Teias de resistência: mulheres quilombolas no ensino superior
DOI:
https://doi.org/10.5902/2357797592853Palavras-chave:
Mulher quilombola, Educação, Acesso, PermanênciaResumo
O artigo apresenta fatores interferentes na permanência universitária de mulheres negras quilombolas, considerando as interseccionalidades de raça, gênero e classe. Para isso, foram realizadas entrevistas com quatro estudantes que ingressaram na universidade através de processo seletivo específico para quilombolas, e as narrativas obtidas foram interpretadas à luz da fenomenologia Merleau-Pontyana. Os resultados revelam que essas mulheres enfrentam barreiras significativas na universidade, relacionadas tanto à sua identidade quilombola quanto à luta pelo acesso ao sistema educacional. As barreiras identificadas incluem preconceito racial, falta de apoio institucional e desafios socioeconômicos, que dificultam a permanência e diplomação dessas mulheres. Conclui-se que é fundamental reconhecer e abordar essas interseccionalidades para promover um ambiente universitário mais inclusivo e equitativo. Este estudo destaca a importância de políticas educacionais que considerem as especificidades das mulheres negras quilombolas, contribuindo para o avanço das discussões sobre equidade no acesso e permanência no ensino superior.
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