Entre a norma e a encruzilhada: professor-militante na produção de práticas de liberdade na escola inclusiva

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/1984686X96102

Palavras-chave:

Inclusão Escolar, Colonialidade, Práticas de liberdade

Resumo

Este artigo analisa a figura do professor-militante na produção de práticas de liberdade no interior da escola inclusiva, problematizando a inclusão para além de sua dimensão legal. Derivado da pesquisa de doutorado defendida em 2023, o texto assume a escrita de si como procedimento metodológico, tomando documentos pedagógicos produzidos ao longo da trajetória como professora de Educação Especial, como campo genealógico de análise. Em diálogo com Michel Foucault, a inclusão é problematizada como tecnologia de gestão da diferença. Articulada às contribuições de autores decoloniais, evidencia-se a persistência da colonialidade na hierarquização das existências e na definição de padrões de humanidade. A partir do caso do estudante denominado Curupira, discute-se a tensão entre frequência obrigatória na escola comum e o respeito à diferença, defendendo-se que a prática docente pode operar como gesto micropolítico de deslocamento da norma. Mobilizando as noções de educação menor e heterotopia, propõe-se a figura do professor-militante como sujeito ético que atua nas fissuras institucionais, sustentando a encruzilhada como prática de liberdade. Conclui-se que a inclusão não se esgota na garantia formal de matrícula, mas se realiza nos encontros e nas decisões situadas que afirmam a diferença como potência de invenção.

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Biografia do Autor

Carolina Noya, Universidade Federal de Santa Maria

Graduação em Educação Especial - Licenciatura Plena, pela Universidade Federal de Santa Maria - UFSM (2008). Especialização em Gestão Educacional - UFSM (2010). Mestrado em Educação - PPGE/UFSM (2016). Doutorado em Educação - PPGE/UFSM (2023) Professora de Educação Especial na Rede Municipal de Ensino em Santa Maria, RS, de 2010 até o momento. Prestou assessoramento em Educação Especial pelo Programa de Atendimento Especializado Municipal - PRAEM, 2016 à 2018. Professora Externa no Curso de Graduação em Educação Especial - Licenciatura plena à distância, na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM/UAB), de 2013 até o momento. Experiência como Professora Substituta do Departamento de Educação Especial - EDE, Universidade Federal de Santa Maria (CE/UFSM), em 2013/2014 - 2018/2019 - 2023. Integrante do Grupo de Pesquisa DEC - Diferença, Educação e Cultura - CE/EDE/UFSM. Participante do Projeto Inclusão, Educação Especial e práticas discursivas: efeitos na produção de subjetividades. Área de atuação e pesquisa: Educação, com ênfase em Educação Especial, atuando principalmente nos seguintes temas: atendimento educacional especializado, políticas e práticas de in/exclusão, formação de professores/gestores, Estudos Foucaultianos em Educação.

Márcia Lise Lunardi Lazzarin, Universidade Federal de Santa Maria

Licenciada em Educação Especial pela Universidade Federal de Santa Maria (1993), Mestre em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1998) e Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2003). Professora Associada do Departamento de Educação Especial, do Centro de Educação, da Universidade Federal de Santa Maria. Atualmente é professora credenciada no Programa de Pós-Graduação em Educação, na Linha de pesquisa: Educação Especial, Inclusão e Diferença e vice-líder do Grupo de Pesquisa Diferença, Educação e Cultura/DEC (CNPq/UFSM), membro do Grupo Interinstitucional de Pesquisa em Educação de Surdos-GIPES (CNPq/UFRGS) e da Rede Baobá: inspirações para o enraizamento de politicas afirmativas em Programas de Pós-graduação. Desenvolve pesquisa na área de Educação, com ênfase na Educação de Surdos, Educação Especial e Educação Inclusiva nos seguintes temas: processos de inclusão/exclusão, filosofias da diferença, interculturalidade, políticas de educação bilíngue de surdos e políticas de ações afirmativas. 

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Publicado

2026-09-21