Sobre as traduções para o português de "bonum" e "malum" – o "summum bonum" nas filosofias de Agostinho e Schopenhauer

Gleisy Picoli

Resumo


Com este artigo, pretendo fazer uma análise não só da origem etimológica dos termos latinos bonum e malum, como também de suas acepções nas doutrinas de Agostinho e Schopenhauer. O meu intuito é mostrar que o summum bonum de Agostinho, constituindo, com efeito, uma herança do ágathos platônico, possui uma significação moral. E, por conseguinte, a doutrina da negação da vontade de Schopenhauer, por ser uma retomada da ideia cristã da graça como summum bonum, deve também apresentar tal significação. Das minhas análises resultará que a tradução mais adequada para bonum e malum é, respectivamente, “bom” e “mau”, pois assim conserva-se o sentido original moral dos termos latinos, ao mesmo tempo em que se ressalta o papel moral que eles ocupam nas doutrinas dos filósofos mencionados.

Palavras-chave


bonum e malum; Agostinho; Schopenhauer

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/2179378633993

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