Uso de mantas geotêxteis na revegetação de um fragmento de mata de galeria no Jardim Botânico de Brasília - DF: sobrevivência e desenvolvimento de mudas

Camila Graziela Artioli, Rodrigo Studart Correa

Resumo


Atividades antrópicas têm causado danos ao Cerrado, segundo maior bioma do Brasil. Entre as formações vegetais mais ameaçadas do bioma Cerrado, destaca-se a Mata de Galeria. Programas de recuperação tentam restaurar essa ftofsionomia, mas ervas invasoras difcultam o estabelecimento e o desenvolvimento de espécies nativas lenhosas. Nesse cenário, cerca de 2 ha da Mata de Galeria do Córrego Cabeça de Veado, na área do Jardim Botânico de Brasília, fora desmatada para a prática de agricultura de subsistência e, posteriormente, a área foi dominada por Melinis minutiflora Beauv. (capim-gordura). Algumas tentativas de restauração do local falharam devido à competição dessa erva com as mudas arbóreas plantadas. Dessa forma, este trabalho visou avaliar o efeito do uso de mantas geotêxteis na sobrevivência e desenvolvimento de mudas de espécies arbóreas plantadas em um trecho de Mata de Galeria infestado por capim-gordura. Na área de estudo foram plantadas mudas arbóreas de trinta espécies nativas do Cerrado. Metade das mudas recebeu manta geotêxtil e a outra metade das mudas não recebeu essa proteção. Quatro levantamentos foram efetuados, quando se mediram a sobrevivência, a altura e o diâmetro das mudas. Os resultados indicaram que as mantas geotêxteis aumentaram em 19,6% a sobrevivência de plantas e que sete das trinta espécies apresentaram maior incremento alométrico com o uso de mantas geotêxte is. Duas espécies se desenvolveram mais sem a presença de mantas geotêxteis e o incremento de metade das espécies não foi signifcativamente afetado pelo uso desse protetor.


Palavras-chave


Manta geotêxtil; Mata de galeria; Melinis minutiflora; Restauração ecológica

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/198050984016