Crescimento de mudas de Prunus brasiliensis (Cham. & Schltdl.) D. Dietr. em substratos à base de lodo de esgoto compostado e fertilizante mineral

Maurício Bergamini Scheer, Charles Carneiro, Kaline Gomes dos Santos

Resumo


http://dx.doi.org/10.5902/198050987555

A crescente quantidade de resíduos sólidos produzidos pelo homem gera a necessidade de seu aproveitamento. Uma oportunidade é o uso de lodo de esgoto para atendimento da demanda por insumos alternativos no meio agrícola e florestal. Dessa maneira, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o crescimento de Prunus brasiliensis (Cham. & Schltdl.) D. Dietr. (pessegueiro-bravo) em substratos de lodo de esgoto aeróbio compostado com restos de podas de árvores trituradas, com diferentes níveis de fertilizante, e comparar o crescimento destas mudas com as produzidas em substrato comercial, normalmente utilizado em viveiros florestais. O experimento foi conduzido em casa de vegetação entre julho e outubro de 2008 e em área de rustificação entre novembro de 2008 e fevereiro de 2009, pertencentes à Companhia de Saneamento do Paraná - SANEPAR, localizado no município de Araucária, PR. Foram testados três níveis (0; 2,7 e 4 g dm-3) de fertilizante granulado de liberação lenta (N; P2O5; K2O - 15-9-12) em três tipos de substratos: substrato comercial de casca de pinus (Pinus sp.) compostada e vermiculita e, substratos de resíduos de podas de árvores trituradas compostadas com lodo de esgoto aeróbio nas proporções 2:1 e 3:1 (v:v). Aos sete meses de idade das mudas, foram mensuradas as seguintes variáveis: altura, diâmetro de colo e biomassa seca aérea (folhas e ramos). Os compostos à base de lodo de esgoto indicam crescimento para Prunus brasiliensis maiores aos obtidos pelos tratamentos utilizando substrato comercial à base de casca de Pinus compostada e vermiculita. Para ambos os compostos à base de lodo de esgoto, o nível intermediário de fertilizante (2,7 g dm-3) apresenta resultados similares ao nível superior (4 g dm-3) para a maioria das variáveis testadas.

Palavras-chave


biossólido; compostagem, nutrição de plantas; viveiro florestal

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DOI: https://doi.org/10.5902/198050987555

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