“NUM DIA COMUM DE HOJE”. TRANSFIGURAÇÕES ENTRE DISCURSOS DE REIVINDICAÇÃO DA DITADURA EM 1975 E EM 2019.

Adrián Pablo Fanjul

Resumo


Abordamos comparativamente duas peças audiovisuais produzidas, uma em 1975 e outra em 2019, para comemorar laudatoriamente o golpe militar de 1964 no Brasil. A análise focaliza pontos obscuros relativos à sua realização, divulgação e filiação institucional; a interlocução posta em cena; a narrativa repetida; a estabilização de alguns objetos de discurso, e, no caso do vídeo de 2019, uma fissura na sintaxe. Encontramos entre os dois vídeos nítidas relações parafrásticas, mas também anacronismos e diferenças relevantes que dizem respeito às formações imaginárias na interlocução, à construção das entidades em conflito e às modalidades de ênfase e refutação. A partir dos resultados, hipotetizamos o atravessamento atual da regularização de um discurso militarista e autoritário por traços específicos de movimentos recentes.

Palavras-chave


discurso político; relações parafrásticas; ditadura militar brasileira; governo Bolsonaro

Texto completo:

PDF

Referências


AB’ SÁBER, Tales. Brasil, a ausência significante política (uma comunicação). In: TELES, Edson, e SAFATLE, Vladimir (orgs.). O que resta da ditadura. A exceção brasileira. São Paulo: Boitempo, 2010, p. 187-202.

BRUM. Eliane. O homem mediano assume o poder. El País, 4/1/2019, s/n de página. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/02/opinion/1546450311_448043.html , acesso em 16/6/2019.

CARBONELLI, Marcos. Entre los templos y las urnas. La gravitación evangélica en la vida política de Brasil. In: Carbonelli et al. Dossier EleNão? Las elecciones brasileñas y la coyuntura política. Buenos Aires, Centro de Estudios en Ciudadanía, Estado y Asuntos Políticos, Facultad de Ciencias Socieles – UBA, 2018, s/n de página. Disponível em: http://ceap.sociales.uba.ar/2018/10/16/dossier-ele-nao/ , acesso em 17/6/2019.

CHIRIO, Maud. A política nos quarteis. Revoltas e protestos de oficiais na ditadura militar brasileira. Rio de Janeiro: Zahar, 2012.

COURTINE, Jean-Jacques. Análise do discurso político. O discurso comunista endereçado aos cristãos. [1981]. Trad. De Cristina de Campos Velho Birk et al. São Carlos: EdUSCar, 2009.

FAUSTO, Boris. História do Brasil. 10ª edição. São Paulo: EDUSP, 2002.

FUCHS, Catherine. La paraphrase. Paris: Presses Universitaires de France, 1982.

GOLDSTEIN, Ariel. Las raíces del bolsofascismo. In: Carbonelli et al. Dossier EleNão? Las elecciones brasileñas y la coyuntura política. Buenos Aires: Centro de Estudios en Ciudadanía, Estado y Asuntos Políticos, Facultad de Ciencias Sociales – UBA, 2018, s/n de página. Disponível em: http://ceap.sociales.uba.ar/2018/10/16/dossier-ele-nao/ , acesso em 18/6/2019.

GUIMARÃES, Eduardo. Semântica do acontecimento. Um estudo enunciativo da designação. Campinas: Pontes, 2005.

INDURSKY, Freda. Que povo é esse? Revista de Estudos Linguísticos, Belo Horizonte, ano 4, v 1, p. 101-114, 1995.

KRAUSE, Katia. O Brasil de Amaral Netto, o Repórter – 1968-1985. Tese de Doutorado. Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2016.

LÖWY, Michael. Da tragédia à farsa: o golpe de 2016 no Brasil. In: JINKINGS, Ivana; DORIA, Kim, e CLETO, Murilo (orgs.). Por que gritamos golpe? Para entender o impeachment e a crise política no Brasil. São Paulo: Boitempo, 2016, p. 61-67.

MOTTA, Rodrigo. O Brasil à beira do abismo de novo. In: MATTOS, Hebe; BESSONE, Tânia, e MAMIGONIAN, Beatriz. Historiadores pela democracia. O golpe de 2016: a força do passado. São Paulo: Alameda, 2016, p. 89-100.

NAPOLITANO, Marcos. Recordar é vencer: as dinâmicas e vicissitudes de construção da memória sobre o regime militar brasileiro. Antíteses, Londrina, v 8, n 15, p 9-44, 2015.

OLIVEIRA, Regiane. Governo Bolsonaro prega ‘negacionismo histórico’ sobre a ditadura. Entrevista com Marcos Napolitano. El País, 5/4/2019. Disponível em : https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/05/politica/1554419295_939718.html , acesso em 12/6/2019

ORLANDI, Eni. P. Maio de 68: os silêncios da memória. [1998]. In: ACHARD, Pierre, et al. Papel da memória. Campinas: Pontes, 2010, 59-67.

PÊCHEUX, Michel. Análise automática do discurso [1969]. Trad. de Bethânia Mariani. Em: GADET, Françoise, e HAK, Tony. Por uma análise automática do discurso: uma introdução à obra de Michel Pêcheux. Campinas: Ed. da UNICAMP, 1997, p. 61-161.

______________ Leitura e memória: projeto de pesquisa [1982]. Trad de Tânia Clemente de Souza. In: ORLANDI, Eni (org.). Análise de discurso. Michel Pêcheux. Campinas: Pontes, 2011, p. 141-150.

______________ O discurso. Estrutura ou acontecimento [1983]. Trad. de Eni Orlandi. Campinas: Pontes, 2002.

PINTO, Eduardo. Bolsonaro e os quarteis: a loucura com método. Textos para discussão, n 6. Publicação não indexada do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2019, p. 2-29. Disponível em: http://www.ie.ufrj.br/images/pesquisa/publicacoes/discussao/2017/tdie0062019pinto.pdf , acesso em 23/5/2019.

PIZZUTIELLO, Andrea. Documentários-propaganda das ditaduras militares do Brasil (1964-1985) e da Argentina (1976-1983). Uma comparação enunciativo-discursiva. Dissertação de Mestrado, Universidade de São Paulo, 2017.




DOI: https://doi.org/10.5902/2179219438817

Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição - NãoComercial 4.0 Internacional.

ISSN Versão Impressa: 1519-9894
ISSN Versão Digital: 2179-2194
DOI 10.5902/21792194
Endereço Eletrônico: www.ufsm.br/fragmentum

Fragmentum possui caráter público e gratuito, dessa forma, NÃO são cobrados custos ou taxas para submissão, processamento, publicação e leitura dos artigos.

Todo o conteúdo do periódico Fragmentum está licenciado com uma Licença Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada com uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial 4.0 Internacional.

REDES SOCIAIS
Página da Revista no Facebook