A Política Externa Brasileira na Guerra Fria latino-americana: o golpe de Estado na Guatemala em 1954
DOI:
https://doi.org/10.5902/2357797593669Palavras-chave:
Golpe na Guatemala (1954), Política Externa Brasileira, Relações Brasil-Estados Unidos, Guerra FriaResumo
Este artigo busca compreender a atuação da diplomacia brasileira diante do golpe de Estado na Guatemala em 1954. A pesquisa procura responder à seguinte questão central: como e por que o governo de Getúlio Vargas, no contexto da Guerra Fria, apoiou o golpe na Guatemala em 1954? O objetivo principal do artigo é analisar por que a delegação brasileira participou dos esforços de legitimação da intervenção, no âmbito da Organização dos Estados Americanos e do Conselho de Segurança da ONU. Ainda, o artigo aborda brevemente o cenário político interno do Brasil no Segundo Governo Vargas (1951-1954), caracterizado por tensões entre forças nacionalistas e conservadoras, além das pressões da Guerra Fria que reforçavam o combate ao comunismo. Examina-se também a conjuntura guatemalteca, marcada pela chamada primavera democrática, pelas reformas sociais e pela reforma agrária implementada por Arbenz, que acirraram a oposição das elites locais e dos interesses norte-americanos na região. Do ponto de vista metodológico, o trabalho se baseia em uma abordagem documental e exploratória, apoiada em fontes primárias, como telegramas, resoluções e discursos diplomáticos, bem como na bibliografia especializada. Os resultados indicam que a posição brasileira diante do golpe refletiu um alinhamento preferencial com os Estados Unidos, ainda que com nuances de pragmatismo e barganhas econômicas, e ao custo de apoiar a derrubada de um governo legitimamente eleito.
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