A MONOCULTURA DA MENTE E O ETNOCÍDIO NA BACIA DO XINGU: PELA DEFESA DE UMA ECOLOGIA DE SABERES

Guilherme Pittaluga Hoffmeister, Júlia de David Chelotti, Luiz Ernani Bonesso de Araujo

Resumo


O atual quadro da modernidade, marcado pela globalização, impõe inúmeros desafios à garantia e efetivação de direitos em várias esferas. O presente trabalho objetiva demonstrar que nesse contexto impera uma forma específica de racionalidade que tem como reflexo o extermínio de outras formas de saber e, em última medida, o massacre de etnias inteiras. Como exemplo, utiliza-se o caso do etnocídio decorrente da construção da usina de Belo Monte, na região da bacia do rio Xingu, no norte do Brasil. Desde uma abordagem complexa, o artigo também visa a refletir acerca dos limites e das possibilidades para a superação dessa racionalidade definida enquanto monocultura do pensamento por um novo paradigma. A aposta é na ideia de hermenêutica diatópica como uma forma de cosmopolitismo insurgente, e enquanto possibilitadora de uma ecologia de saberes. A partir disso, busca-se avaliar em que medida este poderia ser um caminho para a consolidação de um estado democrático de direito capaz de proteger efetivamente os direitos de populações em posição de vulnerabilidade, como, por exemplo, os segmentos indígenas.

Palavras-chave


Cosmopolitismo Insurgente; Ecologia de Saberes; Etnocício; Hermenêutica Diatópica; Monocultura da Mente.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/2357797533301

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