Individuação como filosofia prática: a clínica da “meia-idade” de C. G. Jung e a doutrina indiana dos Puruṣārthas

Dilip Loundo

Resumo


A intervenção histórica de Jung constitui, em nossa opinião, uma proposta de revitalização, na modernidade, de uma filosofia soteriológica que se ancora, estrategicamente, no contexto disciplinar de uma “psicologia científica”. Enquanto “clínica da meia-idade” ou “clínica da individuação”, o modelo que mais diretamente inspira a psicologia analítica de Jung é o athanasius pharmakon dos antigos - a “medicina da imortalidade”. Seu arcabouço conceitual, ao invés de uma teoria científica de pretensões universalizantes, consagra-se como linguagem-força que estrutura e sustenta, no Ocidente moderno, uma reflexão dialógica e conversacional analista-analisando (‘therapeia’), comprometida com a eliminação sistemática dos “invólucros falsos” que encobrem o Si-Mesmo (Self) e com a realização de uma verdade existencialmente transformadora que promove, em definitivo, a plenitude existencial. Para sustentar essa linha interpretativa, fazemos recurso à doutrina indiana dos Puruṣārthas (aspirações humanas), em especial ao processo de transição entre dharma (dever moral) e mokṣa (realização final).


Palavras-chave


Individuação; Função religiosa; Função transcendente; ātman; puruṣārtha

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/2179378639088

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