Entre a norma e a encruzilhada: professor-militante na produção de práticas de liberdade na escola inclusiva
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984686X96102Palavras-chave:
Inclusão Escolar, Colonialidade, Práticas de liberdadeResumo
Este artigo analisa a figura do professor-militante na produção de práticas de liberdade no interior da escola inclusiva, problematizando a inclusão para além de sua dimensão legal. Derivado da pesquisa de doutorado defendida em 2023, o texto assume a escrita de si como procedimento metodológico, tomando documentos pedagógicos produzidos ao longo da trajetória como professora de Educação Especial, como campo genealógico de análise. Em diálogo com Michel Foucault, a inclusão é problematizada como tecnologia de gestão da diferença. Articulada às contribuições de autores decoloniais, evidencia-se a persistência da colonialidade na hierarquização das existências e na definição de padrões de humanidade. A partir do caso do estudante denominado Curupira, discute-se a tensão entre frequência obrigatória na escola comum e o respeito à diferença, defendendo-se que a prática docente pode operar como gesto micropolítico de deslocamento da norma. Mobilizando as noções de educação menor e heterotopia, propõe-se a figura do professor-militante como sujeito ético que atua nas fissuras institucionais, sustentando a encruzilhada como prática de liberdade. Conclui-se que a inclusão não se esgota na garantia formal de matrícula, mas se realiza nos encontros e nas decisões situadas que afirmam a diferença como potência de invenção.
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