Mudança dos elementos meteorológicos em função da degradação da floresta urbana

Henderson Silva Wanderley, Vanessa Claudino Miguel

Resumo


O estudo das interações biosfera-atmosfera permite descrever e caracterizar os principais processos de transferência de energia e massa, relacionados às particularidades da vegetação. Assim, as interações que ocorrem em uma floresta podem sofrer impactos significativos em virtude de mudança do clima e mudanças no uso do solo. Deste modo, o objetivo desta pesquisa visa entender o papel da floresta urbana da Tijuca na distribuição dos elementos meteorológicos mediante a sua degradação. Para esse fim, foram realizadas medições em área de floresta natural (-22º95’50’’S, -43º28’55’’W, 420 m) e degradada (-22º96’58’’S, -43º27’83’’W, 355 m), no Parque Nacional da Tijuca, localizado no município do Rio de Janeiro-RJ, com a utilização de estações meteorológicas automáticas entre os dias 18/07 a 09/08/2017, com intervalos de medição de 30 min, com medição da variabilidade da temperatura do ar e da umidade relativa do ar. Os dados foram submetidos ao coeficiente de correlação de Pearson, e aos testes de hipóteses teste t, teste F e teste Kolmogorov-Smirnov. Os resultados mostraram diferenças de temperatura média maior do que 1 °C para a área degradada, mas em uma escala diário pode ser maior do que 7°C. A diferença da umidade relativa média foi próxima de 10%, sendo menor em floresta degradada. No entanto, em alguns período diário a umidade do ar foi 30% menor em área degradada. Os testes de hipóteses aplicados mostram diferença estatísticas significativas, indicaram que há efeito significativo nos elementos meteorológicos analisados em função da degradação da floresta.


Palavras-chave


Temperatura do ar; Umidade relativa do ar; Floresta da Tijuca

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509832090