Algumas maneiras pós-estruturalistas de responder às perguntas: Como escrever? Como ser autor?

Bruno Nunes Batista

Resumo


Este artigo se opõe aos manuais que ensinam “Como escrever bem”, mas, paradoxalmente, assume a condição de ser um tutorial movediço que arrisca sinalizar quais percursos podem tornar mais autoral a escrita. Tem o aporte do Pós-Estruturalismo, em especial sob as referências de Michel Foucault, Jorge Larrosa e outros. Discute as rotas passíveis de ser prospectada a autoria, a fim de obter um texto estético e ético; estético, pois toma cuidado com a forma das palavras e a plasticidade da escrita, à maneira de uma obra de arte; ético, porque o escritor o faz para os outros como se estivesse escrevendo para si mesmo algo que gostaria de ler não uma, mas outras tantas vezes. Conclui que os textos que valem a pena são aqueles nos quais os autores arriscam sua própria reputação para desenvolver um estilo próprio, cujo télos só poderia ser uma escrita admirável; que efetuam um trabalho limítrofe, para não se tornarem um protótipo de estereótipo; que ensaiam-escrevem experimentalmente, pois a atitude constante é a de criar.


Palavras-chave


autoria, processos da escrita, pós-estruturalismo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1983734839475

 
 
 
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