“Só quem sabe onde é Luanda saberá lhe dar valor”: a tradição oral como herança ancestral

Julvan Moreira de Oliveira, Kelly de Lima Farias

Resumo


O objetivo desse trabalho foi refletir sobre a importância da Tradição Oral tal como as possibilidades de esta se fazer presente nas práticas educativas brasileiras, provocado pelas experiências do estágio realizado na Escola Primária 16 de Junho, em Luanda, Angola, através do Programa de Intercâmbio Estudantil. Baseando-se em pesquisas bibliográficas de autores que dedicaram seus estudos à temática da tradição oral africana e seus desdobramentos, buscamos perceber a tradição africana não apenas como rica em aspectos históricos, mas como instrumento de conhecimento cultural que permeiam uma sociedade. Os aportes teóricos trazidos pretendem ampliar nosso olhar sobre o legado de culturas predominantemente orais que não se esvaziam de ensinamentos. Tais considerações nos ajudam a perceber que as várias práticas culturais negras desenvolvidas em nosso país abarcam as práticas e saberes africanos. Tido como um continente da palavra falada, a África reconhece a palavra como instrumento de preservação dos saberes ancestrais. A palavra é sagrada e composta de força vital. Na educação, a palavra, a oralidade, se faz presente, tal como na tradição oral. A oralidade, elemento da tradição, é mediadora das relações sociais, políticas, econômicas e culturais. Assim, concluímos pensando uma educação que através dos ensinamentos da tradição oral africana contribua para um conhecimento no qual o ser se envolve na totalidade.


Palavras-chave


Tradição oral; Saberes ancestrais; Práticas educativas

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DOI: https://doi.org/10.5902/2179378639887

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