A educação como campo de tensão: violência, disciplina e precarização na docência da Educação de Jovens e Adultos do sistema prisional
DOI:
https://doi.org/10.5902/1984644493997Palavras-chave:
Educação de Jovens e Adultos prisional, precarização docente, violência, regulação institucionalResumo
O artigo busca analisar a Educação de Jovens e Adultos (EJA) no sistema prisional, que, apesar de ser um direito fundamental, é marcada por contradições decorrentes de discursos punitivistas, seletividade penal e precarização docente. O objetivo é investigar como professores e professoras vivenciam a docência em instituições prisionais de Criciúma, Santa Catarina, considerando os impactos da regulação institucional e da violência simbólica em suas práticas. A pesquisa, de cunho qualitativo, baseou-se em entrevistas semiestruturadas com docentes que atuaram no cárcere. A análise organizou-se em torno das categorias precarização do trabalho docente; regulação institucional e generificada dos corpos; disciplina e violência simbólica; restrição, censura e autocensura pedagógica; e adaptação das práticas educativas às condições materiais e às rotinas de segurança. Os resultados indicam importantes desafios, como restrições institucionais, condições de trabalho precarizadas e a ausência de normativas específicas para a EJA no contexto prisional. As análises evidenciam que a escolarização é atravessada por práticas de controle e disciplina que limitam a autonomia pedagógica, subordinam a organização curricular às rotinas de segurança e reforçam desigualdades e a lógica punitivista. Ao problematizar esses elementos, o estudo contribui para o debate sobre o direito à educação em espaços de privação de liberdade e para a formulação de políticas públicas mais justas.
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