Esquinas, becos, encruzilhadas & barulho(s): aspectos interseccionais da produção epistêmica de MC’s sudestinas

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.5902/2357797591644

Mots-clés :

Hip-hop, Interseccionalidade, Produção do conhecimento

Résumé

Este artigo propõe uma análise etnográfica dos ritmos eletrônicos periféricos como grime, drill e trap, compreendidos enquanto expressões do movimento hip-hop que atravessam o Atlântico e se enraízam no Brasil como manifestações políticas, epistêmicas e etnográficas. Enquadrados na perspectiva da Améfrica Ladina (Gonzalez, 1988:2018), esses ritmos atuam como linguagens do laço, absorvendo e ressignificando vivências de juventudes negres, latines e caribenhes no contexto brasileiro. No cerne dessas expressões estão corpos negros, femininos e dissidentes de gênero que, por meio das narrativas musicais, articulam experiências atravessadas por marcadores como raça, classe, gênero e sexualidade. Nesse sentido, os ritmos periféricos tornam-se espaços de produção epistêmica e agência (Ortner, 2007), onde MCs como Iza Sabino, Sodomita, Irmãs de Pau, Natalhão e Sé da Rua constroem saberes com seus corpos, trajetórias e vozes (Collins, 2019). O presente estudo se propõe a investigar três eixos principais: (1) a trajetória histórica e política dos gêneros eletrônicos periféricos no Brasil; (2) os aportes da epistemologia feminista negra de Patricia Hill Collins e da epistemologia transfeminista negra de Sil Nascimento; e (3) a ressonância dessas epistemologias nas produções artísticas das MCs citadas. Ao compreender o grime, o drill e o trap como campos de autodefinição e reinvenção subjetiva, o artigo aponta para a potência desses ritmos enquanto dispositivos de insurgência, onde o corpo-sujeito se constitui em resistência e produção de conhecimento.

Téléchargements

Les données relatives au téléchargement ne sont pas encore disponibles.

Biographie de l'auteur

Steffane Santos, Universidade Federal de Minas Gerais

Mestre em Antropologia pela Universidade Federal de Minas Gerais; Doutoranda, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, MG, Brasil.

Références

ABREU, Mariana Sales de. “Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes”: teoria e música em Beyoncé e Emicida. 2022. Dissertação (Mestrado em Ciência Política) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2022.

BARRON, Lee. The sound of street corner society: UK grime music as ethnography. European Journal of Cultural Studies, [S. l.], 2013. DOI: https://doi.org/10.1177/1367549413491937

BRAH, Avtar. Diferença, diversidade, diferenciação. Cadernos Pagu, Campinas, n. 26, p. 329–376, jan./jun. 2006. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-83332006000100014

BISPO DOS SANTOS, Antônio. Colonização, quilombos: modos e significados. Brasília: INCT/UnB, 2015.

BUTLER, Judith. Atos performativos e constituição de gênero: um ensaio sobre fenomenologia e teoria feminista. In: Macedo, Ana Gabriela; Rayner, Francesca (org.). Gênero, cultura visual e performance: antologia crítica. Minho: Universidade do Minho; Húmus, 2011.

BUTLER, Judith. Corpos em aliança e a política das ruas: notas para uma teoria performativa de assembleia. Tradução de Fernanda Siqueira Miguens. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

COLLINS, Patricia Hill; Bilge, Sirma. Interseccionalidade. São Paulo: Boitempo, 2021.

COLLINS, Patricia Hill. Pensamento feminista negro: conhecimento, consciência e a política do empoderamento. São Paulo: Boitempo, 2019.

CRENSHAW, Kimberlé. A interseccionalidade na discriminação de raça e gênero. In: Vv. aa. Cruzamento: raça e gênero. Brasília: Unifem, 2004. p. 7–16.

CRENSHAW, Kimberlé. Documento para o encontro de especialistas em aspectos da discriminação racial relativos ao gênero. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 10, n. 1, p. 171–188, 2002. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-026X2002000100011

DAVIS, Angela. A arte na linha de frente: mandato para uma cultura do povo. In: Davis, Angela. Mulheres, cultura e política. São Paulo: Boitempo, 2017.

DONATO, Cássia. Hip hop e feminismo negro nos processos de participação de jovens negras. 2012. Dissertação (Mestrado em Psicologia) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2012.

FATSIS, Lambros. Policing the beats: the criminalisation of UK drill and grime music by the London Metropolitan Police. The Sociological Review, [S. l.], v. 67, n. 6, p. 1300–1316, 2019. DOI: https://doi.org/10.1177/0038026119842480

FIGUEIREDO, Angela. Epistemologia insubmissa feminista negra decolonial. Tempo e Argumento, Florianópolis, v. 12, n. 29, e0102, jan./abr. 2020. DOI: https://doi.org/10.5965/2175180312292020e0102

GILROY, Paul. O Atlântico Negro: modernidade e dupla consciência. São Paulo: Editora 34; Rio de Janeiro: Universidade Cândido Mendes, Centro de Estudos Afro-Asiáticos, 2012.

GONZALEZ, Lélia. Debate: a cidadania e a questão étnica (1985). In: Gonzalez, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.

HALL, Stuart. Da diáspora: identidades e mediações culturais. Belo Horizonte: UFMG; Humanitas, 2013.

HARAWAY, Donna. “Gênero” para um dicionário marxista: a política sexual de uma palavra. Cadernos Pagu, Campinas, n. 22, p. 201–246, 2004. DOI: https://doi.org/10.1590/S0104-83332004000100009

HOOKS, bell. A margem como um espaço de abertura radical. In: Hooks, bell. Anseios: raça, gênero e políticas culturais. São Paulo: Elefante, 2019.

KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação: Episódios de Racismo Cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

MATIAS-RODRIGUES, M. N.; Araújo-Menezes, J. Jovens mulheres: reflexões sobre juventude e gênero a partir do movimento hip hop. Revista Latinoamericana de Ciencias Sociales, Niñez y Juventud, [S. l.], v. 12, n. 2, p. 703–715, 2014. DOI: https://doi.org/10.11600/rlcsnj.12.2.1368

NASCIMENTO, Letícia. Transfeminismo. São Paulo: Jandaíra, 2021.

NASCIMENTO, Sil de Souza. Epistemologias transfeministas negras: perspectivas e desafios para mulheridades múltiplas. Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v. 35, p. 548–573, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/s2178-149420220311

NOVO, Arthur Leonardo Costa. Famílias em transição: uma etnografia sobre relacionalidade, gênero e identidade nas vidas trans. 2021. Tese (Doutorado) – Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2021.

OLIVEIRA, Amanda Antunes Reis Santos de. Mulheres do rap: uma antropologia compartilhada sobre agências, performances e identidades nas periferias. 2018. Monografia (Bacharelado em Ciências Sociais) – Universidade de Brasília, Brasília, 2018.

ORTNER, Sherry B. Poder e projetos: reflexões sobre a agência. In: Conferências e diálogos: saberes e práticas antropológicas. [S. l.], 2007. p. 45.

SAMICO, Shirley de Lima. Lideranças femininas e feministas: um estudo sobre a participação de jovens mulheres no movimento hip hop. 2013. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2013.

SANTOS, Sandra Mara Pereira dos. Interseccionalidade de gênero, classe e cor/raça: conjugalidades inter-raciais e entre homens e mulheres negras no rap brasileiro. In: I Congresso de Estudos de Interseccionalidade em Ciências Sociais. São Paulo, 2019. Anais […]. p. 1–20.

SANTOS, Steffane Pereira. Epistemologia feminista negra: mulheres negras como agentes insubmissas de (re)existência. Revista Discente Planície Científica, [S. l.], v. 2, n. 4, p. 209–217, 2022.

SANTOS, Steffane. “Nunca vai me achar onde me deixou”: a epistemologia feminista negra e a produção epistêmica de mulheres negras no rap. 2022. Monografia (Bacharelado em Ciências Sociais) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2022.

SANTOS, Steffane. Epistemologia interseccional do barulho: conhecimento e autodefinição por corpos negros e genderizados a partir do hip-hop em Belo Horizonte – MG. 2024. Dissertação (Mestrado em Antropologia) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2024. DOI: https://doi.org/10.30612/nty.v13i21.19439

SCOTT, Joan. A invisibilidade da experiência. Projeto História, São Paulo, n. 16, fev. 1998.

SCOTT, Joan. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71–99, jul./dez. 1995.

Téléchargements

Publiée

2026-02-20

Comment citer

Santos, S. (2026). Esquinas, becos, encruzilhadas & barulho(s): aspectos interseccionais da produção epistêmica de MC’s sudestinas. InterAção, 16(5), e91644. https://doi.org/10.5902/2357797591644