Escrever outra vez: luto e jogo em Quatro-Olhos, de Renato Pompeu

Miguel Bezzi Conde

Resumo


Argumento neste ensaio que o romance Quatro-olhos (1976), de Renato Pompeu, oscila entre luto e jogo ao falar da vida durante a ditadura militar brasileira (1964-1985). Essa ambivalência pode ser compreendida como uma forma de assinalar as perdas irrecuperáveis causadas pela violência autoritária, sem deixar de buscar reinscrever no presente também um gesto de insubordinação que evite a paralisia melancólica. A escrita se define como a tentativa de “escrever outra vez” um livro apreendido pela repressão política e desde então desaparecido. No ato de “escrever outra vez”, o que retorna e se repete do passado não são pessoas, coisas ou projetos, mas o próprio gesto da escrita. Incapaz de recuperar o perdido e desfazer o que aconteceu, ele se assume também como gesto de invenção. As lacunas da recordação se tornam um espaço de experimentação e o luto se faz acompanhar do jogo.


Palavras-chave


Renato Pompeu; Quatro-olhos; Anos 1970; Literatura e ditadura; Luto

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