Inundações no estado do Acre na Amazônia brasileira: eventos, impactos e desafios de 2015
DOI:
https://doi.org/10.5902/2179460X91545Palavras-chave:
Percepção de riscos, Resiliência, GovernançaResumo
Inundações são processos estressores e perturbadores do ambiente em que ocorrem. Este artigo tem o objetivo de analisar, sob a ótica dos impactos, a maior inundação que se tem registro na cidade de Rio Branco, capital do estado do Acre, na Amazônia Sul-Ocidental brasileira. Pretende-se, ainda, propor medidas para a redução de riscos e minimização de impactos. No ano de 2015 o nível do Rio Acre atingiu a marca histórica de 18,40m (4,40m acima de sua cota de transbordamento). Como consequência, foram 32 dias em situação de submersão de uma área superior a 4.500ha da área urbana do município, mais de cem mil afetados e uma quantidade superior a dez mil desabrigados. Os danos (humanos e materiais) e prejuízos (econômicos e sociais) superaram o montante de quinhentos milhões de reais. Para a análise proposta, a pesquisa centrou-se em uma revisão de literatura de trabalhos sobre percepção de riscos, resiliência e governança, no sentido de acolher contributos teóricos e estudos de caso voltados para estas temáticas, análises de relatórios, planos e documentos oficiais, bem como pesquisa em banco de dados oficiais. Os resultados mostraram impactos negativos severos de ordem social e econômica na população afetada e requerem, no contexto subjetivo (individual e comunidade), institucional e da governança, de ferramentas e mecanismos que conduzam à redução dos riscos de sua ocorrência e minimização de seus impactos. Prevenção e preparação para o seu enfrentamento perpassam pelos aspectos da capacidade adaptativa, participação social, fortalecimento das instituições e da governança dos riscos.
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