ANÁLISE DA FRAGMENTAÇÃO FLORESTAL DA ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL COQUEIRAL, COQUEIRAL – MG

Carolina Gusmão Souza, Lisiane Zanella, Rosângela Alves Tritão Borém, Luis Marcelo Tavares de Carvalho, Helena Maria Ramos Alves, Margarete Marin Lordelo Volpato

Resumo


http://dx.doi.org/10.5902/1980509815743

Este trabalho analisou a fragmentação florestal da Área de Proteção Ambiental Coqueiral, que está localizada no município de Coqueiral, região Sul do estado de Minas Gerais. O objetivo foi avaliar a fragmentação florestal da área de estudo, a partir de métricas da paisagem, bem como elaborar modelos de simulação da paisagem, no intuito de fornecer cenários futuros de restauração ecológica, e compará-los com a situação atual da paisagem. A análise do uso e ocupação da terra foi obtida por meio de técnicas de Sistemas de Informação Geográfica e Sensoriamento Remoto, a partir de uma imagem (SPOTMAP) do satélite SPOT 5. A análise da fragmentação florestal foi realizada utilizando o software FRAGSTATS, para calcular as métricas da paisagem mensurando parâmetros como: área, perímetro, forma, conectividade dos fragmentos. Para as simulações da paisagem foram criados buffers de 1 e 5 m no entorno de todos os remanescentes florestais da área de estudo, bem como a recuperação virtual das áreas de preservação permanente. A análise da fragmentação da paisagem mostrou que a vegetação natural está distribuída em 360 fragmentos, sendo 137 deles menores que 1 ha. Os modelos de simulação da paisagem mostraram que a área de vegetação aumentou de 1943,13 ha para 2299,02 ha na simulação em que as APPs foram reflorestadas (Vegetação natural/APPs restauradas = VA). O tamanho médio dos fragmentos nesta mesma simulação aumentou em relação à paisagem atual, passando de 7,66 m para 15,75 m. A paisagem VA mostrou um menor valor de forma (1,93), indicando que a forma dos fragmentos nesta simulação foi mais simples, o que é importante do ponto de vista da conservação, pois diminui o efeito de borda nos fragmentos. Os valores de isolamento não apresentaram diferença considerável nas simulações: 38,9 m (VN); 40,64 m (VB1); 42,89 m (VB5) e 39,75 m (VA), indicando um baixo isolamento dos fragmentos, mesmo na paisagem atual. O índice de conectividade foi alto (acima de 99%) para todas as simulações, indicando que as paisagens apresentam elevada conectividade estrutural. Estes dados são relevantes subsídios para a tomada de decisão e para gestão e planejamento da Área Proteção Ambiental Coqueiral, permitindo a indicação de áreas prioritárias para conservação.


Palavras-chave


ecologia da paisagem; métricas da paisagem; simulações futuras; sistemas de informação geográfica

Texto completo:

PDF

Referências


ALMEIDA, C. G. Análise espacial dos fragmentos florestais na área do Parque Nacional dos Campos Gerais, Paraná. 2008. 72 f. Dissertação (Mestrado em Gestão do Território) - Universidade Estadual de Ponta Grossa, Ponta Grossa, 2008.

AWADE, M.; METZGER, J. P. Importance of functional connectivity to evaluate the effect of habitat fragmentation for three Atlantic rainforests birds.Austral Ecology, Carlton, n. 33, p. 863-871, 2008.

BIERREGAARD, R. O. et al. The biological dynamics of tropical rainforest fragments. Bioscience,Washington,v. 42, n. 1, p. 859-866, 1992.

CABACINHA, C. D.; CASTRO, S. S.; GONÇALVES, D. A. Análise da estrutura da paisagem da alta bacia do Rio Araguaia na savana brasileira. Floresta, Curitiba, v. 40, n. 4, p. 675-690, out./dez. 2010.

CALEGARI, L. et al. Análise da dinâmica de fragmentos florestais no município de Carandaí, MG, para fins de restauração florestal. Revista Árvore, Viçosa, v. 34, n. 5, p. 871-880, 2010.

CAMARA, G.et al.Spring: Integrating remote sensingand GIS by object-oriented data modelling. Computers & Graphics, New York, v. 20, n. 3, p. 395-403, 1996.

CARVALHO, F. M. V.; MARCO-JÚNIOR, P. D.; FERREIRA, L. G. The cerrado into-pieces: Habitat fragmentation as a function of landscape use in the savannas of central Brazil. Biological Conservation, Boston, v. 142, n. 7, p. 1392-1403, 2009.

CEMIN, G.; PERICO, E.; REMPEL, C. Composição e configuração da paisagem da sub-bacia do Arroio Jacaré, Vale do Taquari, RS, com ênfase nas áreas de florestas. Revista Árvore, Viçosa, v. 33, n. 4, p. 705-711, 2009.

CHRISTOFOLETTI, A. Modelagem de sistemas ambientais. São Paulo. E. Blucher, 1999.

COSTA-JUNIOR, R. F. et al. Estrutura Fitossociológica do Componente Arbóreo de um Fragmento de Floresta Ombrófila Densa na Mata Sul de Pernambuco, Nordeste do Brasil. Ciência Florestal, Santa Maria, v. 18, n. 2, p. 173-183, 2008.

COSTA, S. S. M. C. Caracterização ambiental da reserva extrativista Chico Mendes (Acre-Brasil): subsídios ao plano de manejo. 2000. 165 f. Tese (Doutorado em Ciências Biológicas) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2000.

DIXO, M.; METZGER, J. P. Are corridors, fragment size and forest structure important for the conservation of leaf-litter lizards in a fragmented landscape? Fauna & Flora International,Cambridge, v. 43, n. 3, p. 435-442, 2009.

EMPRESA DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL DE MINAS GERAIS – EMATER. Área de proteção ambiental do município de Coqueiral. Belo Horizonte, 2002.

FORERO-MEDINA, G.; VIEIRA, M. V. Conectividade funcional e a importância da interação organismo-paisagem. Oecologia Brasiliensis, Rio de Janeiro, v. 11, n. 4, p. 493-502, 2007.

FORMAN, R. T. T.; GODRON, M. Landscape ecology.New York: J. Wiley, 1986. 619 p.

FORMAN, T. T. Land mosaics: the ecology of landscapes and regions. New York: Cambridge University, 1997. 632 p.

HARRIS, L. D. The fragmented forest: island biogeography theory and the preservation of biotic diversity. Chicago: Universityof Chicago, 1984. 229 p.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Cartografia. Rio de Janeiro, 2010. Disponível em: Acesso em: 26 out. 2010.

JARVINEN, O. Conservation of endangered plant populations: single large or several small reserves? Oikos, Buenos Aires, v. 38, n. 3, p. 301-307, 1982.

JORGE, L. A. B.; GARCIA, G. J. A study of habitat fragmentation in Southeastern Brazil using remote sensing and geographic information systems (GIS). Forest Ecologyand Management, Amsterdam, v. 98, n. 1, p. 35-47, 1997.

KORMAN, V. Proposta de integração das glebas do Parque Estadual de Vassununga (Santa Rita do Passa Quatro, SP). 2003. 131 f. Dissertação (Mestrado em Ecologia de Agroecossistemas) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba, 2003.

LIMA, E. A. C. F. Estudo da paisagem do município de Ilha Solteira-SP: subsídios para o planejamento físico-ambiental. 1997. 112 f. Tese (Doutorado em Floresta) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 1997.

LIMA, V. M. P. Qualidade estrutural e intervalo hídrico ótimos de solos cultivados em área de proteção ambiental do sul de Minas Gerias. 2008. 85 p. Dissertação (Mestrado em Ciências do Solo) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2008.

LINDBORG, R.; ERIKSSON, O. Historical landscape connectivity affects present plant species diversity. Ecology,Durham, v. 85, n. 7, p. 1840-1845, 2004.

LINDENMAYER, D. B. et al. A checklist for ecological management of landscapes for conservation.Ecology Letters, Oxford, v. 11, n. 1, p. 78-91, 2008.

MACIEL, M. N. M. et al. Classificação ecológica das espécies arbóreas. Revista Acadêmica: ciências agrárias e ambientais, Curitiba, v. 1, n. 2, p. 69-78, 2003.

MARCHETTI, D. A. B.; GARCIA, G. J. Princípios de fotogrametria e fotointerpretação. São Paulo: Nobel, 1996. 264 p.

MARTENSEN, A. C.; PIMENTEL, R. G.; METZGER, J. P. Relative effects of fragment size and connectivity on bird community in the Atlantic Rain Forest: Implications for conservation. Biological Conservation, Boston, v. 141, n. 9, p. 2184-2192, 2008.

MCGARIGAL, K. et al. Fragstats: spatial pattern analysis program for categorical maps. Amherst: University of Massachusetts, 2002.

MCGARIGAL, K.; MARKS, B. J. Fragstats: spatial patterns analysis program for guantifiying landscape structure. Portland: Pacific Northwest Research Station, 1995. 122 p.

METZGER, J. P. Editorial conservation issues in the Brazilian Atlantic forest. Biological Conservation, Boston, v. 142, n. 6, p. 1138-1140, 2009.

METZGER, J. P. Landscape ecology: perspectives based on the 2007 IALE world congress. Landscape Ecology, Dordrecht, v. 23, n. 5, p. 501-504, 2008.

METZGER, J. P. O que é ecologia de paisagens? Biota Neotropica, Campinas, v. 1, n. 1-2, p. 1-9, 2001.

METZGER, J. P. Tree functional group richness and landscape structure in a brazilian tropical fragmented landscape. Ecological Applications, Tempe, v. 10, n. 4, p. 1147-1161, 2000.

METZGER, J. P. Estrutura da paisagem e fragmentação: análise bibliográfica. Anais da Academia Brasileira de Ciências, Rio de Janeiro, v.71, n.3, p.445-463, 1999.

OLIVEIRA, L. T. Fragmentos de floresta Atlântica Semidecidual no município de Lavras: uma comparação ecológica entre a cobertura atual e a cobertura exigida pela legislação. 2000.103 p. Monografia (Graduação em Engenharia Florestal) – Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2000.

PIRES, J. S. R. et al. Abordagem metodológica para identificação e manejo de fragmentos de áreas naturais. In: SEMINÁRIO REGIONAL DE ECOLOGIA, 8., 1998, São Carlos. Anais... São Carlos: USP/UFSCAR, 1998. p. 571-584.

PRIMACK, R. B.; RODRIGUES, E. Biologia da conservação. Londrina: Viva, 2001. 328 p.

RANTA, P. et al. The fragmented Atlantic rain forest of Brazil: size, shape and distribution of forest fragments. Biodiversity and Conservation, London, v. 7, n. 3, p. 385-403, 1998.

REMPEL, C. T. et al. A ecologia da paisagem como base para o zoneamento ambiental da região político-administrativa – Vale Do Taquari – RS – Brasil: um modelo de proposta metodológica. GeoFocus, Jacupiranga, n. 9, p. 102-125, 2009.

RIBEIRO, M. C. et al. The Brazilian Atlantic Forest: how much is left, and how is the remaining forest distributed? Implications for conservation. Biological Conservation, Boston, v. 142, n. 6, p. 1141-1153, 2009.

RODRIGUES, E. Ecologia de fragmentos florestais no gradiente de urbanização de Londrina - PR. 1993.102 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Universidade de São Paulo, São Carlos, 1993.

RYLANDS, A. B.; BRANDON, K. Brazilian protected areas. Conservation Biology, Boston, v. 19, n. 3, p. 612-618, 2005.

SILVA, W. G. S. et al. Relief influence on the spatial distribution of the Atlantic Forest cover at the Ibiúna Plateau, SP. Brazilian Journalof Biology, Rio de Janeiro, v. 67, n. 3, p. 403-411, 2007.

TABARELLI, M.; GASCON, C. Lições da pesquisa sobre fragmentação aperfeiçoando políticas e diretrizes de manejo para a conservação da biodiversidade. Megadiversidade, Belo Horizonte, v. 1, n. 1, p. 181-188, 2005.

TONIAL, T. M. Dinâmica da paisagem da região nordeste do Estado do Rio Grande do Sul. 2003. 311 f. Tese (Doutorado em Ecologia e Recursos Naturais) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2003.

UMETSU, F.; METZGER, J. P.; PARDINI, R. Importance of estimating matrix quality for modeling species distribution in complex tropical landscapes: a test with Atlantic forest small mammals. Ecography, Copenhagen, v. 31, n. 3, p. 359-370, 2008.

VALENTE, R. O. A. Análise da estrutura da paisagem na bacia do Rio Corumbataí, SP. 2001. 161 f. Dissertação (Mestrado em Recursos Florestais) - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba, 2001.

VELOSO, H. P.; RANGEL FILHO, A. L. R.; LIMA, J. C. A. Classificação da vegetação brasileira, adaptada a um sistema universal. Rio de Janeiro: IBGE, 1991. 123 p.

VIANA, V. M.; PINHEIRO, L. A. F. Conservação da biodiversidadeem fragmentos florestais. Série Técnica IPEF. v. 12, n. 32, p. 25-42, 1998.

ZANELLA, L. et al. Atlantic Forest Fragmentation Analysis and Landscape Restoration Management Scenarios. Natureza & Conservação, v. 10, n 1, p. 57-63, 2012.




DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509815743

Licença Creative Commons