A2/AD e construção de capacidades no Sul Global: fundamentos teóricos, restrições materiais e agendas de adaptação estratégica
DOI:
https://doi.org/10.5902/2357797596504Palavras-chave:
A2/AD, Sul Global, Construção de capacidades, Dissuasão, EstratégiaResumo
Este artigo analisa o conceito de antiacesso e negação de área (A2/AD) a partir de uma perspectiva centrada na construção de capacidades em países do Sul Global. Em vez de tratar o A2/AD apenas como doutrina de emprego ou como arranjo operacional destinado a restringir a liberdade de ação de um adversário superior, o texto sustenta que sua efetividade depende da integração entre meios, doutrina, território, infraestrutura, logística, comando e controle e governança. O argumento parte de um diálogo com autores clássicos e contemporâneos da estratégia, especialmente Thomas Schelling, J. C. Wylie, Lawrence Freedman, Andrew Krepinevich e Sam Tangredi, para demonstrar que o A2/AD deve ser compreendido como forma de coerção convencional e de controle seletivo do espaço. Em seguida, o estudo desloca o debate para o Sul Global, entendido não apenas como recorte geográfico, mas como posição marcada por assimetrias de poder, dependência tecnológica, restrição fiscal e necessidade de priorização estratégica. A partir desse deslocamento, propõe-se uma moldura analítica baseada em oito dimensões construtivas da capacidade A2/AD: sensoriamento; comando e controle; fogos de precisão; mobilidade e sobrevivência; logística; proteção cibernética e eletrônica; infraestrutura crítica e governança com autonomia relativa. Por fim, o artigo discute as principais dificuldades enfrentadas pelos países do Sul Global, com ênfase na fragilidade orçamentária, e argumenta que a saída mais promissora consiste na construção seletiva, incremental e territorialmente orientada de capacidades, e não na reprodução mimética dos modelos das grandes potências. O caso brasileiro é mobilizado como referência aplicada para pensar uma agenda de defesa baseada em dissuasão convencional, proteção de áreas sensíveis e integração sistêmica.
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