologias e metodologias críticas decoloniais, e o feminismo afro-latino-americano. A pesquisa tece um complexo analítico transdisciplinar, colocando leituras jurídicas em diálogo com as historiográficas, sociológicas e filosóficas. A primeira seção apresenta o processo de mecanização e desumanização das mulheres negras, mediado por normas e políticas internacionais, a serviço do capital. A segunda seção explora a fundação do campo insurgente “Direito e Relações Raciais”. A terceira destaca o potencial das contribuições de Lélia Gonzalez para a formulação de uma abordagem ladinoamefricana para o Direito Internacional. Por fim, são propostos os conceitos de justransnacionalismo negro e o de panamefricanismo como ferramentas para nomear as agências contra o racismo sistêmico e epistêmico global, e como chaves de disputa do Direito Internacional.</p> Karine de Souza Silva Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e93557 e93557 10.5902/2357797593557 Em busca da “nova Abolição”: a trajetória do Jornal Negro Alvorada (1945-1948) https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/92807 <p>O jornal <em>Alvorada</em> constitui uma página importante da História da imprensa negra e do movimento negro no Brasil. O presente artigo se dedica a refletir sobre sua trajetória e atuação como jornal negro da cidade de São Paulo na década de 1940, mais precisamente no contexto da queda do Estado Novo e ulterior processo de redemocratização. A proposta é demonstrar como o jornal <em>Alvorada</em>, através da intelectualidade negra, se inseriu nos debates sobre as questões raciais, participou das lutas negras e apresentou projetos para a nação conferindo centralidade para as populações negras. O periódico se tornou um lugar privilegiado para produção e disseminação de narrativas contra hegemônicas de intelectuais negros, através das suas folhas mulheres e homens negros resistiram e se organizaram politicamente. O estudo apresenta, numa perspectiva histórica, como o jornal apesar da sua efêmera duração contribuiu para desconstruir a farsa da democracia racial, denunciar o racismo e na luta do movimento negro para o reposicionamento do lugar do negro na história do Brasil. O jornal, ligado umbilicalmente a <em>Associação dos Negros Brasileiros</em>, defendeu o associativismo como principal estratégia para o alvorecer de uma “nova abolição” no país. O trabalho é um convite para refletir, explorar e compreender o relevante papel da imprensa negra nos debates sobre as questões raciais ao longo da história.</p> Radamés Vieira Nunes Felipe Alves de Oliveira Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e92807 e92807 10.5902/2357797592807 Consumo de jogos e Neoliberalismo Progressista: os múltiplos usos do passado nas representações de Cleópatra https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/93184 <p>O presente artigo, tem como objetivo analisar como as representações históricas de Cleópatra VII variam de acordo com o contexto cultural de produção, dando enfoque para as representações desenvolvidas em meio ao que chamamos de Neoliberalismo Progressista e a questão do consumo do passado. Como fontes principais, foram utilizados os filmes <em>Cleópatra </em>(1917), (1934) e (1963) e o jogo <em>Assassin’s Creed Origins</em> (2017), pois a diferença no contexto de produção das duas obras fornece uma margem temporal para analisarmos as semelhanças e diferenças entre as duas obras – principalmente no que se refere à representação de pessoas negras.</p> Paloma Maria Mendes da Cunha Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e93184 e93184 10.5902/2357797593184 O acesso à diversidade étnico-racial por meio da política educacional e da Lei de Cotas: o que dizem as análises dos conteúdos das publicações no Brasil? https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91393 <p>Este artigo procurou analisar os conteúdos de 162 livros que foram publicados no Brasil, os quais apresentam considerações sobre diversidade étnico-racial negra, política educacional e ação afirmativa na modalidade cotas raciais. O recorte temporal para fundamentação teórica foi de 2000 a 2023. Partindo dessa percepção, questiona-se: Como os livros publicados no Brasil apresentam o acesso da diversidade étnico-racial negra e a ação afirmativa? Para responder a essa pergunta, foram feitas leituras para refletir como as obras demarcam as movimentações e a legislações brasileiras que vieram antes da Lei de Cotas (Lei nº 12.711/2012), tendo em vista, que detalhes importantes sobressaem. A abordagem qualitativa faz parte da metodologia, pois, o intuito é tratar dos estudos já realizados pelas pesquisas de outros/as pesquisadores/as, os quais são interessantes e contam como o mapeamento do acesso a escolarização da diversidade étnico-racial negra que ocorreu no país. Portanto, partindo desses pressupostos, foi possível delinear a concepção retratada nos livros, que são os materiais utilizados para a realização da catalogação dos dados deste estudo.</p> Francijane Lima dos Santos Luci Maria da Silva Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e91393 e91393 10.5902/2357797591393 Antônio Pitanga: resistência, ancestralidade e o contragolpe na capoeira da diáspora https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94106 <p>Este artigo analisa a trajetória de Antônio Pitanga, figura central do Cinema Novo e do audiovisual brasileiro, destacando sua relevância na luta antirracista e na construção de uma estética afro-moderno. Ao abordar sua inserção intelectual e artística desde os anos 1960, o texto evidencia o papel singular de Pitanga como um dos poucos negros a participar ativamente do movimento cinemanovista, denunciando o epistemicídio e a baixa representatividade negra nas produções da época. A discussão se estende à televisão, ressaltando o impacto da família Noronha em “A Próxima Vítima” (1995) e contrastando com a polêmica racista de “Pátria Minha” (1994), revelando as limitações da representação negra sem o enfrentamento estrutural do racismo. Fundamentado na perspectiva de descolonização do ser e no conceito de sentipensar, o artigo propõe uma crítica à imparcialidade eurocentrada e evidencia como Pitanga redefine o conceito de sucesso, transcendendo a meritocracia branca e atuando como espelho para a comunidade negra. A análise destaca a importância da experiência, corporeidade e ancestralidade africana na produção de uma estética decolonial, consolidando Pitanga como referência para o pensamento crítico e para a reinvenção das bases do cinema negro brasileiro, em diálogo com as correntes afrodiaspóricas e a busca por justiça, reparação e restituição.</p> Adriano da Silva Denovac Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e94106 e94106 10.5902/2357797594106 Cartas sobre o pesquisar-ebó: opacidade e práticas de cuidado na academia https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/90954 <p>Esse artigo, organizado a partir de cartas, procura apresentar o que chama de pesquisar-ebó, um modo de fazer pesquisa tramado a partir de saberes ancestrais e de autoras e autores negros. O termo ebó, de origem no idioma yorubá, significa oferenda, sacrifício e troca, sendo oferecidos em contextos de trocas com divindades ou entidades, tais como orixás, Exus e pombagiras, podendo ser realizados em diferentes segmentos dentro das tradições de matrizes africanas, tais como Umbanda, Candomblé e Batuque. A pesquisa-ebó se faz à sombra da ancestralidade e dos saberes do terreiro, a que, com Édouard Glissant, chamamos de opacidade. No contexto da pesquisa-ebó, a opacidade é sustentada como uma afirmação de relações (teóricas e existenciais) que não desejam se fazer à luz da transparência e de conceitos adjacentes como clareza, certeza e objetividade. O pesquisar-ebó, à contrapelo da ideia colonizada de metodologia, é um convive a experimentar caminhos outros, posicionando a pesquisa como uma possibilidade de produção de saberes não-hegemônicos, de combate ao epistemicídio e de, sobretudo, uma prática de cuidado.</p> Úrsula Ingrid de Souza Faria Luciano Bedin da Costa Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e90954 e90954 10.5902/2357797590954 Afrodiáspora digital: xenorracismo algorítmico na visibilidade de migrantes africanos(as) https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/91374 <p>O objetivo deste estudo é compreender as dinâmicas de xenorracismo nas plataformas digitais, com ênfase nas vivências e percepções de migrantes africanos(as) que atuam como criadores(as) de conteúdo, explorando a mediação algorítmica na visibilidade digital. A pesquisa, de abordagem qualitativa e exploratório-descritiva, utilizou a técnica de inserção de campo <em>snowball</em>, contando com seis migrantes de diferentes nacionalidades de países africanos e residentes no Brasil. A análise das entrevistas, fundamentada na Análise Crítica do Discurso, ilustrou três principais formas de mediação do xenorracismo algorítmico: silenciamento e marginalização digital, enviesamento na categorização da escrita e enviesamento estético. Os resultados apontam que conteúdos sobre racismo e identidade africana recebem menor engajamento, que termos como “racismo” e “xenofobia” são frequentemente classificados como discurso de ódio e que padrões eurocêntricos são reforçados por meio de filtros e mecanismos de recomendação. Nesse sentido, os algoritmos das plataformas digitais operam sob lógicas de um novo colonialismo digital, que não apenas enviesam, como também mediam diferentes categorias identitárias, impactando diretamente a experiência digital de migrantes negros(as). Assim, esta pesquisa visa contribuir, a partir do entendimento acerca das discriminações algorítmicas, para a discussão de propostas como novas regulações em termos de governança e direitos no campo digital, ressaltando a necessidade de maior transparência nos sistemas de recomendação e de iniciativas que promovam uma internet mais justa e equitativa.</p> Brunno Ewerton Júlia Lyra Mohammed ElHajji Catalina Revollo Pardo Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e91374 e91374 10.5902/2357797591374 Entrevista com Marcelo Pinheiro Sobral https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94382 Marcelo Pinheiro Sobral Ana Luíza Rocha Porto Fernando Speggiorin Martini José Miguel Quedi Martins Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e94382 e94382 10.5902/2357797594382 Terrorismo em estados frágeis na Ordem Mundial 2.0: um estudo exploratório da África Subsaariana https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94486 <p>O artigo analisa a relação entre fragilidade estatal e terrorismo na África Subsaariana no contexto da Ordem Mundial 2.0. A análise, amparada em amostragem da literatura especializada e em dados empíricos, aponta que Estados com baixa capacidade de coerção legal e coesão social limitada tendem a ser mais suscetíveis a conflitos intraestatais e expansão de ações terroristas. Conclui-se que o grau de fragilidade institucional é variável explicativa relevante para compreender a persistência e concentração do terrorismo na região analisada. Verifica-se, também, que o avanço do <em>state building</em> aparece como uma das condições centrais para mitigar riscos transnacionais e promover maior estabilidade regional, tema relevante também para o Brasil em razão de seus interesses estratégicos no continente africano.</p> Marcelo Gurgel do Amaral Silva Fábio Albergaria de Queiroz Guilherme Lopes da Cunha Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e94486 e94486 10.5902/2357797594486 A colonialidade no Direito Internacional Humanitário: crítica decolonial e proposta de reinterpretação emancipatória https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94315 <p>O presente artigo investiga as persistências coloniais no Direito Internacional Humanitário (DIH), demonstrando como sua aplicação permanece seletiva e eurocentrada. Parte-se da hipótese de que o DIH, embora normativamente formulado com base em princípios universais, opera como dispositivo geopolítico de dominação, reforçando desigualdades entre o centro e a periferia do sistema internacional. O objetivo central é tensionar a suposta neutralidade do DIH à luz das teorias decoloniais e das epistemologias do Sul Global, propondo uma reinterpretação emancipatória do campo jurídico humanitário. Utiliza-se metodologia qualitativa, com base em revisão bibliográfica crítica de autores como Anghie, Crutchley, Getabicha, Pahuja, Quijano, Sander e Veličković. Os resultados indicam a predominância de uma lógica de seletividade na aplicação das normas humanitárias, com prejuízo para conflitos situados no Sul Global, especialmente aqueles de caráter insurgente, comunitário ou contra-hegemônico. Conclui-se que a superação dessa colonialidade normativa requer a abertura do DIH à pluriversalidade jurídica e à autodeterminação dos povos, reposicionando a justiça como valor central da normatividade internacional.</p> Marcelo Carvalho Ribeiro Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e94315 e94315 10.5902/2357797594315 Expediente https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94252 José Renato Ferraz da Silveira Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e94252 e94252 Apresentação https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94407 Jéser Abílio de Souza Maria da Conceição Francisca Pires Adriano da Silva Denovac Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e94407 e94407 Ficha Catalográfica https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94312 José Renato Ferraz da Silveira Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e94312 e94312 Casa à venda: turismo, mercado de imóveis e transformação sócio-espacial em Havana https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94425 Sabrina Thomaz José Renato Ferraz da Silveira Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e94425 e94425 10.5902/2357797594425 Editorial https://periodicos.ufsm.br/interacao/article/view/94238 José Renato Ferraz da Silveira Copyright (c) 2025 http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0 2025-11-24 2025-11-24 16 5 e94238 e94238