Avaliação biomecânica dos trabalhadores em marcenarias no Distrito Federal.

Nilton Cesar Fiedler, Natália S. Menezes, Isaac Nuno C. Azevedo, José Reinaldo Moreira da Silva

Resumo


A pesquisa foi desenvolvida com base em dados coletados com funcionários de marcenarias no Distrito Federal com o objetivo de fazer uma avaliação biomecânica do trabalhador nas mais diversas máquinas. A avaliação foi feita com a filmagem dos trabalhadores em perfil, avaliação das forças envolvidas e posterior congelamento das imagens e medição dos ângulos das articulações para análise no software "Winowas" de análise de posturas e no modelo biomecânico tridimensional de predição de posturas e forças estáticas desenvolvido pela Universidade de Michigan. Os resultados mostraram que, pelo método OWAS, as piores posturas foram obtidas durante o levantamento e deposição das peças no piso em todas as máquinas e postos de trabalho avaliados e durante a alimentação na desengrossadeira, necessitando de reorganização ergonômica em breve. Pela análise com o modelo desenvolvido pela Universidade de Michigan, as fases do ciclo de trabalho mais problemáticas foram a deposição das peças no piso na desengrossadeira quando houve o comprometimento de todas as articulações com exceção dos quadris. Durante a alimentação na desempenadeira, houve grande comprometimento das articulações com exceção dos cotovelos e do disco L5-S1 da coluna. Na fase de alimentação na desengrossadeira, desempenadeira, serra circular e serra de fita, as articulações mais prejudicadas foram os tornozelos. Para melhoria das posturas adotadas, deve-se buscar eliminar o constante trabalho em pé, utilizar mecanização auxiliar para manuseio das peças, diminuir o peso manuseado durante a alimentação das máquinas (menor número e tamanho de peças) e realizar treinamentos específicos constantes para adoção de melhores posturas.


Palavras-chave


análise biomecânica; ergonomia; marcenaria

Texto completo:

PDF

Referências


CONAW, P. L. Estatística. São Paulo, Edgard Blucher. 1977. 264 p.

FIEDLER, N.C.; SOUZA, A.P.; MINETTI, L.J.; MACHADO, C.C.; TIBIRIÇÁ, A.C.G. Análise de posturas na colheita florestal. Revista Árvore, Viçosa, v. 23, n. 4. p. 435-441, 1999.

IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo, Edgard Blucher, 1990. 465 p.

OWAS: manual Ovako Working Analysing System. Helsinki: Finnish Institute of Occupational Health. 1990. Não paginado.

SENAI. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Belo Horizonte. Operação em marcenarias. 1987. (Módulos de curso não paginados).

SINDIMAM/DF. Relação de empresas da indústria do mobiliário do Distrito Federal. Brasília: Sindicato das Indústrias de Madeira e do Mobiliário do Distrito Federal, 2001.17 p.

SILVA, K. R. Análise de fatores ergonômicos em marcenarias do município de Viçosa – MG. Viçosa, MG: UFV, 1999. 97 p. Dissertação (Mestrado em Ciência Florestal) – Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, 1999.

UNIVERSITY OF MICHIGAN. 3 D Static strenght prediction program: version 2.0 – user’s manual. Michigan, Universidade de Michigan, Centro de Ergonomia, 1993. 76 p.

VENTUROLI, F. Diagnóstico das condições de trabalho nas marcenarias do Distrito Federal. Brasília, DF: UnB, 2000. 56p. Trabalho Final (Engenharia Florestal).

WIN-OWAS. Manual software for OWAS analysis. Tampere University of Technology, Occupational Safety Engineering.14 p. Disponível em: . Acesso em: 21 de fevereiro de 2002.




DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050981746