Ocorrência de geadas no Rio Grande do Sul: variabilidade e tendências

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5902/2179460X94750

Palavras-chave:

Temperatura mínima do ar, Risco, ENOS

Resumo

Considerando como importantes os prejuízos causados pela ocorrência de geadas à atividade agropecuária, o objetivo desse trabalho foi analisar e caracterizar a variabilidade na ocorrência de geadas nas diferentes Regiões Ecoclimáticas do Rio Grande do Sul, de forma a gerar informações úteis para minimização de risco. A ocorrência de geadas foi estimada a partir da temperatura mínima do ar, medida em abrigo meteorológico (período 1961-2021). Foi considerado como dia de ocorrência de geada (DG) os dias em que a temperatura mínima do ar apresentou valores iguais ou inferiores a 3ºC. Os resultados mostraram que a geada é um fenômeno meteorológico adverso à agropecuária do RS que ocorre em três das quatro estações do ano, apresenta alta frequência de ocorrência e variabilidade entre regiões. O inverno é destacadamente a estação do ano com maior número de DG e também com maior variabilidade entre um ano e outro. Na primavera ocorrem mais dias com geada do que no outono. Existe associação entre o fenômeno ENOS e o número de DG no RS, mostrando variações conforme a estação do ano e local. O El Niño reduz o número de dias com geadas especialmente no inverno; no outono o padrão é similar, mas com menor intensidade; na primavera não há associação. Na La Niña, a associação é menos consistente do que no El Niño e mais variável entre as estações do ano e os locais. A altitude é o fator geográfico melhor correlacionado (positivamente) ao número de dias com geadas no RS. Não há tendência consistente de alteração no número de DG ao longo do tempo que predomine no RS.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Denise Cybis Fontana, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutorado em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Bernadete Radin, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Doutorado em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Eduardo Demarchi Rodrigues da Silva, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Graduando de Agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Guilherme Ari Ferreira de Oliveira, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina

Doutorado em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Referências

ALVARES, C.A.; SENTELHAS, P.C.; STAPE, J.L. Modeling monthly meteorological and agronomic frost days, based on minimum air temperature, in Center-Southern Brazil. Theoretical and Applied Climatology, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1007/s00704-017-2267-6.

BERGAMASCHI, H.; BERGONCI, J. I. As plantas e o clima: princípios e aplicações. Guaíba: Agrolivros, 2017.

BERLATO, M. A.; CUNHA, G. R.; FONTANA, D. C. El Niño Oscilações Sul: Clima, Vegetação e Agricultura. Passo Fundo: Ed dos autores, 2024.

BERLATO, M.A.; ALTHAUS, D. Tendência observada da temperatura mínima e do número de dias de geada do Estado do Rio Grande do Sul. Pesquisa Agropecuária Gaúcha, Porto Alegre, v. 16, n. 1 e 2, p. 7-16, 2010.

CADE, B.; NOON, B. A Gentle Introduction to Quantile Regression for Ecologists. Frontiers in Ecology and the Environment,, v. 1, p. 412–420, 2003.

CAMARGO, M.B.P.; PEDRO JÚNIOR., M.J.; ALFONSI, R.R.; ORTOLANI, A.A. Probabilidade de ocorrência de temperaturas mínimas absolutas mensais e anuais no Estado de São Paulo. Bragantia, Campinas, 52(2):161-168, 1993.

CAMERON, A. C.; TRIVEDI, P. K. Regression Analysis of Count Data. 2. ed. Cambridge: Cambridge University Press, 2013. (Econometric Society Monographs). Disponível em: https://doi.org/10.1017/CBO9781139013567

CARDOZO, A. B.; REBOITA, M. S.; GARCIA, S. R. Climatologia de Frentes Frias na América do Sul e sua relação com o Modo Anular Sul. Revista Brasileira de Climatologia, Curitiba, v.17, n.1, p. 9- 29, 2015.Disponível em: https://doi.org/10.5380/abclima.v17i0.40124.

CARGNELUTTI FILHO, A.; MALUF, J. R. T.; MATZENAUER, R.; STOLZ, A. P. Altitude e coordenadas geográficas na estimativa da temperatura mínima média decendial do ar no Estado do Rio Grande do Sul. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 41, n. 6, p. 893-901, 2006.

CHARRIER, G. et al. Effects of environmental factors and management practices on microclimate, winter physiology, and frost resistance in trees. Frontiers in Plant Science, v. 6, p. 259, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.3389/fpls.2015.00259.

CORDEIRO, A.P.A.; BERLATO, M.A.; FONTANA, D.C.; ALVES, R.M.C. Tendências climáticas das temperaturas do ar no estado do Rio Grande do Sul, Sul do Brasil. Revista Brasileira de Geografia Física, Recife, v.09, n.03, 868-880, 2016.

CUNHA, G. R.; PIRES, J.L.F.; DALMAGO, G.A.; CAIERÃO, E.; PASINATO, A. Trigo. In: MONTEIRO, J. E. B. A. (org). Agrometeorologia dos cultivos: o fator meteorológico na produção agrícola. 1. ed. Brasília: INMET, 2009. p. 169-181.

FERREIRA, C. C.; FONTANA, D. C.; BERLATO, M. A. Relação entre a temperatura mínima do ar medida no abrigo meteorológico e na relva no Estado do Rio Grande do Sul. Rev. Bras. Agrometeorologia, Santa Maria, v 14, n. 1, p. 53-63, 2006.

FRITZSONS, E. Relação entre altitude e temperatura: uma contribuição ao zoneamento climático no estado do Paraná. Revista de Estudos Ambientais, v. 10, p. 40-48, 2008.

IPCC (PAINEL INTERGOVERNAMENTAL SOBRE MUDANÇA DO CLIMA). Mudança do Clima 2023 – Relatório Síntese. Contribuição dos Grupos de Trabalho I, II e III para o Sexto Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima. IPCC, 2023. Acesso em: out/2025. Disponível em: https://www.ipcc.ch/report/sixth-assessment-report-cycle/

KENDALL, M. Rank correlation methods. London: Griffin, 1975.

KOENKER, R.; BASSETT, G. Regression Quantiles. Econometrica, v. 46, n. 1, p. 33–50, 1978.

MANN, H. B. Nonparametric Tests Against Trend. Econometrica,, v. 13, n. 3, p. 245–259, 1945.

MATZENAUER, R. et al. Horas de frio no Estado do Rio Grande do Sul. Pesquisa Agropecuária Gaúcha, Porto Alegre, v. 11, n. 1/2, p. 71-76, 2005. Disponível em: http://revistapag.agricultura.rs.gov.br/ojs/index.php/revistapag/article/view/283.

MCCULLAGH, P. Generalized Linear Models. 2. ed. New York: Routledge, 2019.

OLIVEIRA, H. T. de. Climatologia das temperaturas mínimas e probabilidade de ocorrência de geada no estado do Rio Grande do Sul. 1997. 81 f.: il. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Agronomia. Programa de Pós-Graduação em Agronomia. Curso de Pós-Graduação em Fitotecnia, Porto Alegre, BR-RS, 1997.

PEZZA, A. B., & AMBRIZZI, T. Variability of Southern Hemisphere cyclone and anticyclone behavior: Further analysis. Journal of Climate, v.16, n.7, p.1075-1083, 2003.

PEZZA, A. B.; AMBRIZZI, T. Dynamical conditions and synoptic tracksassociated with different types of cold surge over tropical South America. International Journal of Climatology, v.25, p.215-241, 2005. http://dx.doi.org/10.1002/joc.1080

PEREIRA, A. R.; ANGELOCCI, L. R.; SENTELHAS, P. C. Geada. In. PEREIRA, A. R.; ANGELOCCI, L. R.; SENTELHAS, P. C. (Ed.). Agrometeorologia: fundamentos e aplicações práticas. Guaíba: Livraria e Editora Agropecuária, p. 384-397, 2002.

POHLERT, T. Trend: Non-Parametric Trend Tests and Change-Point Detection: version 1.1.6. [Vienna: R Foundation for Statistical Computing], 2023. Disponível em: https://cran.r-project.org/web/packages/trend/index.html.

ROCGA JUNIOR, R.L.; SILVA, F.D.S.; PINTO, D.D.C.; COSTA, R.L.; GOMES, H.B.; HERDIES, D.L.; FREITAS, I.G.F.; VILA NOVA, T.S. Análise de extremos de temperatura do sul do Brasil. Revista Brasileira de Climatologia, Dourados, v.30, 2022.

SILVA, J.G.; SENTELHAS, P.C. Diferença de temperatura mínima do ar medida no abrigo e na relva e probabilidade de sua ocorrência em eventos de geada no Estado de Santa Catarina. Revista Brasileira de Agrometeorologia, Santa Maria, v. 9, n.1, p. 9-15, 2001.

SIMÕES, D.S. Ambiente físico e meteorológico para análise do risco de geada. Tese (Programa de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto/UFRGS), 133P. 2015.

SIMÕES, D.S., FONTANA, D.C., VACARI, M. Use of LST images from MODIS/AQUA sensor as an indication of frost occurrence in RS. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, Campina Grande v.19, n.10, p.920–925, 2015. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/1807-1929/agriambi.v19n10p920-925

SNYDER, R.L.; MELO-ABREU, J.P de. Frost protection: fundamentals, practive and economics. Rome: FAO. Environment and Natural Resources Series, n. 10, v. 1, 2005. 240 p.

TAZZO, I. F.; TRENTIN, G.; CARDOSO, L. S.; JUNGES, A. H. Distribuição espacial e temporal de geadas no Rio grande do Sul entre 2003- 2018. Revista Caminhos de Geografia, Uberlândia v. 25, n. 101, p. 252–263, 2024. Disponível em: https://doi.org/10.14393/RCG2510171617

VAREJÃO-SILVA, M. A. Meteorologia e Climatologia, Versão Digital 2, Recife, 2006. Recife, 26 de fevereiro de 2006.

WREGE, M. et al. Risco de ocorrência de geada na região Centro-Sul do Brasil. Revista Brasileira de Climatologia, Dourados, v. 22, 2018. Disponível em: https://doi.org/10.5380/abclima.v22i0.57306.

YUE, S.; PILON, P.; CAVADIAS, G. Power of the Mann–Kendall and Spearman’s rho tests for detecting monotonic trends in hydrological series. Journal of Hydrology, Amsterdam, v. 259, n. 1, p. 254–271, 2002.

Downloads

Publicado

2026-09-25

Edição

Seção

Geografia

Artigos mais lidos pelo mesmo(s) autor(es)