ESTRUTURA E RELAÇÕES FLORÍSTICAS DE UM FRAGMENTO DE FLORESTA ESTACIONAL SEMIDECIDUAL, LONDRINA, PARANÁ, BRASIL

Daniela Aparecida Estevan, Ana Odete Santos Vieira, Maurício Romero Gorenstein

Resumo


O maior fragmento da Fazenda Figueira (Londrina-PR) com área de 266 ha, é uma Reserva Particular de Patrimônio Natural, e um dos mais importantes remanescentes da região. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a estrutura e a diversidade arbórea do referido fragmento, e avaliar a relação florística com outros fragmentos de Floresta Estacional Semidecidual estudados no estado do Paraná. Foram alocadas 100 parcelas de 10 x 10 m, e em cada uma delas foram amostrados os indivíduos arbóreos com 15 cm ou mais de Circunferência a Altura do Peito, resultando em 1569 indivíduos, distribuídos em 32 famílias, 66 gêneros e 93 espécies. As famílias que mais se destacaram em número de espécies foram Fabaceae (16 espécies), Meliaceae (nove espécies) e Myrtaceae (nove espécies). Trichilia clausseni C.DC. foi a espécie de maior valor de importância no fragmento estudado, reflexo dos maiores valores de densidade e frequência relativa. A maior dominância relativa foi apresentada por Gallesia integrifolia (Spreng.) Harms, por apresentar indivíduos de grande porte com os maiores valores de área basal. O índice de diversidade de Shannon encontrado foi de 3,37 nats/ind, valor este considerado expressivo e similar a outros levantamentos na região, e o índice de equabilidade de Pielou foi de 0,743 indicando equilíbrio no número de indivíduos entre as espécies. A presença de espécies com apenas um indivíduo amostrado e de espécies consideradas raras no Paraná, bem como a diversidade total das espécies e o grau de conservação do fragmento, demonstram a importância da preservação e manejo do remanescente. A proximidade geográfica associada a fatores ambientais semelhantes, assim como ao tipo de unidade fitogeográfica predominante, evidenciaram relações florísticas mais próximas, por outro lado, fatores ambientais locais como proximidade a cursos d’água diferenciaram a flora de locais próximos.


Palavras-chave


fitossociologia; Mata Atlântica; bacia do rio Tibagi; sul do Brasil.

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DOI: http://dx.doi.org/10.5902/1980509824195

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